TAG Meus hábitos de escrita


A Pam achou uma tag de escrita bem legal da Kristen Martin, respondeu no canal dela e me marcou com mais um monte de gente linda ♥ Inclusive a Pam é autora de Boa noite e Uma história de verão, além de ter dois contos publicados nas coletâneas Uma viagem inesperada da Turma da Mônica Jovem (é o conto da Denise!) e O amor nos tempos de #likes (o dela é uma releitura de Orgulho e preconceito!).


Eu vou responder a tag em forma de texto ♥

ONDE EU ESCREVO?
Em casa, no computador que fica na escrivaninha. Muito raramente em salas de espera, aí nesse caso é num caderninho que fica dentro da bolsa e depois passo pro word. Tentei num café uma vez, mas me distraí comendo e decidi que não era uma boa ideia. Não que eu não fique comendo em casa também, mas pelo menos aqui não dói no bolso depois.



COMO VOCÊ SE ISOLA DO RESTO DO MUNDO ENQUANTO ESTÁ ESCREVENDO?
Eu tento o máximo possível me isolar de barulho e de pessoas em volta fazendo barulho, mas do mundo mesmo não rola. Fico alternando entre o word e twitter/telegram, até porque às vezes eu dou umas surtadas e alguém precisa me aguentar. Sem contar que às vezes aparece alguma coisa ou algum assunto por aí e eu fico "esse negócio aí encaixa na cena x". Eu tento não me distrair tanto, e saber que eu posso caso eu queira ajuda nisso. É tipo essa semana que eu tive que fazer jejum pra ir ao médico e me deu uma fome louca de madrugada só porque eu sabia que não podia comer.




COMO VOCÊ REVISA O QUE ESCREVEU NO DIA ANTERIOR?
Costumo deixar pra revisar só no final, com o texto todo já pronto. Eu dou uma relida no que eu fiz no dia anterior pra lembrar em que ponto parei, mas evito ficar tentando mudar muita coisa porque senão eu não avanço nunca. O que às vezes costuma acontecer é chegar numa cena e de repente perceber que pra ela funcionar, preciso alterar algo que aconteceu antes. Nesses casos eu volto e ou faço a alteração, ou mudo a cena nova.



QUAL A SUA PRIMEIRA ESCOLHA DE MÚSICA QUANDO NÃO ESTÁ SE SENTINDO INSPIRADA?
... nenhuma. Não consigo tirar inspiração de músicas e playlists, inclusive isso nem passa pela minha cabeça antes, durante e depois do processo todo de escrita.



O QUE VOCÊ SEMPRE FAZ QUANDO ESTÁ LUTANDO CONTRA O BLOQUEIO DE ESCRITA?
Primeiro eu entro em pânico e me desespero achando que nunca vou sair daquele buraco e nada do que eu escrevo vai fazer sentido e fico com vontade de largar tudo. Então ou eu corro pro telegram e desabafo com algumas pessoas que me ajudam a colocar as coisas em perspectiva ou escrevo algo como [AQUI ACONTECE ALGUMA COISA] e pulo aquela cena que está me deixando empacada e deixo pra voltar nela depois. O que também ajuda é lembrar de histórias que eu li (ou assisti!) que tenham aquele mesmo tema ou o mesmo ritmo do que eu tô escrevendo. A única coisa que eu tenho certeza que não me ajuda é insistir no que está me deixando empacada. Aí não sai nada mesmo e eu fico ainda mais nervosa.



QUAIS FERRAMENTAS VOCÊ USA ENQUANTO ESCREVE?
Word, caderno e caneta. Telegram, se for contar como ferramenta de apoio emocional e psicológico. Não, eu não gosto de whatsapp. Comida conta? Como combustível. E celular porque nunca se sabe, né.



QUAL A ÚNICA COISA QUE VOCÊ NÃO PODE VIVER SEM DURANTE A SESSÃO DE ESCRITA?
Outline. Os meus costumam ser bem grandes. Não consigo colocar projeto nenhum do word que não esteja previamente planejado passo a passo. Cheguei a falar um pouco disso num post, porque esse passo a passo todo não significa necessariamente que nada do que está naquele planejamento pode ser modificado (inclusive muita coisa muda), mas eu não consigo botar nada pra fora sem saber onde começo e por quais pontos vou passar antes de chegar no final. Mas eu só lembrei disso vendo a resposta da Pam, porque nessa pergunta minha cabeça levou "coisa" pra um lado mais literal e pensei "computador, ué". Muito inteligente eu.



COMO VOCÊ SE ABASTECE/SE ALIMENTA DURANTE UMA SESSÃO DE ESCRITA?
Água, coca-cola, salgadinho, sorvete, bolacha. Às vezes só água mesmo.



COMO VOCÊ SABE QUANDO TERMINOU DE ESCREVER?
Escrevo mais de madrugada, então eu sei que a sessão de escrita do dia já deu quando fico exausta e com sono, ou quando olho pro word e percebo que não suporto mais olhar pra ele. Basicamente eu escrevo até ficar esgotada, e isso pode acontecer em menos de duas horas, ou eu posso passar a tarde/noite/madrugada escrevendo e fazendo pausas e só parar porque minha mãe não aguenta mais a luz do quarto acesa. Varia bastante. Pensando agora, acho que isso não é lá muito saudável.


Quem mais quiser responder a tag fica à vontade e depois deixa o link pra ficar mais fácil de poder fuçar ♥















K-POP: MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA


›› autoras: babi dewet, érica imenes, natália pak
›› editora: gutenberg
›› ISBN: 9788582354773
›› número de páginas: 158
›› onde comprar: cultura | amazon | saraiva
›› sinopse: Você realmente sabe tudo sobre K-Pop? Se a sua resposta é não, venha conosco nessa incrível viagem pelo mundo pop coreano. Escrito de uma maneira simples e divertida, este manual leva você a passear pela história da Coreia do Sul e por sua cultura, indústria de entretenimento, música e paixão. E nós te encorajamos a prestar atenção nos detalhes. O K-Pop é feito deles. Cada cor, cada conceito, cada ritmo e expressão significa um mundo de possibilidades, e garantimos que você não vai querer perder nada. O K-Pop mudou a nossa vida para melhor. Quem sabe não é exatamente disso que você precisa?

Como já tinha comentado em outro post, comecei a prestar mais atenção em k-pop de tanto ver coisas sobre aparecendo na minha timeline do twitter. Como eu queria saber o que diabos estava acontecendo (já sabia da existência de k-pop mas nunca tinha realmente parado pra escutar) então corri pro Vitor Castrillo e pedi ajuda pra saber por onde começar a ouvir, já que sempre me pareceu uma coisa muito complexa (pra quem quiser saber: conforme o que pedi pra ele, comecei com Dumb dumb do Red Velvet). Acabei gostando porque era exatamente o que eu estava procurando naquele momento: era feliz, colorido e as coreografias eram ótimas. Eu não ia entender absolutamente nada das letras a não ser que procurasse a tradução, mas isso não me importava muito.

Só que começar a acompanhar k-pop é também começar a ver termos que você não faz nem puto ideia do que significam, como comeback, mv, bias, maknae, disband e por aí vai. As divulgações são diferentes da que a gente tá acostumado, a maneira como os grupos se formam são diferentes do que costumamos ver, as exigências são outras e são insanas, até mesmo a forma como os fãs aproveitam os shows é diferente. E se você começa a ouvir e começa a gostar, não demora muito e você cai nesse buraco do k-pop e fica lá pra sempre. Não que você tenha vontade de sair, de qualquer maneira. Lá é legal e colorido e todo mundo dança.


Pra entender tudo isso você sempre pode pesquisar no Google e perturbar seus colegas de twitter (o fandom de k-pop costuma ser bem prestativo e empolgado pra ajudar). E é aí que entra o livro K-pop: manual de sobrevivência. A Babi, a Érica e a Natália criaram um lugar feito de páginas que tem praticamente tudo o que você precisa saber sobre a cultura pop coreana, tanto que é exatamente isso que está escrito naquele selinho brilhante na capa do livro. E não é exagero.

O livro não te dá só as informações, ele te dá contexto de tudo, inclusive um pouco da história da Coreia do Sul. Tem um glossário com algumas das expressões mais utilizadas e uma explicação bem detalhada de como funciona toda essa indústria por trás dos grupos de k-pop que todo mundo tanto gosta. Eu já tinha uma noção de como a coisa era complexa e cheia de especificidades, mas mesmo assim muitas coisas me deixaram com cara de EITA! enquanto eu lia. Saber o que há por trás desses grupos ajuda e muito a entender e valorizar todo o esforço deles. O fandom de k-pop não tá pra brincadeira não!


Além de todas essas explicações que vão te deixar mais inteirado no que diabos a sua timeline do twitter tanto fala, ainda tem exemplos de alguns dos que são considerados os maiores grupos dentro do k-pop, e mais alguns pra ficar de olho, também com dicas de músicas pra ouvir e conhecer esses grupos. Aliás, o livro todo traz muitos exemplos de grupos e músicas pra correr atrás. Recomendo pegar todos eles e criar uma playlist no youtube, pra poder assistir todos de uma vez e ir decidindo qual os que você mais gosta, qual estilo você prefere, e a partir daí sair pra explorar sozinho. O livro tem inclusive uma parte estilo guia de viagem sobre a Coreia do sul, e até eu que sou enjoadíssima na hora de comer fiquei com vontade de experimentar várias das comidas citadas.


Mas por que procurar um livro sobre k-pop se você pode achar tudo isso fuçando na internet?

Primeiro, porque a lombada do livro brilha e fica linda na estante.

Segundo, você tem na sua mão um livro extremamente organizado com praticamente tudo o que você precisa saber, todas as informações já filtradas e reunidas e juntinhas, só esperando pra serem lidas. Claro que nada te impede de procurar coisas a mais depois de ler, mas o livro te dá uma base ótima pra poder caçar mais informações depois. Assim, você não precisa se aventurar por aí sozinho e sem rumo.

E terceiro, as autoras sabem exatamente do que elas tão falando. A Babi Dewet trabalha respirando e transpirando k-pop desde 2012, com videos no youtube, participando de eventos, ajudando a trazer os shows aqui pro Brasil e ainda inserindo a cultura coreana em seus livros. A Natália Pak, além de filha e neta de sul-coreanos, é a comandante do SarangInGayo, que não só é o site brasileiro mais antigo sobre entretenimento e cultura sul-coreana, mas também ganhou reconhecimento do próprio governo e mídias sul-coreanas pelo esforço e comprometimento com a divulgação da cultura sul-coreana no Brasil. A Érica Imenes é editora-chefe do SarangInGayo, e já cobriu eventos e escrever matérias sobre o assunto, sem contar a parte de produção de eventos. No livro tem uma biografia de cada uma delas. Repito, elas sabem exatamente o que estão falando.

E mesmo que você seja uma pessoa que já está dentro do buraco do k-pop e já saiba como as coisas funcionam, ainda assim o livro é uma ótima pedida porque pode te ajudar a convencer outras pessoas a conhecerem mais sobre k-pop, sem contar o que já citei de ser ótimo ter em mãos um livro que já tem todas as informações reunidas e com selo de qualidade.

E a lombada brilha e fica linda na estante, eu já mencionei que a lombada brilha e fica linda na estante?

Ah, minha bias é a Joy do Red Velvet

Leituras de... eu nem sei mais de quando, acumulou desde Agosto


Vou descaradamente fingir que não fiquei meses sem atualizar isso aqui? Mais ou menos. Essas são as leituras que acumularam desde Agosto: 4 contos e 3 livros. Podia ter lido mais? Podia, mas a questão é que eu não quis. Com a cabeça ainda descompassada mais + crises de ansiedade que me fizeram começar a tomar remédio pra dormir, a vida, às vezes ela decide que apenas não. Mas o que eu li, eu gostei, e é isso que importa e é isso aí.


Teve romance, teve ficção científica, teve infantojuvenil, teve kpop e teve/está tendo releitura.




CONTANDO ESTRELAS
autora: thati machado
Leo e Davi deram início a uma linda história de amor, todavia ainda não encontraram seu final feliz. Enquanto Leo quer gritar para o mundo o que sente pelo amado, Davi não se sente pronto para assumir seus sentimentos e teme que a família o rejeite. Esperando que vivenciar uma pequena aventura faça Davi mudar de ideia e perceber o que realmente importa, Leo o leva para acampar junto com seus melhores amigos. O acampamento, contudo, trará surpresas e reviravoltas. Será o medo capaz de afastar dois corações que batem um uníssono?
Esse é um spin off de outro conto da Thati, Com outros olhos, que ainda não li, mas achei que dá pra ler tranquilo sem ter lido Com outros olhos antes. Contando estrelas é com o irmão da protagonista do outro conto, e tem romance bonitinho, dúvidas sobre assumir seus sentimentos por não saber como as outras pessoas vão reagir e um vilãozinho que se pudesse, afogava enfiando a cabeça dele na privada. O casal principal é lgbt, o romance entre eles é uma graça e agora preciso ir atrás de ler Com outros olhos também!


LUCAS & CAROL
autora: raabe gabriel
Carol tem 25 anos, é estudante de letras numa universidade pública do interior de São Paulo e planejou uma viagem fora de temporada com amigas de tudo quanto é canto do país para a Cidade Maravilhosa (...). Lucas tem 27 anos, joga vôlei num clube grande e até conseguiu vestir a camisa verde e amarela algumas vezes nas categorias de base, mas ainda não teve uma grande oportunidade. (...) Lucas & Carol é a história de duas pessoas improváveis de se conhecerem que acabaram trombando e vivendo uma história de cinema por um mês.
Pra mim, a grande graça desse conto da Raabe é que ele não é contado em ordem cronológica, então você precisa ir aos poucos juntando as peças pra entender como as coisas foram acontecendo entre os protagonistas. Me deu vontade de saber jogar vôlei ou de pelo menos entender como funciona, mas comecei a ver um anime sobre e estou confiante que logo vou virar especialista. Ah, a Raabe faz parte da equipe do Who's Thanny? !


DIA DE DOMINGO
autora: olivia pilar
Era apenas um domingo comum. Rita só queria colocar seus pensamentos e sentimentos em dia. Quem diria que aquele banco da praça testemunharia tanto amor e descobertas?
Não é a primeira aparição da Olivia por aqui e não vai ser a última. É aquele tipo de conto que você lê e fica de coração quentinho, não só por ser fofo, mas porque a Olivia tem uma sensibilidade muito grande na hora de escrever. Ela consegue colocar os sentimentos na história de um jeito tão bonito! E é ótimo ver histórias com protagonistas lgbt sendo fofas e felizes. Dos três contos que ela publicou na amazon até agora esse é disparado o meu preferido!


KAMIKAZE
autora: sybylla
Cientistas da NASA e de outros programas espaciais se preocupam ao extremo em contaminar corpos celestes pelo sistema solar com sondas e robôs que não estejam bem esterilizados. Se um rover ou sonda não for propriamente despido de qualquer forma de vida, por menor que seja, isso pode contaminar planetas ou satélites naturais e até gerar falsos positivos para vida. No futuro, foi promulgada uma lei que impedia seres humanos de contaminar outros corpos celestes. Tudo era extremamente esterilizado a fim de não macular o universo. Mas e se fosse preciso, para sobreviver, ter quebrar a lei? Você esperaria até o último minuto?
Aqui eu saio dos romances e entro na ficção científica, que é um gênero que eu quero conseguir ler um pouco mais. Já tinha lido outro conto da Sybylla, Missão Infinity, e tinha gostado bastante; isso se repetiu com Kamikaze. Inclusive esse conto me fez perceber que eu não devo sair da Terra nunca, jamais, em tempo algum, porque é certeza que eu ia destruir o universo por fazer alguma bobagem. Meu contato com ficção científica ainda é bem menor do que eu gostaria que fosse, mas pretendo corrigir essa falha no meu caráter. Aliás, a Sybylla comanda o Momentum Saga, que é o melhor lugar pra ir se você também quer começar a ler/aprender mais sobre scifi.




O DIA EM QUE A MINHA VIDA MUDOU POR CAUSA DE UM CHOCOLATE COMPRADO NAS ILHAS MALDIVAS
autora: keka reis
ilustrações: vin vogel
Parecia um dia comum. Bom, pelo menos um dia comum do sexto ano. Até que, no meio da aula de ciências, Mia recebeu um embrulho inesperado. Um chocolate Pura Magia! Aquele chocolate trazia as melhores lembranças de seu pai, e há anos ela não encontrava mais pra vender. Junto com o chocolate, um bilhete: “Quer sentar do meu lado hoje na perua?”, com a letra do Bereba! E agora? Eles não eram só amigos? Por que tudo estava ficando estranho de repente? O pessoal tinha começado a passar o dia inteiro no celular e a chamar o recreio de intervalo, os adultos só queriam ter conversas sérias, não dava mais para comprar roupa na seção infantil… Como sobreviver a tudo isso e ainda decidir como responder o bilhete?
Esse infantojuvenil da Keka Reis com ilustrações do Vin Vogel é um amor e o título é maravilhoso. Já fiz resenha dele lá na Pólen, mas repito aqui o que mais gostei nele, que foi a protagonista realmente parecer uma garota do sexto ano que convive com outros alunos do sexto ano.


K-POP: MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA
autoras: Babi Dewet, Érica Imenes, Natália Pak
Você realmente sabe tudo sobre K-Pop? Se a sua resposta é não, venha conosco nessa incrível viagem pelo mundo pop coreano. Escrito de uma maneira simples e divertida, este manual leva você a passear pela história da Coreia do Sul e por sua cultura, indústria de entretenimento, música e paixão. E nós te encorajamos a prestar atenção nos detalhes. O K-Pop é feito deles. Cada cor, cada conceito, cada ritmo e expressão significa um mundo de possibilidades, e garantimos que você não vai querer perder nada. O K-Pop mudou a nossa vida para melhor. Quem sabe não é exatamente disso que você precisa?
A lombada dele BRILHA e fica linda na estante. Eu comecei a prestar mais atenção em k-pop de tanto ver coisas sobre aparecendo na minha timeline do twitter, então corri pro Vitor Castrillo e pedi ajuda pra saber por onde começar a ouvir, já que sempre me pareceu uma coisa muito complexa (pra quem quiser saber: conforme o que pedi pra ele, comecei com Dumb dumb do Red Velvet). Aliás, não só parece complexo como é. Esse livro é perfeito pra quem quer entender melhor como a indústria funciona, tanto faz se você por enquanto não sabe nada sobre k-pop (tem dicas ótimas do que procurar pra ouvir!) ou se já caiu nesse buraco faz tempo e mesmo assim quer dar uma aprofundada no tema ou organizar as ideias. Eu já falei que a lombada dele BRILHA?


DIVIDINDO MEL
autora: iris figueiredo
Todo mundo sabe o que é se apaixonar: o frio na barriga, os abraços, os beijos e os sorrisos. Só que ninguém gosta quando o relacionamento dá errado e termina de uma hora para a outra, sem explicações. Melissa sabe muito bem disso. Afinal, ela nem chegou a duas décadas de vida e possui uma lista de ex-namorados (e alguns ex-qualquer-coisa-indefinida) maior do que gostaria. Mel prometeu para Rebeca, sua melhor amiga, que agora iria focar em seu futuro e deixar os relacionamentos para depois, pois tendiam a terminar mais rápido do que começavam. O que ela não esperava era conhecer, por acaso, um cara maravilhoso que parecia o Príncipe Encantado com quem tanto sonhou. E, menos ainda, que seu melhor amigo voltaria para a cidade trazendo consigo um monte de lembranças e acontecimentos especiais. E agora, como ficará o já cansado coração da dividida Mel?
Já li DM faz tempo, mas resolvi reler todos os livros da Iris porque ela é boa nesse nível. Por enquanto DM está indisponível, mas tenho fé que uma hora ele volta pra que mais pessoas possam acompanhar as trapalhadas que a Mel faz e que eventualmente a levam a ficar na bad se enchendo de cheetos. O livro é divertido, fofo e dá pra fazer guerra de ship, e enquanto ele não volta, vocês podem procurar Confissões on-line pra ler. Ano que vem sai coisa nova da Iris pela editora Seguinte!




5 contos nacionais com protagonistas lgbt+


Faz pouco tempo eu resolvi tentar o kindle unlimited pela segunda vez. Da primeira acabou não dando muito certo: na época do primeiro teste que fiz, só queria poder ler um livro específico da série Cretino irresistível, e dos outros livros internacionais que apareciam nenhum me interessava e eu não tinha paciência pra procurar coisas por lá.

Dessa vez, minha intenção com o unlimited era bem específica: eu queria poder ler autores nacionais que publicavam de forma independente, e levando em consideração o preço desses livros, o preço da mensalidade do kindle unlimited e a variedade dentro do que eu procurava, parecia valer a pena. Peguei um teste grátis por 30 dias pra ver no que dava e descobri o maravilhoso mundo dos CONTOS ESCRITOS POR AUTORES NACIONAIS. É a maneira perfeita de ler histórias curtas, legais e diferentes, e agora me dá vontade de esmurrar a minha própria cara por nunca ter pensado na possibilidade de explorar mais essa parte da Amazon, principalmente a parte de romances lgbt+.

Nesse momento tô terminando de ler "Contando estrelas" da Thati Machado e já peguei "Sutilmente" da Nina Spim com ilustrações da Alice Gonçalves pra ler depois, então aproveitei pra fazer esse post indicando os outros que li até agora e fazer propaganda da Olivia e do Vitor que são autores da Página 7.

Os links dão direto pra página da Amazon com os ebooks.



ENTRE ESTANTES
Olívia Pilar
"Isabel quer provar para todos que pode ser boa no curso que escolheu. Mas o que ela não imaginava ao ir buscar um livro na biblioteca da faculdade é que, antes de provar qualquer coisa, ela precisa conhecer a si mesma."
Conto super curto, super fofo e você termina chateadíssima exatamente porque ele é fofo e curto e dá vontade de ler mais mas NÃO TEM, Olivia foi cruel. Principalmente porque em poucas páginas ela consegue criar uma personagem redondinha e com a qual o leitor consegue se identificar com facilidade. Romance tendo início numa biblioteca, quem não queria algo assim? Aliás, é perfeito pra quem quer um romance curto e com uma representação maravilhosa de protagonistas negras e lgbt+. Dá pra todo mundo ler e terminar feliz.


TEMPO AO TEMPO
Olívia Pilar
"Carolina e Elisa não poderiam ser mais diferentes. Unidas por uma forte amizade, juntas formam o equilíbrio perfeito. Mas conforme os anos passam, elas percebem que o sentimento que nutrem uma pela outra pode ser mais forte do que imaginavam."
Olha a Olívia aqui de novo! Esse conto também é curto e fofo, e nesse caso, ele cobre todos os (muitos) anos de relacionamento entre as duas protagonistas, começando com a amizade entre as duas quando mais novas. Acho que esse é meu conto preferido dela e me deixou toda boba com a história. E esse também têm protagonistas negras.


EU E ELA
Maria Hollis
"Uma semana atrás, tudo mudou entre Lara e Nicole. Agora, em uma tarde de verão na piscina, tudo está prestes a mudar de novo."
Mais um conto curtinho e fofo, com protagonistas lgbt+ e uma delas é asiática - mais uma vez, representatividade importa. Esse eu senti que tem o tamanho que precisava ter pra contar essa parte da vida das duas garotas, e mesmo curtinho eu fiquei torcendo pra tudo dar certo no final.


DE TODOS OS MOTIVOS
Vitor Castrillo
"Confuso com seus sentimentos, Pedro recorre à internet e escreve em um fórum sobre a amizade e seus sentimentos por Henrique, seu melhor amigo. Em busca de ajuda e palavras de incentivo que o façam tomar a iniciativa que precisa para descobrir o que realmente existe entre os dois além da forte amizade."
Procurar ajuda na internet pra entender o que é que tá acontecendo, quem nunca. Um hino em forma de ebook com metáforas fofas, dá vontade de trancar os protagonistas num quartinho até que eles ENTENDAM O QUE É QUE TÁ ACONTECENDO. Uma coisa meio now kiss!, sabe.


A ROSA DE ISABELA
Solaine Chioro
"Isabela acaba de se mudar para uma pequena cidade no interior de São Paulo com a sua família e, enquanto suas irmãs ainda parecem se ajustar àquela nova realidade, a jovem sente-se confortável no novo ambiente. O infortúnio, porém, acaba entrando em suas vidas quando sua mãe se desespera, afirmando ter encontrado o monstro que habita a floresta, protagonista de uma antiga lenda da cidade. Decidida a tranquilizar sua mãe, Isabela vai à procura de tal fera e acaba se surpreendendo com o que encontra e com a proposta que recebe."
Releitura de "A bela e a fera" com protagonistas negras e lgbt+, precisa mais do que isso pra ser feliz?

3 livros infantojuvenis para arruinar seu emocional


Não vou entrar na questão da nomenclatura porque aqui no Brasil "infantojuvenil" às vezes era usada pra toda literatura produzida pra faixa etária dos 2 aos 18 anos, aí ficou "infanto" pra criança e "juvenil" pra mais ou menos de 9 a 18 anos, aí surgiu o termo "jovem adulto" pra livros mais adolescentes e eu gosto do termo "middle grade" mas é em inglês então por "infantojuvenil" eu quero dizer livros escritos pra faixa de 9 a 13 anos, mais ou menos.

Disse a pessoa que não ia entrar na questão da nomenclatura mas escreveu um parágrafo inteiro sobre isso. Algumas vírgulas foram comidas aí no meio.

A questão é que ainda persiste a ideia de que
1) literatura infantojuvenil precisa ser enrolada em plástico bolha e mantida longe de tudo que possa causar qualquer tipo de emoção conflitante no leitor e
2) é tudo muito bobinho

O que é uma enorme besteira. Os primeiros livros de Harry Potter são infantojuvenil, e JK Rowling  e também o Rick Riordan não costumam poupar os leitores deles de muita coisa. Mesmo se pegar os livros mais próximos do infanto que do juvenil, taí Diário de um banana e Querido diário otário com dois dos protagonistas mais cretinos e sarcásticos que eu já li (eu amo Querido diário otário).

Claro que é preciso ter cuidado em como temas mais densos são tratados e que tem muitos livros pra essa faixa etária que são ótimos e puro amor em forma de açúcar, mas qualquer pessoa que conviva por certo tempo com pré-adolescentes sabe que além de gostar de coisas fofas e despretensiosas, eles também gostam de um pouco de caos, destruição e descompensamento emocional.



Esse post é pra indicar 3 livros infantojuvenis que focam na parte do descompensamento emocional.




A HISTÓRIA DE DESPEREAUX
Kate DiCamillo, Martins Fontes
livro físico: amazon
Se tem uma autora que não tem dó de pisar no emocional dos leitores, é a Kate DiCamillo. Nesse ela conseguiu criar histórias que se entrelaçam aos poucos e nunca na sua vida um rato e um camundongo vão te deixar tão alterada emocionalmente quanto aqui. Pra sentir o clima, um trecho:



A EXTRAORDINÁRIA JORNADA DE EDWARD TULANE
Kate DiCamillo, Martins Fontes
livro físico: amazon 
Outro hino da Kate DiCamillo. O Edward Tulane do título é um coelho de porcelana muito amado pela dona, a menininha Abilene, e exatamente por isso ele é muito, MUITO arrogante. Até que ele sofre um acidente e se perde, e a partir daí a vida dele vira um mar de desgraça e coisas triste acontecendo, tudo isso contribuindo pra ele ver que a vida é um negócio complicado que vai muito além da Abilene. Pra vocês terem uma ideia, eu tô aqui mandando trechos do livro pra Iris e aconteceu isso


Eu não tenho esse em casa e não achei as quotes que eu queria em português, mas nesse link aqui você pode ir pro Goodreads e dar uma lida em algumas em inglês. Pode acabar pegando alguns spoilers, mas fazendo uma alusão tosca ao título, nesse livro o que importa mesmo é a jornada.


A COISA TERRÍVEL QUE ACONTECEU COM BARNABY BROCKET
John Boyne, ilustrações Oliver Jeffers, Companhia das letrinhas
livro físico: amazon 
Os Brocket são as pessoas mais normais do mundo, e numa família de pessoas mais normais do mundo, nascer como uma criança que literalmente flutua não é uma coisa muito legal. Um dia uma coisa terrível acontece, e é nessa jornada de Barnaby que A coisa terrível que aconteceu com Barnaby Brocket é um dos livros mais sensíveis que eu já li na minha vida. Como li emprestado, não tenho aqui as quotes que eu queria colocar, mas nessa imagem aí embaixo tem um pedacinho do que te espera na leitura. Créditos da foto: Thyeme Figueiredo, do blog Opinião da designer (só clicar pra ver o post dela com mais fotos lindas).




BÔNUS: MAIS UM MONTE DE INDICAÇÕES

Desses, alguns eu li, outros pretendo ler, outros foram indicações de pessoas maravilhosas que também sabem o quanto um livro infantojuvenil pode desgraçar mexer com o emocional de uma pessoa - não importando se ela tem 11 ou 30 anos.

POCHÊ, A TARTARUGA QUE VIVEU A VIDA
Florence Seyvos e Claude Ponti, Martins Fontes (amazon)
Qualquer pessoa com depressão vai se enxergar nesse livro. A história toda é basicamente uma metáfora pra uma pessoa que tem esse transtorno, do início até a superação. Sim, a tartaruga tem depressão. É um livro infantojuvemil que ajuda a falar sobre depressão com pré-adolescentes. Vocês têm alguma ideia da importância disso, da importância de tratar desse assunto com essa faixa etária?

A TEIA DE CHARLOTTE
E. B. White, Martins Fontes (amazon)
"AH, É A MENINA E O PORQUINHO?" É. Não confundir com Babe, o porquinho atrapalhado. "AH, É O DA ARANHA?" É. A aranha Charlotte é provavelmente um dos melhores personagens que eu já li.

O ELEFANTE DO MÁGICO
Kate DiCamillo, Martins Fontes (amazon)
"Mas essa autora já não apareceu aqui?" pois é, então vai com fé.

O TIGRE
Kate DiCamillo, Martins Fontes (amazon)
"Nossa, essa mulher de novo?" sim pra vocÊS ENTENDEREM O QUANTO ELA É BOA EM ARRUINAR SEU EMOCIONAL.

EM ALGUM LUGAR NAS ESTRELAS
Clare Vanderpool, Darkside (amazon)

ECOS
Pam Muñoz Ryan, Darkside (amazon)

PAX
Sarah Pennypacker, ilustração Jon Klassen, Intrínseca (amazon físico e amazon ebook)

CRENSHAW
Katherine Applegate, Plataforma21 (amazon físico e amazon ebook)

SUZY E AS ÁGUAS VIVAS
Ali Benjamin, Verus (amazon físico e amazon ebook)

PASSARINHA
Kathryn Erskine, Valentina (amazon físico e amazon ebook)
Um dos melhores livros com personagem asperger que eu já li na vida.

CLAROS SINAIS DE LOUCURA
Karen Harrington, Intrínseca (ebook)

THE GIRL WHO DRANK THE MOON
Kelly Barnhill, Algonquin Young Readers  (ebook em inglês, vai sair aqui pela Galera Record)

AMANHÃ VOCÊ VAI ENTENDER
Rebecca Stead, Intrínseca (ebook)

O que Gildo nos ensina sobre o trope "mulheres na geladeira"


Tem um livro infantil que eu gosto muito, Gildo, da Silvana Rando.

Esse é o Gildo.


O Gildo é um elefantinho muito simpático e corajoso, mas que tem pavor de bexiga. Ele vai numa festinha de aniversário de um colega e a mãe desse colega coloca amarrado no braço do Gildo justamente uma bexiga. MOMENTOS DE TENSÃO. Ele não consegue tirar, então acaba passando o dia inteiro tendo que lidar com aquela bexiga ali, até que acaba percebendo que não tem mais medo dela e todo mundo fica feliz.

Moral desse post: se dá pra escrever uma história de aprendizado e superação em 25 páginas usando um elefantinho e uma bexiga, dá pra escrever um livro jovem adulto sobre aprendizado e superação sem precisar estuprar/matar/abusar/torturar sua personagem feminina para que o protagonista masculino aprenda alguma coisa ou acumule experiências de vida.

Fim.

Mentira, aqui nesse link tem explicando exatamente o que é o trope "Mulheres na geladeira" e por que ele é nocivo. A Iris Figueiredo, aquela autora linda da duologia  Confissões On-line e que vai lançar livro novo ano que vem pela editora Seguinte #propaganda também já fez um video sobre o assunto.

Infelizmente é mais comum do que se pensa encontrar misoginia disfarçada de sensibilidade em livros young adult, new adult e muitos outros, e a gente precisa parar de bater palma pra isso.


Escrivências: quem manda aqui sou eu (mas às vezes não)


Já tem um tempo que eu queria escrever alguma coisa sobre processos de escrita e afins mas ficava em dúvida se eu tinha competência pra falar sobre isso então resolvi escrever mesmo assim porque afinal é disso que a internet é feita.

Disso e da falta de vírgulas.

Muito tempo atrás, quando teve um encontro de livreiros com a Kiera Cass em uma das vezes que ela veio pro Brasil, alguém perguntou alguma coisa sobre como as histórias surgiam pra ela. E a Kiera respondeu algo sobre como os personagens sussurravam as próprias histórias pra ela, e como era seu papel ir contando o que eles iam falando. Depois desse dia, li muitos outros autores comentando coisas mais ou menos parecidas sobre como era na hora de colocar a história pra andar: os personagens mandavam no rumo da trama, e "eu não queria que tal evento acontecesse, mas era o que tinha que acontecer". E eu achava isso uma coisa muito mágica.

Até que sentei pra escrever algo meu e percebi que quando colocava minha história no papel, meu processo não era nada parecido com o deles.


Eu tinha a ideia, os personagens e um esquema do que eu queria que acontecesse, e por mais que seguisse a coerência da personalidade que tinha dado a eles, e prestasse atenção na continuidade da história, não tinha um momento em que eu pensava "eu não quero fazer X, mas isso foge das minhas mãos e é o que tem que ser feito". Se a trama começava a tomar um rumo que não tinha sido planejado, se eu decidisse que aquele caminho novo servia melhor, continuava nele; senão, voltava alguns ou muitos parágrafos e mudava o que fosse necessário pra que tudo se encaixasse novamente onde eu queria. Se a personalidade do personagem não condizia com o que eu queria que ele fizesse, ou eu desistia daquela ação porque não ficaria boa, ou eu criava alguma situação em que fosse justificável ele agir daquela maneira. Se meu casal não tinha química, eu podia desistir de fazê-los um casal, ou revisar tudo de forma a fazer essa química aparecer.

Não importa como olhasse, a história era minha, os personagens eram meus, e quem mandava ali era eu. Minha trama não era uma democracia. Se alguma coisa precisava ser cortada ou acrescentada ou modificada pra que eu tivesse o efeito que queria, então era isso que eu ia fazer, e mesmo se percebesse que o melhor era ir escrevendo como estava e ver como ficaria no final, ainda era uma decisão consciente minha. Se eu não sinto que tenho o controle do que tô escrevendo, ou não sai nada ou eu não consigo ficar feliz com o resultado.

Então comecei a achar que tinha alguma coisa errada comigo: que minha história era ruim, que meus personagens eram rasos, que eu era um embuste de escritora controladora. E quando tentava escrever alguma coisa seguindo o que alguns dos outros escritores diziam, não saía nada que prestava, então obviamente eu era o problema.


Mas não era. Eu só tinha um processo de escrita diferente deles e parecido com o de outros. E só consegui perceber isso de vez quando assisti a mesa da Socorro Acioli na Flipop, quando ela comentou que fazia esquemas dos capítulos como guia na hora de escrever. Eu tive quase uma iluminação divina quando ela disse isso, porque é exatamente assim que eu escrevo. Preciso ter um esquema com um mini resumo do que eu quero em cada capítulo, pra a partir daí construir algo em cima. E não tem nada de errado nisso.

Alguns escritores preferem fazer esquemas, outros preferem ir escrevendo direto e lidar com as coisas conforme forem acontecendo. Alguns preferem deixar a história e os personagens correrem soltos mesmo que isso signifique escrever cenas que eles não gostariam que acontecessem mas que se encaixam na trama e a vida é assim mesmo, outros preferem manter um controle maior de tudo na hora de passar pro papel ou pro word. E tem ainda outros que misturam tudo isso ao mesmo tempo ou fazem cada projeto de uma maneira.

E tá todo mundo certo, porque no final das contas, o melhor processo de escrita é aquele que funciona pra você. A única coisa que não vale a pena é ficar comparando o seu com o dos outros e achar que tem alguma coisa errada com você por causa disso, porque não tem. Se achou o que você prefere, tá perfeito. Se ainda não achou, vai testando que uma hora vai. E mesmo se achou e quer experimentar outros porque vai que também dá certo, se joga. Se fazer fichas de personagens não funciona pra você, então não faça. Se funciona, vai lá e faz.

O importante é você ficar feliz com o que sair disso tudo.

(Tentei cortar o máximo possível da palavra "eu" nesse post mas não rolou, dsclp)


O cabo amarelo no lugar errado


Vai vendo.

Por esses dias eu resolvi dar uma arrumada nos cabos do computador e do roteador/modem/eu-não-sei-o-nome-daquilo. Tirei todos eles do lugar, dei uma limpada, arrumei os que estavam embolados, coloquei todos de volta nos devidos lugares.

É claro que nesse processo eu ferrei a internet.

E eu sabia que o problema era alguma coisa no roteador/modem/eu-não-sei-o-nome-daquilo, só que nada fazia sentido. Eu tinha colocado tudo de volta. O cabinho que ia na tomada estava no lugar do cabinho que ia na tomada. O cabo azul estava onde deveria estar o cabo azul. O cabo amarelo estava na portinha amarela.

Antes de ceder aos meus instintos e arrebentar tudo com um martelo, minha mãe mandou uma mensagem para um primo nosso, pedindo socorro. Ele ficou de vir no dia seguinte cedo para dar uma olhada no que é que eu tinha feito.

Uma olhada nas configurações, não tinha nada de errado, então quando falei que tinha tirado e recolocado os cabos do roteador/modem/eu-não-sei-o-nome-daquilo, ele foi dar uma olhada.

- É o cabo amarelo que tá no lugar errado.

UÉ.

- Mas eu coloquei o cabo amarelo na portinha amarela.

- Sim, você fez o mais lógico, mas o cabo amarelo vai nessa outra portinha ali.

- Ah.

E a internet voltou a funcionar.

E é isso, gente. Na vida eu sou esse cabo amarelo que tá errado até quando tá no lugar certo.


Das pequenas desgraças da vida (porque se for falar das grandes esse post não sai ainda hoje)


Ultimamente só tem desgraça acontecendo na minha vida. Aquele tipo de coisa que parece que a vida tá te jogando um monte de pedrada, aí você fala "ok, já entendi" mas ela vai lá e taca mais algumas que é pra ter certeza que você entendeu. Então resolvi entrar de vez no clima e fazer uma pequena lista daquelas desgraças cotidianas. As do dia a dia. As que te enlouquecem aos poucos. As que te fazem ficar com olhar de câmera do The Office.


Afinal, a gente paga internet é pra sofrer tudo junto, então segura minha mão e vamo.

Picada de pernilongo na sola do pé

Arrumar uma pilha enorme de alguma coisa e descobrir logo depois que precisa exatamente do que ficou embaixo de tudo

Colocar o despertador pra tocar 3 da tarde e perceber (já atrasado) que botou sem querer pra tocar 3 da manhã.

Deixar o celular pra carregar e esquecer de plugar na tomada

Entrar uma farpinha fina no dedo, tentar tirar com a pinça e sem querer empurrar a maldita ainda mais dentro da pele




Não lembrar de pegar a toalha antes de entrar no banho

Ficar horas na fila do banco e descobrir que esqueceu o boleto em casa

Anotar alguma coisa em um papel que não podia

Anotar algo importante e perder o papel

Ir ao mercado comprar alguma coisa específica, comprar um monte de coisa e esquecer justamente aquela que precisava




Esquecer se já tomou um remédio ou não

Comer alguma coisa e sentir o gosto de metal da colher

Tirar tudo do lugar pra arrumar e depois perceber que tem que arrumar mesmo

Engasgar com o enxaguante bucal tipo LISTERINE

Pingar neosoro e sem querer ele escorrer pra garganta



Tudo que você quer ver nunca tem na Netflix

Ter que atender o telefone

Puxar uma pelinha da cutícula com os dentes e sem querer arrancar quase a pele inteira do dedo

Delivery fechado

MEIA MOLHADA



Vocês podem colocar mais sugestões nos comentários, porque uma das pequenas desgraças da vida é fazer um post de pequenas desgraças da vida, mas esquecer quase todas na hora que precisa.

A vida, ela é uma vaca.


Fui atacada duas vezes pela mesma barata e estou profundamente ofendida


Considerando que meu horário de sono virou desses em que vou dormir 8 da manhã, acordo cerca de meio-dia, fico com vontade de morrer e volto a dormir até 5 da tarde, acordando mais ou menos nesse horário e depois ficando emputecida por ter perdido a tarde toda sendo que eu podia consertar tudo isso tomando o remédio que meu psiquiatra tinha recomendado para regular meu sono mas consertar problemas de maneira prática, QUEM FAZ ISSO, MINHA GENTE? Então madrugada é o horário em que fico com mais fome. E, por causa disso, entro e saio da cozinha milhões de vezes.

Então eu tô lá, de boa no meu canto, curtindo a insoniedade na porta da cozinha, prestes a entrar, quando cai alguma coisa na minha cabeça.

A primeira coisa que passou pela minha cabeça (pun not intended) foi que era uma lagartixa. E como não costumo ter medo de lagartixa, bati a mão na bichinha e joguei pra longe. E a bichinha voou na parede.

Lagartixas não voam. Pelo menos acho que não, posso estar errada, as coisas evoluem com muita rapidez hoje em dia e com esses escândalos de leite com soda cáustica e carne com ácido e papelão, e aqui em casa a gente toma fanta uva, então vai saber que tipo de mutação elas podem apresentar.

A questão é que o que voou na parede não era uma lagartixa. Era uma barata.

O que significava que o que tinha caído na minha cabeça não era uma lagartixa.

Era uma barata.



E eu morri um pouquinho por dentro quando lembrei que não tinha mais inseticida, então entrei na cozinha correndo, fechei a porta e fiquei um tempo lá, esperando para ver se a desgraçada sumia.

Não sumiu. Quando abri a porta para sair, ela estava no mesmo lugar. Então saí correndo e as coisas ficaram por isso mesmo.

Só que um tempo depois me deu fome de novo. E eu, com aquela ingenuidade das pessoas que às vezes têm alguns ataques de burrice e acham que as coisas não podem piorar, deduzi que talvez a barata não estivesse mais lá.

Fui até perto da porta e olhei, meio de longe. Nada de barata. Ótimo. Me aproximei da porta. A barata surgiu do nada e voou no meio da minha cara.

A
BARATA
VOOU
NO
MEIO
DA
MINHA
CARA.


Desviei por milímetros da morte certa, desisti de entrar na cozinha e voltei correndo pro quarto, mas minha alma ficou na porta da cozinha mesmo.

Primeiro eu fiquei assustada.

Então eu fiquei puta.

Depois decidi que estava ofendida.

Ok ela ter pulado na minha cabeça da primeira vez, provavelmente estava no teto e foi cagada do destino ela ter caído. Acontece. Paciência. Mas ela VOOU NA MINHA CARA depois.

Eu não fiz NADA pra merecer isso. Não ataquei com inseticida, não bati com a vassoura, NADA. Eu só queria um pacote de bolacha e fui vítima dessa violência desmedida.

A gente não pode se sentir segura nem dentro da própria casa. Absurdo.




Leituras de Fevereiro/2017


Acabou que em Fevereiro li mais do que tinha pensado. Esse começo de ano anda bem produtivo pra leituras, pena que o resto da minha vida não segue a mesma direção HAHAHA HA ha.


ENFIM.

Por aqui teve a continuação do post sobre livros que poderiam virar minisséries e eu continuo fazendo pensamento positivo pra que A cabeça do santo um dia se torne uma. Falando em A cabeça do santo, teve a resenha dele e a Socorro Acioli foi indicada com esse livro ao LA Times Book Prizes! Também teve no blog um post-resumão de comentários sobre a série A Seleção da Kiera Cass. Tem spoilers, mas o post ficou bonitinho então 'bora dar uma olhada. O último post do mês foi um leve desabafo no estilo cuidado com a burra.

Também tô aos poucos dando uma ajeitadinha no instagram do blog pra deixar mais bonitinho e acabei criando um pessoal pra não misturar as bagaça. Então no @mareskawho tem fotos de livros e coisas do blog (AH VÁ!) e no @maremaremrsk um monte de coisa aleatória (provavelmente muita foto de gato e pato).

Das leituras feitas. Nada tá na ordem porque esqueci de colocar.


1 - AFTERWORLDS
Scott Westerfeld
Esse foi a última resenha daqui, reitero que todo mundo devia ler, Westerfeld é lindo, Westerfeld é amor.

2 - FELIZES PARA SEMPRE
Kiera Cass
Do livro de contos da série A Seleção sem dúvida o melhor de todos é da Celeste maravilhosa (não te perdoei nem nunca vou, Kiera). Tem mais sobre ele no post de comentários da série toda.

3 - A COROA
Kiera Cass
A Eadlyn é uma protagonista bem mais legal que a America. Também tem mais sobre ele no post de comentários da série toda, igual ao Felizes para sempre aí de cima.

4 - CHEFE IRRESISTÍVEL
Kiera Cass
No final das contas o casal que eu menos gosto da série tem o livro extra que provavelmente é o mais legal. No post de comentários da série tem mais sobre ele.

5 - TRINTA E POUCOS
Antonio Prata
As crônicas me divertiram (principalmente as que ele menciona os filhos), mas não consegui não comparar com o Nu, de botas. E nessa comparação, Trinta e poucos saiu perdendo. Tá longe de ser ruim, mas achei que ia me divertir nível Nu, de botas, e isso acabou não acontecendo. Acho que o problema tava no que eu esperava, e não no livro em si.

6 - SALT
Nayyirah Waheed
Não errei a capa não, é essa mesmo. Salt é um livro de poesia que fala sobre identidade, amor, vida, sensação de pertencimento, tudo isso relativo à cultura negra. Achei bem pouco sobre a autora no google, mas encontrei o suficiente pra achar o livro maravilhoso e ela maravilhosa e eu não sei comentar poesia, então vou colar aqui um comentário que achei no goodreads: "the collection is a beautiful expression of black culture, the darkness, the light, and all of the colors in between black and white. It is edgy, profound, and unapologetic in its brutal honesty." (link do comentário aqui). Li em ebook e por enquanto não tem em português, mas bem que podia.

7 - NINGUÉM ESCREVE AO CORONEL
Gabriel García Márquez
Esse na verdade foi uma releitura, porque já tinha lido na época da faculdade, mais ou menos 3 encarnações atrás. Até hoje só li dois livros do Gabo, esse e Memórias de minhas putas tristes, e esse do coronel eternamente esperando algo no correio e tentando sobreviver num ambiente hostil e modorrento que poderia bem se chamar Onde Judas Perdeu as Botas é meu preferido. Não é um livro pra quem gosta de ação porque praticamente nada "acontece" de fato e a história dá um misto de nervoso/angústia, mas talvez seja exatamente por isso que gosto tanto dele. Futuramente pretendo consertar essa falha no meu caráter de ter lido tão pouca coisa do Gabo.

8 - ALÉM DOS TRILHOS
Mika Takahashi
Apoiei essa HQ sem texto no Catarse por causa de um post no facebook da Carol Christo e porque tinha achado os desenhos da autora lindíssimos. Aí a HQ chegou, eu li e... assim... O TANTO QUE EU FIQUEI EMOCIONADA. O TANTO QUE EU CHOREI. O TANTO QUE A HISTÓRIA É BONITA E SENSÍVEL. O TANTO QUE EU ME APEGUEI A ESSE COELHO FALTANDO UMA PECINHA E TENTANDO PREENCHER A PECINHA FALTANDO. Essa HQ me deu sentimentos comparáveis aos que sinto toda vez que releio The missing piece meets the big O do Shel Silverstein, que aqui no Brasil saiu pela Cosac. E quem me conhece bem sabe o tanto de feelings que eu tenho por esse livro do Silverstein. Já declaro desde já que Além dos trilhos é uma das coisas mais bonitas e emocionais que eu li esse ano.




O Fevereiro de vocês rendeu? Meu Março só sei que vai ser bem cheio: comecei Menina Má, do William March numa edição lindíssima pela Darkside, pretendo ler My sister rosa da Justine Larbalestier dona do meu coração e espero ter tempo pra We have always lived in the castle da Shirley Jackson - os 3 livros giram em torno de crianças psicopatas e/ou assassinas. Outro plano pra esse mês é começar Deuses Americanos do Neil Gaiman, mas não sei se vai ser terminado ainda em Março. Também tenho deadline pra cumprir, o que é ótimo porque me obriga a escrever na marra e eu escrevo melhor sob pressão (a Pólen que o diga, já que entrego os textos sempre tudo em cima da hora DESCULPA PÓLEN NÃO DESISTE DE MIIIIIIIIIIIIIIM!). Vocês já têm planos leiturísticos ou algo mais pra Março?

BOA SORTE GENTE, HORÓSCOPO DA SUSAN MILLER JÁ TÁ NO SITE DELA E ESSA SENHORA NÃO SE DECIDIU SE MEU MÊS VAI SER PRODUTIVO OU SE EU VOU MORRER, COMO QUE PROCEDE UM NEGÓCIO DESSES?