AFTERWORLDS


›› autor: scott westerfeld
›› editora: Simon & Schuster
›› ISBN: 9781481435055
›› número de páginas: 599
›› onde comprar: cultura | amazon
›› título no brasil: além-mundos
›› editora: galera record
›› onde comprar em português: cultura | saraiva | amazon
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sinopse: Depois de ter escrito seu primeiro livro em um mês, Darcy Patel fecha com uma grande editora e se muda para Nova York para realizar seu sonho de viver de escrita - pelo menos por um tempo. Lizzie, depois de um ataque terrorista num aeroporto, acaba atravessando o véu que separa o mundo dos vivos e o mundo dos mortos. Lizzie é a protagonista do livro de Darcy, e as duas vão juntas aprender a lidar com a vida, o universo  e etc.

Vocês vão ver muito por aqui casos em que compro um livro e levo 3 encarnações pra resolver ler, ou então começo a ler, paro e só volto em ano bissexto. Afterworlds foi mais um menos uma mistura dos dois e eu nem sei porquê, já que a leitura não estava chata. Uma hora começou a me incomodar ele parado lá no Goodreads e criei vergonha na cara. Ainda bem, porque foi uma das coisas mais maravilhosas que eu já li. Não que isso seja tão surpresa assim, considerando meu amor pelo Scott Westerfeld até quando o livro dele é mediano. A questão é que Afterworlds me pegou pelo tanto que me vi representada nos questionamentos e nas dúvidas da Darcy. Não só eu, aliás. Eu vi ali tantas discussões e tweets e textos e conversas e surtos que amigas e amigos meus já tiveram e que eu presenciei.

Entre ter escrito seu livro em um mês, se mudado para Nova York pra revisar e escrever a continuação e finalmente o lançamento, Darcy passa por todos os estágios que praticamente todos os autores de livros young adult já passaram. As dúvidas sobre ter ou não feito uma boa representação de coisas e pessoas, o nervoso que dá quando a escrita empaca, descobrir como essa indústria funciona e principalmente, a síndrome do impostor. Essa coisa de não saber se merece mesmo se considerar escritor, se sequer pode ser chamado de escritor, e se aquele livro for a única coisa que ele vai escrever a vida toda?, e se nunca mais conseguir escrever algo com a mesma qualidade?, e se o livro não tem qualidade nenhuma e as pessoas só não perceberam isso ainda?, e se a recepção a ele for horrível e ninguém gostar?. Todo mundo que escreve ou já tentou escrever um livro eventualmente vai se deparar com essa ideia fixa de que de algum modo a gente tá enganando todo mundo porque nossa capacidade de escrever no final das contas ou não existe ou tá sendo seriamente superestimada.

Escrever um livro é um negócio dolorido por isso. Não é só a dificuldade em criar personagens, encaixar as cenas, cumprir os prazos e fazer o plot funcionar e ficar coerente. É o tempo todo ter que lidar com essa sensação de ser um embuste em forma de caneta e papel. E a Darcy vive tudo isso enquanto o leitor acompanha e aprende também algumas coisas sobre como funciona a publicação de um livro, além do amadurecimento da própria Darcy. O Westerfeld não podia ter botado isso no papel de maneira melhor. E ainda nos deu um exemplo bem legal de como se traz diversidade pra literatura young adult sem criar estereótipos (a Darcy é descendente de indianos e lésbica e ainda temos um ship maravilhoso pra torcer).

Uma sacada ótima do livro é exemplificar tudo isso na forma da história que Darcy escreve, cuja protagonista é Lizzie, Afterworlds (que por acaso também é o nome do livro da protagonista) intercala os capítulos entre a vida da Darcy e os capítulos do livro que ela escreve. No começo não tive tanto interesse assim pelos capítulos da Lizzie porque estava mais interessada em saber sobre a própria Darcy. Só que quando ela começa a falar mais sobre a revisão do livro e conversa com os autores que ela vai conhecendo, fica mais claro o motivo da escolha de colocar os capítulos da Lizzie: ver a evolução da história que a Darcy escreve. Muitas vezes o leitor acaba um capítulo da Lizzie e no seguinte a Darcy comenta como um determinado aspecto daquele capítulo tinha sido escrito de outro jeito, mas ela mudou na revisão (que é o que o leitor acabou de ler). Não sei se consegui me expressar direito, mas é quase como se desse pra acompanhar junto com a Darcy o processo de revisão do Afterworlds dela.

É a leitura perfeita pra qualquer pessoa que tenha algum interesse por escrita ou por saber pelo que passam seus escritores preferidos de young adult.

2 comentários :

  1. O nome das personagens tem alguma coisa relacionada com Orgulho e Preconceito, Mareska? Porque, né... Darcy e Lizzie. Eu também tenho ele lá na minha pilha de livros para ler... mas sempre que eu penso nas NHONHENTAS páginas dele, me dá preguiça. :P

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    1. Pior que eu nem tinha reparado nisso dos nomes =O NHONHENTAS <3

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