5 gatos e cachorros pra seguir no instagram porque convenhamos, muito melhor que seguir gente


Já que 2016 resolveu que vai ser um enorme mês de Agosto, resolvi espalhar um pouquinho de amor no mundo e recomendar 5 perfis de gatos e cachorros pra seguir no instagram. Eles nunca vão falar besteira, nunca vão te decepcionar e tudo que você precisa fazer é não esquecer o sachê e jogar a bolinha ❤ Se quiserem, tem também o perfil aqui do blog, que vira e mexe aparece meus gatos por lá.

Polenta nasceu pra ser modelo
Uma foto publicada por polenta (@itspolenta) em


A Smoothie é mais bonita do que 
90% das pessoas que eu conheço
Uma foto publicada por @smoothiethecat em


Alice e Finnegan às vezes se unem 
pra fazer bullying com o Oliver


O gato Miu e o gato Mu são lindos 
(e tem o melhor twitter)
Uma foto publicada por gato miu (@gatomiu) em


O Norbert dá hi-five, gente

O MENINO QUE DESENHAVA MONSTROS


›› autor: keith donohue
›› editora: darkside
›› isbn: 9788594540010
›› número de páginas: 252
›› título original: the boy who drew monsters
›› onde comprar: cultura | amazon | saraiva | submarino
 ›› sinopse: Três anos atrás, Jack Peter, um garoto com síndrome de Asperger, e seu amigo, Nick Weller, quase morreram afogados no mar. Desde então, Jack sofre de agorafobia, o que torna a vida de seus pais cada vez mais complicada, e eles cada vez mais preocupados com o filho. Jack agora tem uma nova obsessão: desenhar monstros, o tempo todo.  Logo Jack começa a reclamar da existência de monstros embaixo de sua cama, na mesma época em que seu pai começa a ser atormentado pela visão de um vulto branco misterioso e sua mãe começa a ser assombrada por sons e sonhos estranhos envolvendo o mar e um navio naufragado há centenas de anos. Alguma coisa quer entrar na casa, e talvez essa coisa queira Jack Peter... ou sua família inteira.

Quando peguei O menino que desenhava monstros pra ler, já tinha algumas hipóteses sobre o que poderia acontecer. Poderia ser um livro 100% sobrenatural/terror psicológico, poderia ser um livro sobrenatural como uma metáfora pra alguma coisa (meio no estilo do filme Babadook) ou poderia começar como sendo sobrenatural, mas ter uma explicação "pé no chão" pra tudo. Dependendo do que a pessoa que vai ler espera, talvez se decepcione com o que vai encontrar. Não foi meu caso, mas de qualquer maneira, deixo aqui escrito em branco (caso alguém considere spoiler ou só não queria saber mesmo) qual das possibilidades você encontra aqui: o livro é 100% sobrenatural/terror psicológico. Quis deixar avisado porque sei que algumas pessoas às vezes acabam se decepcionando bastante quando pegam um livro achando que é uma coisa e descobrem que é outra.

Outro conselho: não leiam a última página. Quer dizer, no final do livro tem algumas páginas em branco reservadas pra que o leitor desenhe seus próprios monstros, mas a última página da história é meio a que realmente explica a parada toda. Então se você ler, vai tomar um spoiler enorme no meio da cara. Eu não costumo ligar pra spoilers, inclusive tenho o costume de procurar o final dos livros antes de começar a ler, mas esse livro é um daqueles casos em que saber o final pode potencialmente estragar a leitura ou tirar um pouco da graça. Então já fica aqui o aviso.

ALIÁS, eu não li a última página, como sempre faço. Nem sequer li resenhas, então não tinha muita noção do que ia encontrar fora o que tinha lido na sinopse. Eu não sabia nenhum spoiler.

Eu quis morrer durante a leitura. Minha ansiedade não comporta essas coisas, gente.


Não achei que o livro assusta, inclusive acho que só tive medo mesmo em uma ou duas cenas, mas ele dá muito nervoso e agonia porque você sabe que tem alguma coisa acontecendo, você sabe que Jack Peter sabe o que está acontecendo, mas você não consegue saber o que diabos está acontecendo. Sim, Jack Peter desenha monstros que podem ou não estar saindo do papel pro mundo real, mas o autor apresenta outras possibilidades que podem explicar as coisas. Tudo pode ou não estar conectado, todos os personagens podem estar certos ou todos eles podem estar errados. É meio desesperador.

O livro traz poucos personagens, todos eles bem desenvolvidos dentro do seu propósito no livro. Também traz poucos cenários: a maior parte da história acontece dentro da casa/no terreno da família de Jack Peter, O ritmo do livro também é lento: não espere acontecimentos grandiosos ou muita ação. Mas não daria pra ser diferente, já que esse ritmo de leitura ajuda a dar o clima da vida dos personagens. Os Keenan moram no Maine, à beira mar, e a história se passa perto do Natal, cheia de neve. A maioria das casas em volta do terreno deles ou é de veraneio ou os moradores estão viajando, e tudo é cercado por árvores, areia, neve e muito silêncio. Somando a isso a agorafobia de Jack Peter, a família acaba sempre meio enclausurada. A vida deles é lenta, e o ritmo do livro reflete isso.

Além de Jack Peter, da mãe e do pai começarem a ser assombrados pelas coisas estranhas que começam a acontecer, ainda dá a impressão de que são assombrados pela própria vida familiar. O pai de Jack, Tim, por um acordo com a esposa, que ganhava mais, fica em casa, cuidando de tudo e de Jack. Ele ama muito o filho, e talvez esse amor todo o deixe cego ao real estado de Jack Peter. Ele também soa meio ressentido pelas coisas que nunca pôde fazer - assim como sua esposa, Holly, que ama o filho na mesma medida em que se ressente pela condição dele. E temos o próprio Jack Peter, que é a única pessoa do livro todo que sabe exatamente o que está acontecendo, mas por algum motivo não diz nada a ninguém e tem dificuldades em lidar com o mundo à sua volta. Ele pode ou não estar piorando, e isso pode ou não estar relacionado com os monstros que desenha sem parar.

Também vale mencionar a relação dos Keenan com Fred e Nell Weller, pais de Nick, melhor amigo de Jack. Os Weller e os Keenan são amigos desde antes das mulheres engravidarem, e os meninos cresceram juntos. Os Weller são simpáticos e agradáveis, mas bebem demais devido a alguma coisa que aconteceu em suas vidas, e apesar de Nick e Jack Peter serem amigos (Nick é a única criança que se aproxima de Jack Peter e sabe lidar com seu jeito), em vários momentos fica evidente que existe algum tipo de animosidade entre os dois. Talvez Nick não queira mais ter que aguentar Jack Peter, e talvez Jack Peter também esteja cansado de Nick. E tudo isso pode estar relacionado com o dia em que os dois quase morreram afogados, três anos atrás.

Dá pra saber que Nick tem grande importância na história exatamente por ele ser a única criança amiga de Jack Peter, e, por isso, ele também começa a ser afetado pelos acontecimentos bizarros que começam a cercar os Keenan. Ele também é um dos narradores da história, ao lado de Jack Peter e seus pais. Esses pontos de vista ajudam a entender melhor os relacionamentos entre os personagens, já que, além de O Grande Mistério, esses relacionamentos são parte do atrativo da história.

AH! O livro vai virar filme pelas mãos de James Wan, diretor de Jogos Mortais e Invocação do mal. Socorro.


›› outras resenhas

Tem uma no canal Pronome Interrogativo da versão em inglês
No canal Nazgûl nas masmorras também tem uma análise bem legal

VAMOS FAZER DE CONTA QUE ISSO NUNCA ACONTECEU...

›› autora: jenny lawson
›› editora: gutenberg
›› isbn: 9788582350676
›› número de páginas: 284
›› título original: let's pretend this never happened
›› onde comprar: cultura | saraiva | submarino | amazon
sinopse: A blogueira Jenny Lawson, do The Bloggess, conta um pouco sobre sua vida perfeitamente normal: a infância no Texas com o pai taxidermista amador que trazia animais mortos pra casa, fantoches de cadáver de esquilos, a adolescência gótica e estranha, braços presos em inseminação artificial de vacas, o casamento com Victor e sua resiliência em amar a esposa apesar de tudo e em todos os momentos, incluindo aqueles em que ela compra jacarés empalhados de 50 anos vestidos de piratas e tenta entrar com eles no avião. 

Essa resenha não existiria se a Tassi não tivesse me recomendado a Jenny Lawson. E se não tivesse me emprestado o livro, mandando pelo correio. Dedico a ela o descaralhamento mental que ele me causou.

Meu primeiro contato com a escrita da Jenny foi através do Alucinadamente feliz, que comprei por indicação da - sim! - Tassi. Comecei a ler, mas acabei parando porque não conseguia sair de uma ressaca literária horrível que já durava alguns meses. E também porque meu ritmo de leitura de livros de não-ficção é devagar mesmo. Mas eu já sentia uma conexão enorme com o pouco que li, quer dizer, ela resolveu ser feliz só de raiva, considero isso mais do que objetivo de vida, sabe. Sem contar a capa e o subtítulo, mas vou deixar essas coisas pra quando for a vez da resenha dele.

A questão é que, um tempo depois, resolvi que queria ler Vamos fazer de conta que isso nunca aconteceu..., e a Tassi disse que me emprestava. Como ela mora no RJ e eu em SP, o livro veio pelo correio. Demorei um cadinho pra começar a ler decentemente, mas aí o livro deslanchou.

E eu não estava preparada pra ele.


A Jenny já começa avisando que algumas coisas contadas podem ser exageradas ou até mesmo não tão verdadeiras assim, o que é engraçado, porque exatamente quando você pensa "ah, essa parte aqui deve ser o exagero", surge uma foto documentando que não, aquela situação não era exagero nem inventada, taí uma foto de um guaxinim de bermudinha pra comprovar.


A questão é que esse exagero não é bem de "quem conta um conto, aumenta um ponto", mas a escrita da Jenny é que é exagerada. Ela divaga, emenda um assunto no outro, perde o fio da meada, volta ao assunto, se lembra de outra coisa no meio e avisa que vai deixar pra depois e retoma o ritmo. Isso acontece em todos os capítulos, que, com exceção de uns poucos, são curtos e com títulos maravilhosos como "o crack nem era meu" e "e então levei um jacaré cubano morto escondido no avião".

A infância dela não foi nada usual. Passada no interior do Texas, Jenny vem de uma família muito humilde e bem pobre, mas feliz e cercada de coisas muito bizarras, quase todas elas cortesia de seu pai. O pai da Jenny é um show a parte. Os animais empalhados também. A quantidade de animais mortos e vivos que apareciam pela casa dela também, tudo isso com a mãe meio resignada, meio "fico feliz se todos chegarmos mais ou menos vivos ao final do dia". Jenny foi uma adolescente metida a gótica meio frustrada que também passava por várias vergonhas e situações constrangedoras. Conheceu seu marido Victor e garanto, esse casal realmente tinha que acontecer. As situações pelas quais os dois passam (quase todas cortesia de Jenny) são surreais, e algumas bem tristes. Tristes de verdade - tem um capítulo, por exemplo, em que Jenny conta sobre os abortos espontâneos pelos quais passou. De qualquer maneira, é muito difícil não rir durante praticamente o livro todo.

Só que o riso acaba sendo um misto de coisa engraçada com incômodo quando Jenny acaba deixando claro que boa parte das situações hilárias nas quais ela se enfia acontece por causa de seus transtornos mentais, como ansiedade e TOC. Foi nesse momento que o meu descaralhamento mental começou, porque muitas reações dela começaram a me soar too close for comfort.


E foi com elas que eu percebi que talvez tenha sofrido de ansiedade a minha vida inteira, e não só depois de adulta. Foi como se eu tivesse levado uma tijolada no meio da cara. Não esperava que pudesse encontrar trechos tão doloridos pra mim, e em alguns momentos eu ria de nervoso mesmo, porque sabia exatamente o que ela estava sentindo durante uma cena bizarra qualquer. Por outro lado, essa tijolada me ajudou a entender algumas coisas pelas quais passei quando era adolescente. Foi bom saber que eu não fui a única a me sentir assim, me ajudou a me sentir menos esquisita.

Eu queria falar muito mais nessa resenha, mas algumas coisas ainda preciso processar direito. Mas acho que esse é um ótimo exemplo de que você nunca sabe o que pode acabar tirando de um livro, por mais "de boa" que a leitura possa parecer à primeira vista.



›› outras resenhas

Tem uma com fotos bem legais lá no Just Carol
Foi recomendação do Nem Um Pouco Épico entre outros legais de não-ficção

Morcego, mariposa, Crepúsculo, tudo igual, não é mesmo?


Não sei se vocês lembram, mas um tempinho atrás um sapo entrou no meu quarto. Achei que depois dessa bizarrice relativamente comum eu poderia aproveitar algum tempo sem visitas indesejadas.

Esse "algum tempo" foi de aproximadamente um mês.

Outro bicho que costuma muito entrar aqui é mariposa. Daquelas enormes. Sabe aquela ideia de efeito borboleta, de que o bater de asas de uma borboleta pode provocar um furacão em algum lugar? Se imaginar essa frase num sentido mais literal, dá pra ter uma noção do tamanho das mariposas que entram aqui.

(Na verdade são apenas mariposas muito, muito grandes e eu morro de medo, mas me deixa, ok)

Quando uma mariposa dessas entra no quarto, minhas reações podem ser resumidas em duas: ou eu me escondo debaixo da coberta e fico lá até minha mãe conseguir tirar o bicho do quarto, ou eu saio correndo e fico no quintal até minha mãe conseguir tirar o bicho do quarto. Eu provavelmente nunca vou estar apta a morar sozinha, mas o ponto não é esse.

Uns dias atrás, não sei exatamente quando porque memória lixo é assim mesmo, começou a passar Amanhecer parte 1 da tv. Mas sempre que qualquer filme da saga Crepúsculo passa, eu e minha mãe assistimos. Então o filme começou e eu falei "olha, começou Crepúsculo", porque eu chamo todos os filmes de Crepúsculo mesmo, enquanto meu gato amarelo, o Pepê, aquele da estante, entrou no quarto com alguma coisa enorme na boca.

Aí a coisa enorme e marrom que ele tinha na boca escapou, batendo as asas dentro do quarto, e minha reação foi me esconder embaixo da coberta e gritar "MARIPOSA!". Minha mãe me mandou ficar embaixo da coberta enquanto ela buscava a vassoura pra tirar o bicho de lá (como se eu fosse sair dali de qualquer maneira), que, a essa altura, tinha se escondido atrás do guarda-roupa. Nesse momento eu estava mais do que decidida a dormir na sala ou no quintal mesmo, até que aparentemente a mariposa saiu de detrás do guarda-roupa, voou pelo quarto e grudou no teto, perto da parede.

Aí mamãe informa que não era uma mariposa, era um morcego.

O gato trouxe uma porra de um morcego pra dentro do quarto.


Aí eu usei a coberta de escudo pra sair de dentro do quarto, e logo depois minha mãe conseguiu tirar o morcego de lá de dentro. Defensores dos animais podem ficar tranquilos, porque nenhum bicho foi machucado nesse processo: o morcego não só saiu intacto como se escondeu numa das árvores do quintal. E meu gato ainda ficou olhando com cara de ódio, obviamente ofendido por termos expulsado o amigo dele de forma tão rude.

Fiquei pensando se devia temer algum tipo de vingança, enquanto na tv Edward Cullen tentava segurar o riso por causa do nome ridículo que Bella escolheu pro bebê deles.

No fundo eu tenho certeza que ele tava é rindo da minha cara.

DONNIE DARKO

›› autor: richard kelly
›› editora: darkside
›› isbn: 9788566636994
›› número de páginas: 208
›› título original: the donnie darko book
›› onde comprar: cultura | saraiva | submarino | amazon
sinopse: (...) Além do roteiro original, o livro surpreende pelo conteúdo extra. A começar pelo prefácio exclusivo, assinado por Jake Gyllenhaal. (...) E se você também está curioso, por que não ler o que o próprio diretor e roteirista tem a dizer sobre Donnie Darko, Gretchen, Frank e companhia? Kelly concede uma robusta entrevista sobre todo seu processo de criação. (...) Para ficar ainda mais completa, a Limited Edition da DarkSide Books – em capa dura, marcador exclusivo e aquela qualidade que qualquer leitor exigente sente gosto de exibir na estante de casa – traz uma surpresinha a mais: A Filosofia da Viagem no Tempo. Isso mesmo, uma reprodução de trechos do livro escrito por Roberta Sparrow, a Vovó Morte do filme. É o livro que Donnie lê para tentar desvendar o que está acontecendo no mundo ao seu redor. 

Não existe, nesse mundo inteiro, melhor apresentação dos livros da Darkside do que a que a própria Darkside faz, então aconselho todo mundo a dar uma lida no site da editora e ver tudo que o livro oferece em termos de conteúdo e visual.

Não lembro exatamente quando foi que assisti Donnie Darko pela primeira vez, nem porque resolvi assistir. Mas fui atrás do filme, assisti e terminei com duas sensações:
1) QUE COISA LEGAL
2) EU NÃO ENTENDI NADA
Então fui caçar explicação no google. Encontrei uma que falava sobre as coisas todas de viagem no tempo e apresentava uma teoria sobre o que poderia ter acontecido no filme. Tive que ler umas duas vezes, porque esse é meu grau de entendimento pra qualquer coisa remotamente científica, e fui assistir o filme de novo. As coisas fizeram sentido e continuei achando tudo muito legal. Anos mais tarde, anunciaram o lançamento de S. Darko, a continuação de Donnie Darko, e não sei exatamente qual o grau de blasfêmia de dizer isso, mas gostei do filme. De qualquer maneira, DD se tornou um dos meus filmes preferidos.

Por isso, quando o livro foi anunciado, acabei comprando sem nem saber direito do que se tratava. E também porque a capa e a lombada são lindas.


Além das imagens, o livro traz uma introdução do próprio Richard Kelly, diretor do filme, e um prefácio do Jake Gyllenhaal, nosso querido Donnie e cujo nome eu errei 3 vezes na hora de escrever mesmo copiando direto do livro.

Antes do roteiro do filme, tem uma entrevista bem grandinha e completa com Richard Kelly. As partes em que ele não fala diretamente de DD podem parecer meio cansativas, mas pular essas perguntas/respostas é perder um pouco a oportunidade de conhecer o diretor e de entender que não tinha mesmo outra pessoa que pudesse ter pensado nesse filme desse jeito. Também ajuda bastante a entender algumas coisas do filme, como por exemplo porque ele deixa mais perguntas do que respostas, porque não existe uma única explicação pro que aconteceu, porque praticamente todas as teorias são válidas e porque não vale a pena ficar reclamando de tudo isso sendo que tudo isso faz parte da graça do filme. DD não teria nem metade do apelo que tem se tivesse um final redondinho e todas as perguntas respondidas bem mastigadinhas. É filme pra dar descaralhamento mental mesmo e querer bater no coleguinha que tem uma teoria que contraria a sua, uma coisa meio jogar War, sabe.


E chegamos na parte do roteiro do filme. Não sei muito como elaborar essa parte além de dizer que é uma experiência bem legal ver "o filme no papel". Explicar DD é meio que enrolar a língua e ficar com gagueira, porque qualquer explicação parece simples demais e faltando coisa, mas muito mais do que isso pode significar dar mais spoilers do que o necessário. Donald "Donnie" Darko é um adolescente que tem sintomas de sonambulismo e esquizofrenia. Depois de acordar bem longe de casa e sem saber como chegou lá, ao voltar, descobre que uma turbina de avião caiu exatamente em cima do seu quarto.

Sobreviver a um negócio desses é bem legal, né, quer dizer imagina a sorte que é, o dia em que uma turbina de avião destrói seu quarto ser justamente o dia em que você não estava lá. YAY, né? Não. Azar pra vida de Donnie, sorte pra nossa. A partir daí uma série de coisas estranhas começam a acontecer com ele, e todas elas parecem ter ligação com o estranho homem com fantasia de coelho que aparece para Donnie. Antes eu pensava que uma novelização do roteiro do filme seria legal, mas ver o próprio roteiro acabou sendo bem mais interessante.

Mas talvez a parte mais interessante de tudo mesmo é a reprodução dos trechos de "A filosofia da viagem no tempo", que é aquele livro que Donnie lê no filme, que foi escrito pela Roberta Sparrow. Se você não viu o filme ainda e não gosta de spoilers, NÃO JOGA "ROBERTA SPARROW" NO GOOGLE, fica de boa aí. Esse livro explica muita coisa do filme e faz com que outras façam mais sentido. Sem contar que terminei essa parte com uma vontade enorme de ver algum livro de ficção usando isso tudo, nem que não seja DD. Ah, e no final ainda tem uma lista com as músicas que fazem parte da trilha sonora!

Pra quem se interessar pelo livro e ainda não tiver assistido ao filme, eu recomendo que assista uma vez, não procure nenhuma explicação, leia o livro todo e depois assista de novo. De qualquer maneira, é difícil terminar a leitura sem querer rever o filme. E pra quem quiser, tem na Netflix!





›› outras resenhas

Tem resenha lá no canal Hoje é dia
O canal Chovendo livros também fez
A Ana Gabriela do Bela Psicose fez uma resenha cheia de fotos lindas


A trilha sonora dos vilões


Vilões são sempre um grande atrativo nos filmes de animação, e não contentes em serem sempre os melhores personagens (às vezes empatando com algum dos secundários, mas definitivamente na frente dos protagonistas), em muitos casos também têm as melhores músicas. Se um herói é tão bom quanto seu vilão, um vilão é tão bom quanto sua trilha sonora.

Sim, esse post saiu praticamente um ode à Disney. Me deixem ok.



OOGIE BOOGIE'S SONG – THE NIGHTMARE BEFORE CHRISTMAS

Não tenho capacidade de expressar meu amor por esse filme ❤ Esse aqui vai ser o único video em que vou colocar o player direto pra versão original, porque a em português é horrível se comparada com ela. Aliás, acho esse filme versão dublada todo cagado, mas é porque eu amo demais as músicas do original e eu sou ruim e amarga, então me deixa.



SE PREPAREM – REI LEÃO

A trilha sonora de O rei leão é maravilhosa, mas pra mim nem Hakuna Matata bate a música do Scar. A versão broadway de Se preparem (Be prepared) também é tão sensacional quanto a original! E o melhor da música do Scar é que o conteúdo político dela é enorme, mas quase ninguém nota porque “é música da Disney”.



CORAÇÕES INFELIZES – A PEQUENA SEREIA

A pequena sereia é um dos meus filmes preferidos e amo praticamente todas as músicas, mas Corações infelizes é a melhor, de longe. Gosto mais da versão original (Poor unfortunate souls), e a versão da broadway também é maravilhosa!



CRUELA CRUEL – 101 DÁLMATAS

A vilã fashionista e completamente perturbada é provavelmente uma das mais malvadas, porque querer matar princesas e reis é o de menos: ELA QUER MATAR CACHORRINHOS D: e ainda foi interpretada pela maravilhosa da Glenn Close! A versão em português saiu tão legal quanto a original (Cruella De Vil), que é maravilhosa!



SUA MÃE SABE MAIS – ENROLADOS

Mamãe Gothel, a rainha do passivo-agressivo: convence Rapunzel de que o mundo lá fora é uma merda, faz um drama sobre ser largada pela filha ingrata e ainda ofende a menina dizendo que faz isso porque a ama. Quem nunca. A versão original também vale a pena!



AMIGOS DO OUTRO LADO – A PRINCESA E O SAPO

Gosto bastante do filme, mas tenho um amor enorme pela música do Dr. Facilier porque ela me lembra a Pink elephants on parade: essa vibe meio misteriosa, meio assustadora, as cores, como se fosse um sonho muito esquisito ou um pesadelo muito colorido. A melhor parte da cena é ficar de olho na sombra do Dr. Facilier! Gosto mais da versão original (Friends on the other side), mas em português ficou ótima!



GASTON – A BELA E A FERA

O que falar desse ode ao Gaston? Gaston e ele mesmo = OTP ❤ a música original (Gaston) é ótima, mas prefiro a versão em português. Aliás, Gaston é ótimo, né? Certeza que se esse filme fosse agora ele estaria compartilhando videos de revenge porn no whatsapp, comentando em anônimo no G1 e terminando argumentos com “é a minha opinião”.



BONUS: A MÚSICA DA YZMA!

POIS É, a Yzma era pra ter uma música só dela, mas a cena foi cortada porque não tinha muito como encaixar no filme. Uma pena, porque Snuff out the light é TÃO MARAVILHOSA QUANTO A YZMA!

Personagem feminina não é plot device, pelo amor de deus, A GENTE TÁ EM 2016, SABE


Vamos falar rapidinho sobre cultura de estupro, misoginia e violência contra a mulher em literatura juvenil? Vamos. Isso é mais um pequeno lembrete mesmo. Porque precisa.


Literatura também compactua com cultura de estupro, e é alarmante que em 2016 a gente ainda precise explicar as razões com gráficos, desenhos, estatísticas, mímica e apresentações em power point pra que isso seja levado a sério.

Dizer que mas é ficção, que é só um livro, que é só uma história, que não é bem assim, não é desculpa pra nada. Ainda mais quando seus personagens são adolescentes e seu público é adolescente.

Não dá pra justificar esse tratamento da personagem feminina dizendo que é o personagem que é assim, que a história que tá acontecendo é assim. Se em nenhum momento você problematiza isso, se em nenhum momento você questiona esse comportamento (e se questiona, justifica logo depois), se em lugar nenhum você mostra que aquilo tá errado, a mensagem que você tá passando é a de que, de alguma maneira, esse tipo de comportamento é justificado.

Não é.

Não dá pra colocar uma personagem feminina diante de toda sorte de desconfiança, abuso e violência só pra servir de plano de fundo pra história do personagem masculino. A personagem feminina com um passado trágico, misteriosa e de vida difícil que foi criada única e exclusivamente pro protagonista aprender alguma coisa ou passar por algum tipo de experiência não é uma boa personagem. Esse protagonista também não é. Essa também não é uma boa história.

A gente precisa repetir isso como se fosse um mantra: personagem feminina não é muleta pra trama de personagem masculino. Também não dá pra fazer essa personagem passar por porrada atrás de porrada pra conseguir simpatia de quem tá lendo.

Tem mil maneiras e recursos diferentes pra se criar uma história com aquela aura COOL AND EDGY e tá na hora de entender que estupro, abuso e violência contra a mulher NÃO É UM DELES.

Você não precisa foder com a personagem feminina pra ter uma história descolada.

É sério.