Meu gato roubou minha estante


E não há nada que eu possa fazer a respeito.

Depois de muito tempo de argumentação e de uma quantidade meio ridícula de pilhas de livros espalhadas pelo quarto, consegui convencer minha mãe da necessidade de uma terceira estante. Encontramos o mesmo modelo da outra cinza e quando ela chegou a arrumação me levou um dia inteiro, mas valeu a pena. No começo, os únicos contratempos foram o Fred (o siamês) se batendo nela sem querer, já que até mesmo um sapato no chão fora do lugar é suficiente pra ele literalmente perder o rumo dentro do quarto - não foi muita surpresa, afinal ele é cego e surdo, mas depois de uns dias acabou se acostumando, e o Pepê, esse amarelo da foto, cheirando a estante meio desconfiado.

Sempre que aparece alguma coisa nova no quarto, a primeira coisa que o Pepê tenta fazer é deitar em cima pra ver se é confortável.

Não importa que coisa seja, ele sempre acha confortável.

Mas ele não deu muita boa pra estante, provavelmente porque não conseguiu subir nela. Ele tem preguiça de pular em cima de qualquer coisa mais alta que a cama, e a altura das prateleiras não deu espaço pra que ele pudesse se enfiar entre elas, então deixou pra lá.

Até que, depois de alguns dias, ou algumas semanas, não sei dizer porque minha noção de tempo é uma porcaria, chegou a hora de limpar as estantes. As duas primeiras foram feitas no mesmo dia, mas a terceira acabou ficando pra depois, e os livros foram deixados em cima da cama extra do quarto.

No dia seguinte, fazendo vários nadas na frente do computador (e a estante ainda vazia), eis que Pepê entra e olha pra estante, percebendo que tinha alguma coisa de diferente ali. Cheira um pouco, esfrega o pescoço nos cantos, cheira mais um pouco...

Eu devia ter previsto.

Ele deitou na última prateleira.

Fiquei com dó de tirar e deixei ele lá, até que uma hora o Pepê resolveu sair e eu terminei de colocar os livros de volta nos devidos lugares. Quando o gato volta pro quarto, fica um tempo sentado na frente da última prateleira Não liguei muito, até que ele continuou fazendo isso por mais uns dias, até que resolvi arrumar a estante de novo. Eu não tinha liberado nem metade da última prateleira e ele conseguiu se enfiar no cantinho que estava livre. Tirei mais uns livros pra dar mais espaço, deixei só uma pilha. Pepê se ajeitou melhor e ainda usou a pilha de livros que sobrou de travesseiro/coçador de pescoço.

Agora, ele entra no quarto e vai direto pra última prateleira da estante, já tendo decidido que lá é um dos cantos deles.

Nunca mais tive coragem de colocar livros lá de novo.


COMENTÁRIOS: TRILOGIA GRISHA (LEIGH BARDUGO)


Essa trilogia me arruinou. A última vez que fiquei assim foi com Feita de fumaça e osso, que até hoje não li o último livro por medo do que pode/vai acontecer. A trilogia Grisha é o tipo de livro que acaba com seu emocional e você ainda agradece por isso. E pensar que eu quase larguei o primeiro livro, e só continuei porque a Tassi me garantiu que a coisa ficava boa.

Valeu pelo trauma eterno.

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SOMBRA E OSSOS
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Os primeiros 2/3 do livro foram meio chatos. As coisas andavam, mas eu não conseguia sentir isso acontecendo. Foi um começo e meio bem arrastados, demorei um pouco pra conseguir empurrar pra frente, e de repente, no final, a trama realmente anda e o livro fica bom. Se fosse livro único, talvez eu tivesse largado a leitura quando começou a ficar empacada, porque não gosto muito dessa coisa de "insiste que no final fica bom" porque MINHA CARA de quem vai aguentar, sei lá, 200 páginas de martírio pra só ser feliz em 50. Mas sendo trilogia, quando a Tassi me garantiu que valia a pena insistir, resolvi ouvir o conselho.  Acabei simpatizando só com uns 2 ou 3 personagens aqui, mas quando acabou, realmente queria saber o que ia acontecer. Tinha sido avisada do sofrimento que me esperava, mas não sabia que era tanto. De qualquer maneira, a autora conseguiu criar um mundo bem construído e com personagens com bastante potencial.

SOL E TORMENTA
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Esse é o livro que traz o começo de todo o sofrimento que você desconfia que vai acontecer quando termina o primeiro livro. Não dá nem 25 páginas e já começa desastre atrás de desastre, e aí você já viciou na desgraceira toda e não tem mais volta. Aqui dá bem pra ver como o Darkling é um personagem muito bom (e de porque ele causa tanta discussão acalorada no fandom), e Alina me convence de vez como protagonista, tanto pelas decisões acertadas que toma quanto pelas equivocadas. Maly realmente enche o saco em muitos momentos, mas achei um bom personagem, só que fica difícil acreditar neles como casal quando são tão melhores quando não estão juntos. Sem contar que várias vezes ele age de maneira meio condescendente com ela, mesmo Alina já ter mostrado que, apesar dos pesares, ela tem noção do que está fazendo. Também é nesse livro que você se apaixona de vez pelos personagens secundários, e nem me refiro ao pirata maravilhoso (apesar dele ter ganho meu amor na primeira fala cretina). A trama realmente ganha peso, e nesse caso é o peso do sofrimento e da desgraça.

RUÍNA E ASCENSÃO
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E foi aqui que eu resolvi que o melhor era mesmo deitar no chão em posição fetal e chorar. Adorei como a Leigh Bardugo não tem dó nenhuma nem dos personagens, nem do leitor: é tijolada na cara atrás de tijolada na cara, e teve um determinado momento em que meu livro foi arremessado pelo quarto. Chega num ponto em que você chega à conclusão de que NÃO TEM como aquilo ter um final feliz. E é um negócio meio assim:
"Ah, eu adoro esse personagem" - morre
"Esse também é legal" - sofre e morre
"Pelo menos esses finalmente ficaram juntos" - um deles é cortado no meio e morre
Apesar disso ser meio revoltante, a decisão dela de ceifar vários personagens faz sentido: eles estão em guerra, e numa guerra (se você quer coerência na história) não tem como escolher quem vive e quem morre. A Leigh faz o que tem que fazer e o leitor que se vire pra pagar uma terapia depois. Foi o que eu disse lá no começo: você sofre sem parar e ainda agradece por isso. Pelo que dei uma lida por aí, o final não deixou algumas pessoas felizes, mas achei coerente.


Terminei a leitura traumatizada e satisfeita. Existem alguns contos intermediários que acontecem entre os livros, mas apenas em inglês e ainda não fui atrás de ler.

E já saiu Six of crows pela Gutenberg, que se passa no mesmo universo. Vai ser uma duologia, e a continuação não deve demorar muito pra sair!