Bienal 2016: só amor e muito cansaço


A primeira bienal que fui foi a de 2012: fiquei pouco tempo lá e não deu pra aproveitar muita coisa, mas foi legal ver o tamanho do evento. A segunda foi a de 2014, em que trabalhei no estande da Companhia das Letras, e a experiência foi incrível. Ajudei no último dia da montagem do estande e carreguei trocentos livros, conheci e encontrei pessoalmente um monte de gente legal, peguei autógrafos, tive um dor de garganta fodida e fui embora no último dia querendo que aquilo não acabasse nunca.

Agora em 2016 tive a oportunidade de trabalhar de novo no estande da Companhia, e tudo pode ser resumido em muito amor e muito cansaço ♥

Esse ano participei dos dois dias de montagem do estande, com direito a ter que usar capacete de proteção e tudo. O que me deixou meio complexada, porque o capacete ficou grande na minha cabeça e tive que fazer uma gambiarra com um elástico pra ele parar, mas mesmo assim me deu neura de abaixar a cabeça e passei dois dias com uma dor tremenda no pescoço.

Trabalhar na montagem dá uma sensação meio emocional pra quem adora esse tipo de evento porque é praticamente ver a bienal nascendo: o chão nem tem carpete ainda, os estandes ainda sendo montados, as estantes vazias e as caixas de livros chegando e sendo abertas, o caos e a poeira aos poucos tomando a forma do evento. Também cansa pra caramba: a gente carrega tudo, empilha tudo, troca a pilha de lugar, a pilha cai, os livros caem, a gente quase cai, nosso braço ameaça cair também. Mas vale a pena.


Do primeiro dia até o último, trabalhei na parte da manhã. Isso significa que eu via todos os dias o tamanho da fila esperando pra entrar. No geral, achei que a bienal de 2014 foi mais lotada. Naquele ano, todos os dias era quase impossível andar pelos corredores. Nesse, só lotou a ponto de não dar pra se mexer direito nos finais de semana. Isso não significa que ela estava vazia: a muvuca era grande sempre, só não tão intensa quanto foi em 2014. Não sei exatamente os motivos, mas provavelmente os preços são um deles: o ingresso esse ano foi mais caro, estacionamento foi mais caro e a comida era ridiculamente cara. O preço das lanchonetes, comparados com 2014, estavam muito maiores. Quando você pensa que esse aumento é de propósito, a vontade é de nunca mais frequentar nenhuma das redes que fizeram parte do evento. Esses preços maiores na alimentação foram bem babacas.

Uma coisa que reparei mais esse ano foi as excursões de colégio. Não sei como funciona quando uma escola (pública ou particular) decide levar os alunos pra bienal, mas a maioria esmagadora desses alunos entrava nos estandes achando que tudo era livraria e todos tinham livros de todo mundo. Também não sabiam os horários dos autógrafos, das palestras, nem como elas funcionavam. Fiquei com a impressão de que os colégios não explicam aos alunos antes da visita o que é a bienal, como ela funciona e o que eles vão encontrar por lá. Por isso fiquei curiosa sobre como funciona esse processo todo, entre decidir levar os alunos e a visita propriamente dita. Se alguém souber e puder me contar, eu agradeço.

Outra coisa, ainda na questão dos colégios, é que muitos ficavam por lá no máximo umas 2 ou 3 horas. Só que em 2 ou 3 horas de bienal, você não faz muita coisa. Só em filas (de banheiro, de comida, de passar no caixa, de entrar num estande cheio, de um autógrafo) você já gasta uma boa parte desse tempo. Não sei se de repente não seria mais interessante planejar a ida com alguma palestra específica em mente, por exemplo, pra garantir que os alunos possam ter contato com alguma outra coisa que não seja só procurar os livros com desconto, ou procurar alguém que possa ir acompanhando os alunos e explicando algumas coisas sobre os estandes, as palestras e os autores. Mas novamente, não sei como isso funciona, então de repente não é algo possível na prática por causa de logística ou até de tempo mesmo, já que muitas escolas vêm de bem longe de São Paulo.

Cada pessoa que vai pra bienal tem alguma prioridade na hora de gastar, e a minha foi procurar autores nacionais que eu poderia pegar autógrafo. Deu pra conhecer autores novos pra procurar depois (já que apesar da ideia de deixar meu rim por lá como pagamento era atraente, porém não acho que os estandes aceitariam), deu pra tietar os migos, deu pra passar muita vergonha porque não sei muito bem como não parecer meio perturbada na hora de ficar perto de pessoas potencialmente legais. Sou dessas que não sabe conhecer gente nova legal sem parecer que vai morrer de nervoso no processo. Desculpa, gente. Meu jeitinho. Mas considero essa uma das coisas mais legais da bienal: a oportunidade de conhecer os autores de perto, nem que o contato seja rápido ou só um oi. Queria ter aproveitado melhor algumas das palestras, mas meus horários acabaram não batendo.

Voltei pra casa de coração quentinho pela quantidade de gente legal que pude rever e conhecer. Também voltei cheia de roxos nas pernas, arranhões nos braços, dores nos pés, nas pernas, nos braços e no pescoço e até agora meu calcanhar ainda dói um pouco quando encosta no chão e minhas mãos ainda não se recuperaram de ter lidado com o peso da minha mala (mesmo eu tendo sido salva pelo Felipe Castilho no último dia, que carregou minhas tranqueiras pra mim até o uber).

Tive alguns momentos de raiva, ódio e rancor, mas fazendo um balanço geral, foi lindo, foi cansativo, foi amor.

E até 2018.


18 comentários :

  1. Pooooxaaan! Deve ter sido incrivelmente legal pra caralho.
    Queria muito ir :'(

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    1. Vai se preparando pra próxima ^^

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    2. É que moro em Recife. Aí fica difícil. Felizmente tem a Bienal daqui de PE.

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  2. Adorei o depoimento... Quem sabe eu não vá em 2018... To devendo faz tempo...hehehe

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  3. Ah, passei por ai mas não conhecia seu blog! É bem legal ler um 'making off' pra saber como é fazer tudo ficar daquele jeito.
    A Bienal foi bem legal, conheci uns autores bem legais (que estavam nos estandes das editoras conversando). Meu maior problema foram as excursões. As crianças saiam correndo uma atrás das outras esbarrando em quem quer que fosse, cortavam fila, bagunçavam tudo. Imagino pra quem trabalha como não estava =( hahaha
    Mas faz parte né.

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    1. Participar da montagem é só emoção ^^ as excursões podiam mesmo ser melhor programadas, imagina como deve ser pros professores conseguirem cuidar daquele monte de aluno Oo

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  4. Queria muito ter ido na Bienal, várias blogueiras queridas lá e eu aqui :( na verdade, e eu na BGS, que nem tinha tanto jogo legal assim, mimimi

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    1. EU VI A DUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUDS *morre*

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  5. Deve ser muito legal participar dessa montagem de estantes.
    Nunca fui na Bienal, mas tenho muita vontade de conhecer o evento.
    Beijos, Aline
    Verso Aleatório

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    1. É uma experiência ótima, tomara que dê pra você ir!

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  6. Ir na Bienal já é aquele mix de emoções, imagino a loucura que é ir participando de montagem de estande etc etc etc. Incrível (e fiquei dolorida só de ler o post)

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    1. Só o gel pra pernas cansadas da Granado me salvou!

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  7. Ai, mesmo com os roxos e as dores, lendo tudo isso me fez pensar que deve ter valido a pena mesmo. Isso de ver a bienal nascer e tomar a proporção que verdadeiramente é deve ser demais. Mesmo (infelizmente) nunca tendo ido, imagino e sonho como deve ser legal, mesmo com essas filas que mencionou. Aliás, as escolas deviam se planejar melhor, hum? Ou talvez elas até tendem, mas os alunos são meio... bom, alunos. Sabe como é.
    Adorei que você compartilhou sua experiência. Adorei mesmo.

    Beijos,
    Bi.

    - www.naogostodeunicornios.com

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    1. É tudo meio mágico e cansativo mesmo *-* tomara que um dia dê pra você ir!

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  8. Deve ser muito incrível - e cansativo e intenso - trabalhar em um evento como esse. Não tive chance de ir este ano mas, na próxima, estarei lá! <3

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