Aquelas imbecilidades que a gente jura que nunca vai fazer mas um dia faz


Daí que tem umas coisas que às vezes aparecem em textos, posts, histórias, seriados, com a amiga da amiga da vizinha, tanto faz, que a gente olha e pensa "mas gente, como que essa criatura de deus fez isso?" e aí declara com aquela certeza que só gente iludida na vida tem: "eu nunca ia fazer uma estupidez dessa". Somos pessoas evoluídas. Algumas imbecilidades a gente simplesmente não faz.

Até que vai lá e faz.



Ontem eu resolvi jogar molho na comida. De tomate mesmo, desses prontos. Mas sou esse tipo de entojada que bate o molho pronto no liquidificador porque não suporta cebola. Então eu fui bater o molho no liquidificador. Insira aqui o meme do nada acontece, feijoada porque problema não foi aqui. O problema foi depois.

Eu não usei o molho todo, então fui guardar o resto num pote. Fui tirar a jarra do liquidificador que tinha o resto do molho, e aí, meus amores. A vida, essa coisa maravilhosa que às vezes decide que vai simplesmente acontecer.

Aí eu achei uma boa ideia apoiar o dedo no botão de ligar do liquidificador.

Que ligou.

Sem tampa.

Com molho dentro.


Tá, o gif é um exagero. O liquidificador ficou ligado por uns 3 segundos antes de eu perceber o que se passava e desligar a tempo de evitar uma desgraça maior. Respingos aconteceram na mesa, na parede, num vaso, na minha cara e no meu cabelo, mas nada de mais porque nem tinha tanto molho assim dentro. Só que isso não impediu que eu ficasse um tempo olhando pro liquidificador, pensando na situação, numa coisa meio
eu
não

crendo.

Agora eu fico paranoica, pensando qual vai ser a próxima estupidez que eu jurei que nunca ia fazer que eu vou fazer e querer depois arrancar minha própria língua de raiva.

A vida, essa desaplaudida.

A CABEÇA DO SANTO


›› autora: socorro acioli
›› editora: companhia das letras
›› ISBN: 9788535923698
›› número de páginas: 166
›› onde comprar: cultura | saraiva | amazon
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sinopse: sob o sol torturante do sertão do Ceará, Samuel empreende uma viagem a pé para encontrar o pai que nunca conheceu. Ele vai contrariado, apenas para cumprir o último pedido que a mãe lhe fez antes de morrer. Quando chega á cidade quase fantasma de Candeia, encontra abrigo num lugar curioso: a cabeça gigantesca de uma estátua inacabada de santo Antônio, que jazia separada do resto do corpo. Coisas extraordinárias começam a acontecer depois que Samuel descobre ter o dom de ouvir as preces e os segredos do coração das mulheres das redondezas, que não param de reverberar da cabeça do santo.

Já tinham me recomendado A cabeça do santo uns anos atrás dizendo que provavelmente eu ia adorar, mas por alguma razão qualquer acabei não lendo. O interesse acabou voltando, me deu um siricutico, comprei e ele ficou um tempão na estante até que criei vergonha na cara de ler. Se eu tivesse sido menos trouxa, teria lido antes. Quem me recomendou lá no começo tinha razão: adorei praticamente tudo.

De certo modo, o livro me lembrou um pouco um outro livro da mesma autora, Inventário de segredos, na ideia de que pessoas sempre escondem segredos. E todos os personagens de A cabeça do santo, em maior ou menor escala, têm alguma coisa a esconder que acaba vindo à tona por causa da chegada de Samuel à cidade de Candeia. Ele é o catalisador de todos os eventos que acabam mudando a vida de todos os personagens.

Gostei de como a autora lidou com essa parte de fantasia. Não espere grandes explicações: as coisas acontecem assim porque sim, e essa, pra mim, foi a graça da coisa. O motivo das vozes na cabeça do santo é o que menos interessa, mas sim a reação das pessoas. Religião é um tema bem presente na história, mas de forma leve e sem tom de julgamento. Todos os personagens tem algum propósito ali, e de alguns até queria saber mais. Não criei um amor tão grande neles, mas isso não é um defeito. É que me apeguei muito mais à história e seu desenvolvimento do que aos personagens, e isso não é um acontecimento tão anormal pra mim. Já aconteceu com várias outras histórias que gostei muito.

Até cheguei a colocar A cabeça do santo no post de livros que queria que virassem minisséries, porque essa foi exatamente a sensação que tive ao longo da leitura. Foi muito fácil imaginar como tudo aquilo ficaria ótimo na tv, numa coisa que me lembrou bastante O auto da compadecida e Lisbela e o prisioneiro. Também me pareceu o tipo de livro que seria legal pra ser usado em sala de aula. 

Acho que só encrenquei um pouquinho em dois pontos. O primeiro foi com os diálogos. Eles não são ruins, mas esperava um pouco mais de regionalismo presente. Isso aparece bastante nos cenários, mas achei que faltou nas falas. O segundo é com o final. Também não é ruim, mas não esperava que parasse naquele ponto específico. Não sei se isso pode ser considerado spoiler, mas por via das dúvidas vou botar o comentário em branco, quem quiser é só selecionar a frase: gostei bastante do final ser aberto e acho que não tinha como ser de outro jeito, mas algumas das perguntas que ficam podiam ter sido respondidas sem perder o efeito de final aberto, principalmente uma que confesso ter ficado meio "... poxa D:" por não saber qual o desfecho da situação. Mas esses dois pontos não são algum tipo de demérito da obra ou algo assim, são mais gosto pessoal mesmo. A cabeça do santo também me pareceu um ótimo começo pra quem quer conhecer o que a literatura nacional contemporânea tem a oferecer.

Comentários: série A Seleção (Kiera Cass)


O que me levou a ler A Seleção na época foi a premissa comparável a Jogos Vorazes encontra America's Next Top Model, mas eu estava mais interessada na parte ANTM da coisa. Lembro que comecei a leitura sem esperar muita coisa além de algo que me divertisse, e mesmo com alguns altos e baixos, a série acabou virando uma das minhas preferidas. Tem vestidos bonitos, sabotagem, barracos e me divertiu. Só preciso disso pra ser feliz.


Todos os comentários trazem alguns spoilers sobre os livros, mas acho que a essa altura do campeonato todo mundo (até quem não leu) já tem uma noção das coisas que acontecem. De qualquer maneira, fica aqui o aviso. As compras feitas pelos links indicados geram uma pequena comissão ao blog.


A SELEÇÃO
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Na época em que ele saiu por aqui, as pessoas ficaram confusas se era romance ou distopia. Considerando que a parte política dele é super secundária e quase não é desenvolvida fora daquelas informações necessárias pra se ter um contexto do que diabos tá acontecendo e porquê, desapeguei desse lado "distópico" e foquei naquilo que realmente me interessava: os vestidos, as brigas e os barracos. Não fiquei decepcionada nesse quesito. Meu maior problema com ele foi a falta de apego ao trio maravilha Maxon/America/Aspen. Gostei de alguns traços da personalidade da America e de algumas atitudes dela, mas Aspen achei um porre logo no começo e Maxon me pareceu meio banana. Não fiquei nada surpresa quando vi que a personagem que tinha ganho meu coração era Celeste, a selecionada malvada e esnobe. Uma coisa meio Regina George. Como não tive apego ao trio maravilha, acabei achando o romance meio chato, mas não foi nada que estragasse a experiência, até porque Kiera Cass é muito boa em te prender na leitura. E repito: vestidos, brigas e barracos. Não preciso muito mais do que isso pra ser feliz.

A ELITE
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Não entendi muito bem a insistência em tentar manter suspense em cima de quem America escolheria. Pra mim sempre foi bem claro que a escolha seria Maxon, então todas as partes de A Elite em que ela passa confusa sobre quem ama de verdade só me fizeram revirar os olhos. Celeste continuou de longe a personagem mais interessante pra mim, e Aspen continuou um porre tão grande e Maxon continuou um banana tão banana que comecei a shippar America e Celeste. Dei uma sofridinha pela Marlee, a selecionada melhor amiga da America, e por Carter, e taí um casal que não merecia ter sofrido daquele jeito. Nesse livro também dá pra ter uma ideia melhor da dinâmica do palácio, mas no geral a ideia que ele passa é bem de ponte entre o começo da história no primeiro livro e o fim no terceiro. Tive a impressão de que os acontecimentos dele podiam ter sido divididos entre o primeiro e o terceiro livro, transformando a trilogia em duologia. Mas talvez eu tenha essa impressão porque não comprei muito o romance do trio maravilha e não achei a indecisão da America convincente. De qualquer maneira, nada disso tornou o segundo livro ruim.

A ESCOLHA
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O plot político avança com uma maior participação dos rebeldes, mas sem tirar o protagonismo do romance. As selecionadas que sobraram começam a mostrar mais do que animosidade entre elas, surgindo um clima de amizade bem bonitinho que incluiu até Celeste!, e eu estava até que bem de boa com o rumo que as coisas estavam tomando. Então deu a impressão de que lembraram que o livro precisava terminar e decidiram resolver tudo - TUDO! - em 33 páginas. O final acabou ficando apressado, nenhuma explicação foi satisfatória, as soluções encontradas para alguns conflitos pareceram preguiçosas e fáceis demais. E eu nunca vou superar o que Kiera fez com relação à Celeste. Nada descreve meu ódio de ver uma personagem receber todo um arco de redenção pra no final das contas tomar um tiro no meio da testa e todo mundo esquecer disso 2 páginas depois. Entendi o que havia por trás da ideia de pelo menos uma das selecionadas morrer, mas fiquei com a má impressão de que a autora redimiu a Celeste só pra morte dela causar algum tipo de choque. O epílogo ser gasto em um pedaço do casamento de America e Maxon me pareceu meio desperdício, podiam ter feito disso um capítulo normal mesmo e usado o epílogo pra algo como "alguns anos depois". Terminei a trilogia bem insatisfeita.

A HERDEIRA
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Adorei a Eadlyn. Ela é arrogante mas ao mesmo tempo insegura em alguns momentos, além de ter plena consciência de suas capacidades e do fato de que vai ser rainha um dia. Achei que ela se encaixa bem naquele tipo de protagonista criada sem a pretensão de ser agradável. Aquele que a gente fica até meio puta quando percebe que tem coisas em comum. A ideia da seleção ser feita com 35 pretendentes homens à mão da princesa também foi ótima, principalmente pela má vontade inicial de Eadlyn a ter que se submeter a isso por achar que poderia muito bem ser rainha sem precisar de um rei. Uma pena que essa seleção acontece quase por chantagem emocional da personagem mais improvável possível, que acabou ficando completamente descaracterizada. Os selecionados "principais" (os que recebem mais destaque) foram bem escolhidos a ponto de eu desejar fervorosamente que a Kiera liberasse a Eadlyn pra casar com todos eles. Obviamente isso não ia acontecer, bem como a certeza da princesa de que não precisava de rei pra governar também não ia durar muito, mas considerando que esse livro precisava de romance, acabei meio que me conformando na marra. E assim como os 3 livros antecessores, todo mundo é extremamente hetero, e acho que aqui foi perdida uma ótima oportunidade de colocar pelo menos uma mulher na competição pela mão da Eadlyn (eu tenho na minha cabeça o headcanon de que a Eadlyn é bi, 'ces me deixem ser feliz). Achei boa a maneira como a Kiera apresenta a parte do peso da opinião pública (o povo não gosta da Eadlyn) pro jogo político.

A COROA
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Ao mesmo tempo em que gostei bastante de A Coroa, também não tenho tanta coisa pra falar dele. Continuei gostando muito da Eadlyn, ainda que a evolução da personagem não tenha ido na direção que eu queria, mas não podemos ter tudo na vida. Levando em consideração os rumos que a história obviamente tomaria, não dá pra dizer que não gostei. Tive a impressão de que parte desse livro foi mais ou menos o que A Elite devia ter sido, mas a dinâmica entre Eadlyn e seus meninos é bem mais interessantes que a de Maxon e as selecionadas. E eu continuei secretamente querendo que ela casasse com todo mundo. Ou que ficasse sozinha e pudesse governar sem rei. Obviamente nada disso ia rolar, e confesso que errei minha aposta sobre com quem ela ficaria no final (o que foi uma grande evolução se comparar com o quanto sempre foi óbvio pra mim que America ficaria com Maxon). Esse também foi o livro em que a autora lembrou que pessoas lgbt existem. No geral a série toda pecou MUITO nessa representação, que só foi aparecer mesmo quase a partir da metade de A Coroa e mesmo assim foi muito pouca e muito por cima, mas pra ser sincera eu não esperava muito mais do que isso. Não sei se é impressão minha ou algo meio "padrão", mas livros assim tendem a exalar heterossexualidade por todos os poros, então talvez seja por isso que desde o princípio eu já sabia que não podia esperar muita coisa nesse quesito. Fora isso, posso dizer que terminei A Coroa bem satisfeita com o final. Mas ainda não superei a Celeste. Provavelmente nunca vou.

FELIZES PARA SEMPRE
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Antes desse livro de contos foi lançado um chamado Contos da Seleção, que reunia os contosO príncipe e O guarda, e como a Kiera lançou outros contos depois, todos eles foram condensados num volume só, chamado de Felizes para sempre. Além dos pontos de vista de Aspen e Maxon, temos contos da rainha Amberly, da Marlee, de Lucy e cenas com a Celeste, além de um epílogo extra de A Escolha e um breve resumo do que aconteceu com algumas das selecionadas depois de A Escolha. Queria ver algo desse tipo com os meninos da Eadlyn. Mas esse é bem um livro extra mesmo, ler ou não vai depender mais do grau de curiosidade do leitor mesmo. É material extra, não exatamente necessário.


Livros que poderiam virar minisséries parte 2


Se na parte 1 escolhi livros que dariam minisséries de poucos capítulos e com uma temporada, nessa segunda parte peguei alguns que seguem a ideia de não precisar de orçamentos maiores que o PIB nacional mas que poderiam ser séries de mais de uma temporada.



A SELEÇÃO
Kiera Cass
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Eu sei que já tentaram umas 2 vezes, mas isso não muda o fato de que, se fizessem direito, daria uma série ótima. Os vestidos, as fofocas, a ♡ Celeste ♡ seria só darem tudo na mão da Kiera e deixar ela fazer o que quiser.

SÁBADO À NOITE
Babi Dewet
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Série adolescente que o fandom garante a audiência. Alô, Netflix.

SONATA EM PUNK ROCK
Babi Dewet
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Olha Babi aqui de novo. Eu sei que o nome da trilogia é Cidade da música, mas botei o Sonata por ser o primeiro livro. Mas vai dizer que você não assistiria uma série chamada Cidade da música. Eu assistiria. Alô, Netflix.

BOA NOITE
Pam Gonçalves
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Além do tema ser atual, acho que falta uma série de faculdade brasileira. E faculdade renderia pelo menos umas 4 ou 5 temporadas. Alô, Netflix.

BEAUTY QUEENS
Libba Bray
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Olha, se o público engoliu 1017878 temporadas de um monte de gente perdida numa ilha com fumaça preta e urso polar e que ainda por cima nem final direito teve, pode muito bem engolir algumas temporadas de um bando de candidatas adolescentes a miss que caíram numa ilha. Falta de sentido por falta de sentido, o livro da Libba pelo menos ia fazer todo mundo rir.

CONFISSÕES ON-LINE
Iris Figueiredo
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Esse (são 2 livros, daria pra estender até um pouquinho mais) na verdade eu queria ver não como série tradicional, mas como websérie, no estilo The Lizzie Bennet Diaries. O que faz todo sentido, já que a personagem principal é youtuber.

COMO EU REALMENTE...
Fernanda Nia
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Mais um que eu queria ver num formato que não fosse o tradicional. Pensei em algo inspirado naqueles videos curtinhos da Mônica Toy, de menos de 1 minuto. Ia dar certinho pra colocar as tirinhas nesse formato.



menções honrosas no twitter
A batalha do apocalipse (Eduardo Spohr)
Além-mundos (Scott Westerfeld)