"O grito" e o arruinamento da proteção da coberta


É uma verdade universalmente conhecida que, a partir do momento em que você está na cama e cobre a cabeça com a coberta, está automaticamente protegido de todos os males do mundo. É a mesma coisa de não deixar o pé pra fora da cama significar que, seja lá o que estiver debaixo da sua cama, não vai te assombrar naquela noite.


A proteção da coberta sempre foi um conforto pra mim, que sou medrosa porém tenho uma imaginação ativa até demais (sem contar o senso de autopreservação meio defeituoso).

Mas é claro que nada de bom nessa vida dura muito.

Quando eu ainda assistia filmes de terror, fui assistir O grito. E eu estava sobrevivendo a ele bem de boa, até. Provavelmente voltaria a dormir à noite depois de uma semana, ou algo assim. Até que chegou a cena que arruinou a minha vida.

A moça, assustada com a mulher gritalhona do filme, se esconde debaixo da coberta. Ótimo, não é mesmo? Não. Porque depois de cobrir a cabeça e olhar para baixo, adivinha o que ela vê.

a
desgraça
da
gritalhona
debaixo
da
coberta.

Eu ia colocar um gif dessa cena aqui, mas vou poupar vocês dessa. Mentira, eu vou me poupar dessa porque não vou procurar gif desse troço aí não.

Mas a questão é que essa cena arruinou a santidade da proteção da coberta, Todas as certezas que eu tinha na vida foram pro ralo, tudo em que eu acreditava foi post em xeque.

Nunca me recuperei disso. Se eu não posso confiar que vou estar segura de espíritos vingativos e demônios me escondendo debaixo da coberta, eu vou confiar em que?


Os sapos que eu não vou engolir porque são sapos de verdade


Eu não sei exatamente qual a dimensão da birra que Deus tem de mim, mas sei que é grande o suficiente pra achar que tá tudo bem fazer um sapo entrar no meu quarto. Pelo menos ele foi educado e bateu na porta antes.


Fui uns dias atrás, de madrugada. Eu quietinha no meu canto, pronta pra fingir pra mim mesma que ia conseguir dormir antes das 4 da manhã. Era pra ser uma coisa bem simples, só escovar os dentes e deitar. Ir dormir não era pra ser complicado. Não era pra ter imprevistos (insônia não é mais imprevisto, é rotina).

Não era pra ter barulhinhos do lado de fora da porta do meu quarto.

No auge da minha ingenuidade, pensei que podia ser só... sei lá, vento, ou alguma lagartixa que tivesse sobrevivido aos meus gatos. De qualquer maneira, não dei bola. Abri a porta e senti que alguma coisa "passou" pelo meu pé, mas como já me acostumei a tropeçar nos meus próprios pés, pensei que devia ter batido numa dobra do tapete, ou algo assim, afinal, ninguém espera sair do quarto e ser atacado por alguma coisa.

A vida tem esses jeitos estranhos de te lembrar que ela tá ali, à espreita, observando, só esperando um deslize seu, ou uma saída pra escovar os dentes e ir dormir.

Voltei pro quarto pra desligar o computador e lá estava aquele montinho amarronzado e olhudo perto da cadeira.

Faço aqui uma pequena pausa pra reclamar que fui enganada a vida toda por desenhos e gibis: foram raríssimas as vezes que vi um sapo verdinho igual lápis de cor. Se vi, nem lembro. A maioria tinha sempre esse tom amarronzado sem graça. Me sinto traída.

De qualquer maneira, lá estava o sapo perto da cadeira. Nem era um sapo grande. Era um pouco menor do que meu punho fechado. Acreditem, já vi sapos muito maiores que isso no quintal de casa. Mas esse não estava no quintal. Estava no meu quarto. E se ele estava no meu quarto, ele tinha que ter entrado por algum lugar.

Pela porta.

Quando eu abri.

Aquilo que senti no meu pé era o sapo pulando nele pra poder entrar.


Considerei cortar o pé fora, mas antes disso eu dei um grito e um pulo que deve ter deixado o sapo com tanta inveja que ele ficou com vergonha e foi se esconder debaixo da minha cama.

Obviamente fui fazer o que qualquer pessoa da minha idade faz numa situação dessas, que foi correr pra minha mãe pedindo socorro. E é claro que ela resolveu a situação com uma vassoura e uma sacolinha de plástico, conseguindo assim jogar o sapo (vivo) pra fora de casa.

É claro que depois dessa eu não consegui dormir. Porque essa não foi a primeira vez que um sapo resolve esquecer todas as regras de convivência social e entrar em casa sem ser convidado e sem avisar antes, como visitas costumam fazer.

Já teve sapo entrando no meu quarto antes.

Já teve sapo pulando pela janela da sala na hora da novela e pulando em cima do sofá.

Já teve sapo pulando dentro do bolso da bermuda do meu avô.

Mas eu vou tentar ser otimista. Enquanto não chegar a vez da praga dos primogênitos, tá tranquilo, tá favorável.

Botar cara em personagem: não trabalhamos


Se tem uma coisa nessa vida que eu não sei fazer é fan casting por um motivo bem simples: com raras exceções, não sou capaz de botar cara nos personagens. Consigo imaginar alguns detalhes genéricos de descrições físicas como tatuagens, cicatrizes ou cores de cabelo, mas o rosto mesmo sai algo muito parecido com o slender man que eu vou poupar vocês de ter que ver gif por aqui porque acho que todo mundo quer dormir à noite sem pesadelos. Mas o que sai na minha cabeça é mais ou menos a mesma coisa que pegar uma pessoa e tacar muito efeito blur na cara dela.


Talvez esse seja um dos motivos pelos quais acabei me desligando de descrições físicas a ponto de ficar meio de saco cheio quando elas existem em excesso numa história. Acabei ficando muito mais apegada a traços de personalidade e trejeitos. Não é à toa que gosto tanto do Scott Westerfeld e que, apesar de estar lendo muito lerdamente, tô simpatizando muito com a Maggie Stiefvater: a economia nas descrições físicas me agrada porque, pra mim, elas não são tão importantes assim.

Mas também tem outro detalhe que acaba me deixando desligada da aparência dos personagens dos livros: eu tiro uma espécie de “licença poética” quando consigo imaginar a carinha deles. O que significa que mesmo que a autora diga que fulana é loira ou que fulano é alto, se eu encasquetar que a fulana é careca e o fulano é baixinho, não importa quantas vezes a aparência deles seja martelada durante a leitura: na minha cabeça é assim e pronto, e até hoje isso nunca atrapalhou a minha leitura. Isso quando eu não grudo a cara do autor na do personagem, ou da pessoa na capa do livro.

Às vezes isso gera situações um pouco inusitadas, como por exemplo meu fan casting pro Morpheus de O lado mais sombrio  da A. G. Howard ser o Ney Matogrosso, e outras em que acabo apelando pro meu fan casting padrão. É que tem algumas vezes em que realmente quero saber a cara daquele personagem, mas por causa do meu desligamento das descrições, acabo enfiando no molde deles algumas caras que invariavelmente enfio em todo e qualquer personagem que aparece na minha frente quando caio nessa situação. Por exemplo, tenho uma facilidade bem grande em fancastear a Camila Queiróz e a Jessica Sula pra praticamente qualquer personagem feminina. Se a palavra mãe está associada à personagem, grandes são as chances da Amy Poehler pular na minha frente. Ultimamente meu "top 3" personagens masculinos andam se revezando entre Idris Elba, Jason Momoa e Gabriel Leone. Aliás achando divertido deixar as descrições pra lá e tentar imaginar todo mundo como Gabriel Leone independente de gênero. Eu veria um filme com o Gabriel Leone interpretando todo mundo. Uma coisa meio Orphan Black.

Já tem até o ship pronto com a Camila Queiróz
Esse fan casting padrão muda às vezes. Antes da Camila Queiróz eu revezava muito entre a Kat Dennings e a Kristen Stewart.

Ou vai tudo um boneco palito mesmo.

Isso tudo acaba me dando uma vantagem: dificilmente implico com os atores escalados pra filmes baseados em livros. É muito raro olhar pra algum ator ou atriz e pensar “não foi assim que eu imaginei“. Aliás, pra falar a verdade, até agora a única desvantagem que encontrei em não ligar pra descrições físicas é que quase nunca consigo pensar “MEU DEUS FULANO É A CARA DO PERSONAGEM TAL” e eu queria muito conseguir montar tipo um dreamcast pra algum dos meus livros preferidos.

Mas tenho certeza de que, se eu tentar, vai sair algo como a versão slender man da Tatiana Maslany em Orphan Black e né, ninguém quer um casting com, sei lá, dez slender man. Talvez dez Gabriel Leone.