A CABEÇA DO SANTO


›› autora: socorro acioli
›› editora: companhia das letras
›› ISBN: 9788535923698
›› número de páginas: 166
›› onde comprar: cultura | saraiva | amazon
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sinopse: sob o sol torturante do sertão do Ceará, Samuel empreende uma viagem a pé para encontrar o pai que nunca conheceu. Ele vai contrariado, apenas para cumprir o último pedido que a mãe lhe fez antes de morrer. Quando chega á cidade quase fantasma de Candeia, encontra abrigo num lugar curioso: a cabeça gigantesca de uma estátua inacabada de santo Antônio, que jazia separada do resto do corpo. Coisas extraordinárias começam a acontecer depois que Samuel descobre ter o dom de ouvir as preces e os segredos do coração das mulheres das redondezas, que não param de reverberar da cabeça do santo.

Já tinham me recomendado A cabeça do santo uns anos atrás dizendo que provavelmente eu ia adorar, mas por alguma razão qualquer acabei não lendo. O interesse acabou voltando, me deu um siricutico, comprei e ele ficou um tempão na estante até que criei vergonha na cara de ler. Se eu tivesse sido menos trouxa, teria lido antes. Quem me recomendou lá no começo tinha razão: adorei praticamente tudo.

De certo modo, o livro me lembrou um pouco um outro livro da mesma autora, Inventário de segredos, na ideia de que pessoas sempre escondem segredos. E todos os personagens de A cabeça do santo, em maior ou menor escala, têm alguma coisa a esconder que acaba vindo à tona por causa da chegada de Samuel à cidade de Candeia. Ele é o catalisador de todos os eventos que acabam mudando a vida de todos os personagens.

Gostei de como a autora lidou com essa parte de fantasia. Não espere grandes explicações: as coisas acontecem assim porque sim, e essa, pra mim, foi a graça da coisa. O motivo das vozes na cabeça do santo é o que menos interessa, mas sim a reação das pessoas. Religião é um tema bem presente na história, mas de forma leve e sem tom de julgamento. Todos os personagens tem algum propósito ali, e de alguns até queria saber mais. Não criei um amor tão grande neles, mas isso não é um defeito. É que me apeguei muito mais à história e seu desenvolvimento do que aos personagens, e isso não é um acontecimento tão anormal pra mim. Já aconteceu com várias outras histórias que gostei muito.

Até cheguei a colocar A cabeça do santo no post de livros que queria que virassem minisséries, porque essa foi exatamente a sensação que tive ao longo da leitura. Foi muito fácil imaginar como tudo aquilo ficaria ótimo na tv, numa coisa que me lembrou bastante O auto da compadecida e Lisbela e o prisioneiro. Também me pareceu o tipo de livro que seria legal pra ser usado em sala de aula. 

Acho que só encrenquei um pouquinho em dois pontos. O primeiro foi com os diálogos. Eles não são ruins, mas esperava um pouco mais de regionalismo presente. Isso aparece bastante nos cenários, mas achei que faltou nas falas. O segundo é com o final. Também não é ruim, mas não esperava que parasse naquele ponto específico. Não sei se isso pode ser considerado spoiler, mas por via das dúvidas vou botar o comentário em branco, quem quiser é só selecionar a frase: gostei bastante do final ser aberto e acho que não tinha como ser de outro jeito, mas algumas das perguntas que ficam podiam ter sido respondidas sem perder o efeito de final aberto, principalmente uma que confesso ter ficado meio "... poxa D:" por não saber qual o desfecho da situação. Mas esses dois pontos não são algum tipo de demérito da obra ou algo assim, são mais gosto pessoal mesmo. A cabeça do santo também me pareceu um ótimo começo pra quem quer conhecer o que a literatura nacional contemporânea tem a oferecer.

2 comentários :

  1. Tenho vontade de ler esse livro faz algum tempo justamente pela suposta similaridade com o Auto da Compadecida. Tá na lista, já.

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    1. Moço García Márquez aprovou, se jogaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

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