VAMOS JUNTAS? - O GUIA DA SORORIDADE PARA TODAS


›› autora: Babi Souza
›› editora: Galera Record
›› ISBN: 9788501107510
›› número de páginas: 124
›› onde comprar: cultura | saraiva | submarino | amazon
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Sinopse: Depois de mais um dia voltando sozinha à noite do trabalho, Babi Souza notou outras mulheres indo sozinhas pelo mesmo caminho e na hora pensou: "por que não íamos todas juntas?". Daí nasceu o movimento Vamos juntas?, incentivando a sororidade e quebrando mitos como o de mulheres serem naturalmente competitivas umas com as outras.

Quando eu era mais nova e escutava pessoas dizendo que mulheres eram invejosas e inimigas por natureza, sempre competitivas entre si e que, por isso, nunca eram amigas de verdade, eu ficava muito confusa. Porque eu tinha amigas de verdade. Alguns laços eram mais fortes que outros, mas eu olhava pra elas e não conseguia enxergar essa coisa do "mulheres não são amigas". A maioria das pessoas do meu círculo de amizade eram mulheres, na minha casa elas sempre foram maioria. Minhas tias sempre foram muito amigas entre si. Eu tinha centenas de exemplos ótimos de amizades femininas.


Mas mesmo não tendo caído na cilada de acreditar que mulheres não eram amigas de verdade, eu caí na de achar que eram sempre, de alguma forma, competição. Eu ainda resistia contra essa ideia quando era com as minhas amigas, mas com as outras mulheres, fui empurrada nesse direção fácil. Todas nós fomos. Todas nós somos levadas a vida inteira a acreditar que precisamos ser mais bonitas que as outras. Se não mais bonita, a mais arrumada. Se não a mais bonita ou mais arrumada, então a mais inteligente. Todas nós, em algum momento da vida, olhamos aquela garota que tinha muitos amigos meninos e pensamos que ela provavelmente estava fingindo alguma coisa pra ter atenção. Já olhamos torto aquela menina que começou a explorar a própria sexualidade com mais liberdade e consideramos que obviamente ela deveria ser uma piranha. A inimiga que certamente teria um dia péssimo ao nos ver bem em alguma coisa.

Passamos a vida toda olhando outras mulheres e vendo as outras ao invés de ver nós todas. E o momento em que consegui perceber isso, em que consegui começar a mudar meu olhar pra enxergar melhor esse nós todas, mudou minha vida pra melhor. Eu não preciso ter raiva da garota que é mais bonita, ou mais arrumada, ou mais inteligente do que eu, pelo contrário: eu vou torcer por ela, porque sei que ela também torce por mim. A garota que tem muitos amigos homens não é uma attentionwhore, a que explora a própria sexualidade como quer não é uma piranha. E quanto à figura da inimiga, talvez a gente tenha mesmo ao longo da vida algumas inimizades, desavenças ou só raiva dela mesmo, mas quando você aprende a exercitar a empatia, também consegue entender melhor o quanto desse sentimento é mesmo alguma diferença grande entre vocês e o quanto é um resquício desses julgamentos que a nossa sociedade machista nos enfia goela abaixo ao longo da vida.


E o Vamos juntas? traz uma ideia tão simples de incorporar na nossa vida. Ficar ao lado de outras mulheres, literal e metaforicamente. Gestos pequenos que fazem uma diferença tão grande! É só ir lá na página no facebook e ler os relatos. Esse movimento é um tabefe no meio da cara de quem gosta de dizer que "esse pessoal só sabe reclamar na internet". Taí. Começou na internet e se espalhou pra vida de muitas mulheres no país inteiro.

Nem pensei duas vezes antes de colocar o livro na lista de leituras que eu sabia que tinha que fazer. Além de ser todo bonitinho, ele fala de sororidade e feminismo de uma forma simples e fácil de entender, e toda mulher consegue se identificar fácil. Adorei a forma como ele parece ser ao mesmo tempo uma maneira ótima de colocar em palavras alguns conceitos e ideias que às vezes a gente não consegue explicar e um ponto de partida excelente pra quem começou agora a conhecer essas ideias e anda cheia de dúvidas. Queria poder sair distribuindo esse livro por aí, vê-lo sendo adotado em colégios ou sendo comprado pra fazer parte da biblioteca deles.

A gente tem que começar por algum lugar, e pelo Vamos juntas? é um começo excelente.


›› outras resenhas

Tem a da Anna lá no Pausa para um café
A Paola falou sobre ele no Livros e fuxicos
A Flávia resenhou lá pro Livros e chocolate

Coisas que li porque meu gene da autopreservação literária só funciona quando quer


Adorava filmes de terror quando era mais nova. O que saía, eu estava vendo. Isso não se refletiu na leitura porque.. sei lá. Mistérios da vida. Mas a questão é que eu assistia quase qualquer coisa. Quando vi O exorcista pela primeira vez tive pesadelos 3 dias antes de tanto nervoso (mas não depois, porque acho que já tinha gasto toda a cota de medo àquela altura). O chamado na versão japonesa me deixou 6 MESES sem dormir. Sim. SEIS MESES. Até hoje, se a tv estala à noite, eu acordo. Eu assistia filmes de terror sem nem saber que eram de terror.

Eu assisti um filme de terror em que o vilão era o cabelo das pessoas

Morria de medo. Ficava dias sem dormir. Dava um trabalho danado pra coitada da minha mãe. Mas assistia mesmo assim.


Só que aí aconteceu uma coisa muito louca: eu cresci e fiquei medrosa pra caralho.

Na verdade não foi só ter ficado medrosa, isso eu sempre fui. Mas eu descobri duas coisas muito importantes:
1) Eu gostava muito de dormir, principalmente em paz.
2) Eu realmente - REALMENTE - detesto jumpscare.

Como a grande maioria dos filmes de terror "relevantes" nos últimos tempos são cheios de jumpscare, achei o momento ideal pra largar mão mesmo. Agora ando querendo voltar a ver. Comecei por Babadook e achei um começo acertadíssimo (não tem jumpscare), agora estou criando coragem pra ver A bruxa (me disseram que também não tem). Já sei que não vai ser uma tarefa muito fácil achar filmes de terror sem esse maldito jumpscare (ou que não tenha muitos) e sem aquele gore estilo Jogos Mortais que me dá mais siricutico do que qualquer outra coisa. Mas eu não tenho pressa. Baby steps.

Se meu instinto de autopreservação funciona muito bem com filmes e seriados, ele é completamente inexistente com livros. Independente de ter me assustado com eles ou não, aqui vão alguns livros de terror que li ao longo desses anos porque o gene da autopreservação literária, aquela coisa que te diz "amiga, melhor não, né" antes de você escolher sua leitura da vez é muito defeituoso.

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O DEMONOLOGISTA
Andre Pyper, editora Darkside
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Tinha visto esse e pensado "olha, um livro de demônio recomendado pela Gillian Flynn, claramente algo que eu deveria ficar longe, não é mesmo?". Não. O livro chegou na livraria, e ele era vermelho, e de capa dura, e a lombada era toda detalhada para parecer antiga/danificada, e meu bom senso disse why not? e levei pra casa. Na melhor das hipóteses, seria muito bom. Na pior das hipóteses, eu sempre poderia abandonar o livro numa igreja ou botar no congelador. No final das contas, algumas cenas me deixaram meio nervosa mas não cheguei a ficar sem dormir, e apesar de ter achado o final meio meh, a leitura foi legal. Ah, o livro vai virar filme e acho que assim ele tem mais potencial pra dar mais sustos e mais medo do que o livro. De qualquer maneira, as cenas são muito bem escritas (tenho uma dificuldade enorme em visualizar essas coisas, mas algumas até consegui imaginar as descrições!) e é uma boa leitura pra quem gosta de demônios (não que alguém goste de demônios; você me entendeu) e de questionar até que ponto nossas crenças podem ser desafiadas sem que entremos em surto ou comecemos a duvidar da própria sanidade.


HELLRAISER
Clive Barker, editora Darkside
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Quase o mesmo caso de O Demonologista, com a diferença de que esse eu meio que fiz questão de ser burra ler. O livro é todo lindo, capa dura, imita couro, ia ficar lindo na estante e, pelo que eu me lembrava, gostava do filme de Hellraiser. Quer dizer, eu lembrava o básico da história e que o filme tinha me deixado com aquela sensação de afliceta sem ser aquela que Jogos Mortais dá porque não tinha rolado nojo e etc e tal. De qualquer maneira, as chances de eu me ferrar eram grandes, então obviamente eu pulei no trenzinho da falta de amor próprio e fui ler. No começo a leitura me parecia meio chata, mas engatou logo e tive exatamente as mesmas sensações do filme, ou seja: gostei do livro. É curto e eu queria que fosse um pouco menos direto, mas talvez a grande graça dele seja exatamente essa. Também dá vontade de conhecer mais sobre a mitologia envolvendo os cenobitas. A história é um ótimo exemplo de que, no final das contas, o ser humano definitivamente não está pronto pra receber algumas respostas. Também dá pra dizer que a moral da história é não sair abrindo caixinha em forma de quebra-cabeça por aí. Só larga onde achou e sai correndo, ok.

O VILAREJO
Raphael Montes, editora Suma de letras
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Eu pensei "contos de terror não vão me deixar sem dormir, né, tá de boa isso". Não tá de boa. Os contos são legais, uns mais que os outros, a história central que amarra todos é ótima e traz um questionamento bem antigo (o quanto é preciso pra tentar uma pessoa a fazer coisas que teoricamente ela jamais faria?), e as coisas andavam bem (eu estava com aquela sensação de impressionada, porém ainda com a perspectiva de dormir direito), mas não esperava que a última página fosse uma imagem e virei com tudo e dei de cara com ela. Não é uma imagem assustadora ou algo assim, mas eu realmente não esperava que ela estivesse ali. Levei um tempinho pra me acalmar e conseguir dormir, e até hoje não consigo olhar aquela última página. Não é que esse livro conseguiu ter um jumpscare? Os contos mostram como o ser humano, quando pressionado nos pontos certos, pode facilmente raspar seu verniz de civilidade e mostrar sua pior faceta. Nunca mais na minha vida eu vou atender a campainha (a não ser que seja o carteiro).

O ILUMINADO
Stephen King, editora Suma de letras
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Morri de medo do filme, por algum motivo estúpido pensei que não ia morrer de medo do livro. O meme do "cuidado com a burra" me cai bem nesse caso. Não sei dizer com qual deles me assustei mais, mas gostei bem mais do final do filme por parecer mais dramático. Um tempo depois descobri que tem uma minissérie de 3 episódios, essa aqui, que eu tinha assistido há um tempão, e até vale a pena assistir, mas se for pra optar por um só, aconselho o filme mesmo. O Literatortura tem um post apontando algumas das diferenças entre livro e filme, quem não liga pra possíveis spoilers, o post é esse aqui. Vale a pena ler e, se for mais corajoso que eu, talvez fazer uma pequena maratona de filme e minissérie. O livro ganhou uma continuação anos depois. Doutor Sono, que também saiu pela Suma de letras, mas apesar de ter ficado empolgada no lançamento, não tenho tanta certeza assim se quero saber o que aconteceu com Danny depois do Overlook. Mas eu definitivamente leria alguma coisa com as histórias antigas do hotel, que é praticamente um dos personagens principais do livro.

O EXORCISTA
William Peter Blatty, editora Nova Fronteira
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Não lembro agora se li antes ou depois de assistir ao filme, mas lembro claramente de não conseguir ler à noite, de deixar numa gaveta e de checar antes de dormir se ele realmente estava lá. Recentemente teve uma série inspirada no livro, com o Alfonso Herrera e a Geena Davis. Só tive coragem de assistir o primeiro episódio. mas procurei todos os spoilers possíveis e quem gostou do livro e do filme e é mais corajoso que eu vale muito a pena assistir. A única coisa que eu sei é que que nunca mais na vida eu vou ler esse troço de novo porque preciso colocar pelo menos algum limite e ele vai ficar exatamente aqui.
edit 29/07: E NÃO É QUE EU COMPREI "EXORCISMO" DA DARKSIDE QUE CONTA A HISTÓRIA REAL EM QUE "O EXORCISTA" FOI INSPIRADO? EU NÃO APRENDO NUNCA GENTE, ALGUÉM ACHA MEU RECIBO QUE EU VOU ME DEVOLVER.


PLACAS TECTÔNICAS


›› autora: Margaux Motin
›› editora: Nemo
›› ISBN: 9788582862841
›› onde comprar: cultura | saraiva | submarino | amazon
›› livro enviado de cortesia
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Sinopse: Aos 35 anos, Margaux Motin narra os erros e acertos que abalaram sua existência em páginas repletas de humor e realidade. (...) Quando continentes internos convergem, a saída é aprender a lidar com os pequenos desastres da vida e reencontrar o equilíbrio.

Acho que a única coisa mais assustadora do que mudar por vontade própria é mudar porque as coisas à sua volta mudaram e você não tem opção a não ser acompanhar e se adaptar à nova situação. É mais ou menos nesse contexto que Margaux Motin se encontra em Placas Tectônicas. O divórcio, a filha pequena, o novo amor, as amigas, a família, o trabalho, Margaux vai lidando com tudo isso como uma malabarista brincando, mas a brincadeira no caso é com tochas e a malabarista em questão não tem tanta certeza assim se está jogando as coisas pros lados certos. Mas acho que o importante é que ela está jogando as coisas, mesmo que se queime de vez em quando. Ou que precise de ajuda pra brincar, e essa ajuda provavelmente vai vir regada a vinho e saias de tule.

De certa forma, ler a Margaux me lembrou a experiência de ler meu adorado Hyperbole and a half da Allie Brosh e Mulheres alteradas da Maitena Burundarena. Lembrou a Allie por essa vibe de que viver é esse negócio que ninguém tem muita certeza de como faz, mas vai fazendo como dá enquanto não sai algum tutorial no youtube. E a Maitena por conseguir retratar de maneira direta e bem humorada situações pelas quais toda mulher uma hora acaba passando.




A HQ não é separadinha em quadros, as ilustrações ficam soltas pelas páginas e dão a sensação de que a Margaux realmente faz o que quiser, na vida e nas páginas do livro. O desenho dela também é todo bonitinho, e amei todas as aparições da filha dela, que é tão direta quanto a mãe.

Acho que se eu pudesse, dava essa HQ de presente para todas as mulheres que eu conheço, incluindo para aquelas que não gostam de HQ ou não costumam ler. Tive a impressão de ser um bom começo para isso, inclusive. É sempre legal começar a ler alguma coisa que a gente não está acostumada por alguma coisa com a qual a gente tenha algum tipo de identificação, e posso garantir que somos todas Margaux.

Já coloquei na lista de melhores leituras desse ano.


FORTUNATELY, THE MILK


›› autor: Neil Gaiman
›› ilustrador: Skootie Young
›› editora: Harper
›› ISBN: 9780062295156
›› número de páginas: 113
›› onde comprar: cultura
›› título no Brasil: Felizmente, o leite
›› editora: Rocco
›› onde comprar em português: cultura | saraiva | submarino | amazon
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Sinopse: Com a mãe fora de casa em uma conferência e uma terrível falta de leite na geladeira pro café da manhã, fica a cargo do pai ir até o mercado e resolver o problema. Quando ele demora demais pra voltar, precisa explicar aos filhos o que aconteceu.

Como a Rocco publicou esse livro por aqui com o título de Felizmente, o leite, resolvi repostar aqui a resenha dele. Porque é lindo, é fofo, tem dinossauros cientistas e todo mundo precisa disso na vida de vez em quando.

Já tem um bom tempo que eu estou bem de boa com o fato de que Neil Gaiman consegue escrever qualquer coisa pra qualquer público. Adulto, adolescente, criança, não importa - sempre sai coisa boa, e com Fortunately, the milk não foi diferente.

A ideia do livro é exatamente o que está na sinopse: a mãe está viajando e sobra para o pai ir atrás do leite das crianças (que acabou e todo mundo sabe que não se come cereal com, sei lá, suco de laranja), e como demora para voltar, precisa explicar o que aconteceu. O que se segue é uma série de acontecimentos absurdos que envolvem dinossauros falantes, viagens no tempo, vampiros, piratas e uma jarra de leite com fortes tendências a se desequilibrar e quase quebrar. As ilustrações em preto e branco ajudam a dar o clima da história que o pai vai contando, ainda que os filhos não pareçam muito inclinados a acreditar em uma única palavra. Eu sinceramente não acreditaria.

Uma das coisas maravilhosas que Neil Gaiman consegue fazer, aliás, é contar os maiores absurdos com a cara mais lavada do mundo, porque o pai da história não se enrosca em ponto algum e, quando termina o relato, tudo fica bem amarradinho. Só que fica a grande dúvida dos filhos: tudo que ele contou é verdade ou não? A resposta é contada na ilustração de página dupla do final, mas eu não vou contar, apesar da vontade ser grande. Porque ainda que o final não seja tão inesperado, com alguns elementos que o livro nos dá, não deixa de ser um pequeno plot twist.


Esse livro é perfeito pra faixa etária de 9 a 12 anos - pros mais novos se alguém quiser ler pra eles, e pros mais velhos porque why not?. Mas quem quiser ler em inglês mesmo, pode ir sem problemas porque o nível dele não é difícil, não. Aliás, pode ser um bom começo pra quem quer começar a se arriscar a ler em inglês.


›› outras resenhas

A Melina resenhou no Serendipity uma versão com ilustrações do Chris Riddell

30 linhas pra não fazer sentido


Eu achei que parar de seguir as notícias sobre a situação política do país me ajudaria um pouco a ficar menos pessimista sobre a vida, o universo e tudo o mais, e até um certo ponto talvez isso tenha ajudado. Aquela coisa meio “o que os olhos não veem, o coração não sente”, sem contar que isso ajuda a não ficar querendo enfiar o pato da Fiesp pela goela abaixo de tanta gente que eu amo. Então achei que talvez só isso, nesse momento, não era o suficiente, então parei de ler toda e qualquer notícia de qualquer coisa que não possa ser resumida numa lista do Buzzfeed ou que não possa ser resolvido num gif de gatinho. Mas isso não resolveu, e leitura nenhuma anda resolvendo também porque eu fico super empolgada quando vejo as capas e as sinopses mas quando pego pra ler, a vontade mesmo é de deixar pra lá e passar 3 horas olhando pra tela do Neko Atsume – que, por sinal, já consegui também os mementos dos gatos novos e agora minha vida meio que perdeu totalmente o sentido. E foi exatamente nesse momento que resolvi que, já que é assim, eu me dou o direito de também não fazer muito sentido, não. Sim, eu sou esse tipo de pessoa que tem epifania com Neko Atsume, mas tenho certeza de que vocês podem aprender a lidar com isso. Mas a questão é que prestar atenção nas coisas e nas problematizações das coisas e em COISAS no geral anda algo tão desgastante na minha vida que eu resolvi que, dessa vez, só por um tempinho, eu não quero acompanhar nada nem me inteirar de nada em lugar nenhum. Só que eu não quero ter peso na consciência por causa isso, então fiquei pensando em como conseguir essa proeza: ser egoísta sem me sentir uma pessoa horrível. E percebi que, no final das contas, tinha arrumado mais um problema pra minha cabeça, sendo que minha cabeça já anda ocupada demais com wishful thinking pra paroxetina fazer o efeito que é pra fazer. Porque a alternativa é aumentar a dose, e eu não tava muito afim de ter que fazer isso - apesar de que vai ser o jeito. Claro que também sempre tem aquela possibilidade de encher a cara de pizza, porque esse tipo de comida, pelo menos comigo, serve de ótima distração pra quando a bad bate na porta e a gente não só abre, como até tira o gato do sofá pra ela sentar (claro que isso metaforicamente falando, já que eu não tenho coragem nem de tirar o gato da minha cama pra que EU possa dormir). Isso se eu conseguir voltar a comer em horários considerados funcionais pela sociedade, porque por enquanto a rotina por aqui é dormir 6 da manhã (não me pergunte como eu preencho minhas madrugadas, não vou saber responder porque nunca presto atenção nisso o suficiente: o costume é dar meia-noite, aí eu pisco e são 6 da manhã e talvez eu tenha passado 6 horas no Neko Atsume e no Buzzfeed), acordar 9 e meia pra tomar leite, voltar a dormir, acordar 4 ou 5 da tarde, jantar 9 da noite e... é isso. No final das contas, eu até posso tentar encontrar alguma coisa produtiva pra fazer nesse tempo (não produtiva de forma que seja socialmente aceitável) desde que não precise tirar o pijama ou que não precise lavar o cabelo mais de uma vez por semana. A única coisa que eu sei é que eu quero que a situação política do país se dane porque meus calos andam doendo muito mais e não há paroxetina que resolva.