O ÚLTIMO MESTRE POKÉMON



›› autora: carol christo
›› editora: nemo
›› ISBN: 9788582863268
›› número de páginas: 142
›› no skoob: o último mestre pokémon
›› onde comprar: cultura | saraiva | amazon
compras feitas pelos links indicados geram uma pequena comissão ao blog
sinopse: Lucas sempre sonhou em se tornar um mestre Pokémon, e tudo ia muito bem enquanto isso permanecia apenas em sua imaginação. Com a ajuda de Cora, a garota mais corajosa que conhece, e de Samuel, seu melhor amigo genial, ele formula um plano para fugirem da escola e irem até o Parque da Cidade em busca de um Pokémon raro. Mas coisas inexplicáveis começam a acontecer por lá, e os três passam a correr grande perigo. Ao que parece, esses estranhos acontecimentos têm alguma relação com o jogo de realidade aumentada que acaba de virar uma febre mundial. E Lucas, como o melhor jogador da cidade, precisa garantir que o mundo real não seja destruído por monstros digitais.

Eu sou desse tipo de gente que quando descobre que alguém que eu gosto vai lançar um livro, já tô gritando quero e perguntando da pré-venda, da senha, se tem botton, marcador e cadê meu autógrafo. Então quando deu na página da Nemo que a Carol Christo tinha escrito um juvenil, foi tudo isso que eu fiz. E ainda era um juvenil usando Pokémon Go como base da história.

Nesse momento sei que dá pra um monte de gente rolar os olhos, fazer cara feia e etc, mas cabe um adendo: aqui no Brasil, ainda que o termo "jovem adulto" finalmente esteja sendo mais usado pelas pessoas E pelas livrarias, ainda se usa "infantojuvenil" pra agrupar tudo que é escrito pro público entre 10 e 18 anos, margem de erro de idade pra mais ou pra menos. Só que todo mundo sabe que não é bem assim que funciona na prática, né. Um livro escrito pensando num público mais novo não vai necessariamente agradar um público mais velho e vice-versa. E não tem problema nenhum nisso - a não ser que você faça parte do público mais velho e resolva ficar torcendo o nariz pro que é escrito e produzido pros mais novos só porque você não gosta de determinado tema ou tipo de escrita. Aí acabamos com pessoas de, sei lá, mais de 18 anos, reclamando da escrita de um livro que claramente não foi escrito pensando nelas.

Então não adianta pegar um livro como O último mestre pokémon e julgar a história com um olhar adulto, esquecendo que ele é muito mais middle grade do que jovem adulto. Assim o livro não vai rolar mesmo.

Eu gosto muito de middle grade, e achei que O último mestre pokémon tem tudo que se espera de um livro assim: personagens legais, história cheia de ação, vilão misterioso e cretino. E pelo que pude ver na Bienal, pela quantidade de meninos e meninas que procuravam a Carol pra pegar autógrafo e o feedback que ela recebia (porque sou desse nível de tiete), o público do livro ficou bem feliz com ele.


O trio protagonista é uma graça e fácil de se identificar com. Dou mais destaque a Lucas, não só porque é o narrador da história, mas porque é meio medroso. Sempre gosto de protagonistas que são corajosos mas só depois de primeiro tentarem pensar com as pernas. Acho realista. E também me identifico, porque sinceramente, se eu tiver que escolher entre enfrentar algo ou correr, sempre vou escolher sair correndo, desculpa, salva o mundo aí que eu vou ficar mandando good vibes daqui de casa mesmo. E Lucas sempre tem os amigos pra receber as devidas broncas e empurrões necessários pra, no final das contas, Fazer a Coisa Certa. Outra coisa legal no trio de amigos: eles funcionam muito bem juntos.

Também gostei bastante da história. Qualquer pessoa que goste de pokémon alguma vez já pensou em como seria se eles existissem de verdade. Minha geração inteira cresceu lamentando não poder colocar "mestre pokémon" na parte de profissão de formulários. Pokémon Go deu um jeitinho bem legal nisso. Não é à toa que o aplicativo foi baixado por tanta gente, independente de idade. O último mestre pokémon brinca um pouco com essa ideia: e se a tecnologia do aplicativo, de alguma maneira, der ruim e trouxer pokémons pra fora do virtual? Não dá pra achar que uma coisa dessas poderia acontecer sem dar alguma coisa muito errada no processo.

É a história perfeita pra ser protagonizada por um trio de crianças de 10 anos.

Outra sacada legal foi o mistério em volta do vilão. Ele não aparece logo de cara, mas as consequências das suas ações estão presentes desde o começo da história. E também gostei de como as coisas ficaram no final.

Achei um livro ótimo pra quem gosta de middle grade e pra ser dado de presente pra essa faixa etária. E se precisam de mais algum incentivo pra isso, olha quem aparece na história:




Bienal 2016: só amor e muito cansaço


A primeira bienal que fui foi a de 2012: fiquei pouco tempo lá e não deu pra aproveitar muita coisa, mas foi legal ver o tamanho do evento. A segunda foi a de 2014, em que trabalhei no estande da Companhia das Letras, e a experiência foi incrível. Ajudei no último dia da montagem do estande e carreguei trocentos livros, conheci e encontrei pessoalmente um monte de gente legal, peguei autógrafos, tive um dor de garganta fodida e fui embora no último dia querendo que aquilo não acabasse nunca.

Agora em 2016 tive a oportunidade de trabalhar de novo no estande da Companhia, e tudo pode ser resumido em muito amor e muito cansaço ♥

Esse ano participei dos dois dias de montagem do estande, com direito a ter que usar capacete de proteção e tudo. O que me deixou meio complexada, porque o capacete ficou grande na minha cabeça e tive que fazer uma gambiarra com um elástico pra ele parar, mas mesmo assim me deu neura de abaixar a cabeça e passei dois dias com uma dor tremenda no pescoço.

Trabalhar na montagem dá uma sensação meio emocional pra quem adora esse tipo de evento porque é praticamente ver a bienal nascendo: o chão nem tem carpete ainda, os estandes ainda sendo montados, as estantes vazias e as caixas de livros chegando e sendo abertas, o caos e a poeira aos poucos tomando a forma do evento. Também cansa pra caramba: a gente carrega tudo, empilha tudo, troca a pilha de lugar, a pilha cai, os livros caem, a gente quase cai, nosso braço ameaça cair também. Mas vale a pena.


Do primeiro dia até o último, trabalhei na parte da manhã. Isso significa que eu via todos os dias o tamanho da fila esperando pra entrar. No geral, achei que a bienal de 2014 foi mais lotada. Naquele ano, todos os dias era quase impossível andar pelos corredores. Nesse, só lotou a ponto de não dar pra se mexer direito nos finais de semana. Isso não significa que ela estava vazia: a muvuca era grande sempre, só não tão intensa quanto foi em 2014. Não sei exatamente os motivos, mas provavelmente os preços são um deles: o ingresso esse ano foi mais caro, estacionamento foi mais caro e a comida era ridiculamente cara. O preço das lanchonetes, comparados com 2014, estavam muito maiores. Quando você pensa que esse aumento é de propósito, a vontade é de nunca mais frequentar nenhuma das redes que fizeram parte do evento. Esses preços maiores na alimentação foram bem babacas.

Uma coisa que reparei mais esse ano foi as excursões de colégio. Não sei como funciona quando uma escola (pública ou particular) decide levar os alunos pra bienal, mas a maioria esmagadora desses alunos entrava nos estandes achando que tudo era livraria e todos tinham livros de todo mundo. Também não sabiam os horários dos autógrafos, das palestras, nem como elas funcionavam. Fiquei com a impressão de que os colégios não explicam aos alunos antes da visita o que é a bienal, como ela funciona e o que eles vão encontrar por lá. Por isso fiquei curiosa sobre como funciona esse processo todo, entre decidir levar os alunos e a visita propriamente dita. Se alguém souber e puder me contar, eu agradeço.

Outra coisa, ainda na questão dos colégios, é que muitos ficavam por lá no máximo umas 2 ou 3 horas. Só que em 2 ou 3 horas de bienal, você não faz muita coisa. Só em filas (de banheiro, de comida, de passar no caixa, de entrar num estande cheio, de um autógrafo) você já gasta uma boa parte desse tempo. Não sei se de repente não seria mais interessante planejar a ida com alguma palestra específica em mente, por exemplo, pra garantir que os alunos possam ter contato com alguma outra coisa que não seja só procurar os livros com desconto, ou procurar alguém que possa ir acompanhando os alunos e explicando algumas coisas sobre os estandes, as palestras e os autores. Mas novamente, não sei como isso funciona, então de repente não é algo possível na prática por causa de logística ou até de tempo mesmo, já que muitas escolas vêm de bem longe de São Paulo.

Cada pessoa que vai pra bienal tem alguma prioridade na hora de gastar, e a minha foi procurar autores nacionais que eu poderia pegar autógrafo. Deu pra conhecer autores novos pra procurar depois (já que apesar da ideia de deixar meu rim por lá como pagamento era atraente, porém não acho que os estandes aceitariam), deu pra tietar os migos, deu pra passar muita vergonha porque não sei muito bem como não parecer meio perturbada na hora de ficar perto de pessoas potencialmente legais. Sou dessas que não sabe conhecer gente nova legal sem parecer que vai morrer de nervoso no processo. Desculpa, gente. Meu jeitinho. Mas considero essa uma das coisas mais legais da bienal: a oportunidade de conhecer os autores de perto, nem que o contato seja rápido ou só um oi. Queria ter aproveitado melhor algumas das palestras, mas meus horários acabaram não batendo.

Voltei pra casa de coração quentinho pela quantidade de gente legal que pude rever e conhecer. Também voltei cheia de roxos nas pernas, arranhões nos braços, dores nos pés, nas pernas, nos braços e no pescoço e até agora meu calcanhar ainda dói um pouco quando encosta no chão e minhas mãos ainda não se recuperaram de ter lidado com o peso da minha mala (mesmo eu tendo sido salva pelo Felipe Castilho no último dia, que carregou minhas tranqueiras pra mim até o uber).

Tive alguns momentos de raiva, ódio e rancor, mas fazendo um balanço geral, foi lindo, foi cansativo, foi amor.

E até 2018.