TÃO ONTEM

›› autor: scott westerfeld
›› editora: galera record
›› isbn: 9788501076892
›› número de páginas: 314
›› título original: so yesterday
›› onde comprar: cultura | saraiva | submarino | amazon
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sinopse: aos 17 anos, Hunter é um Caçador de Tendências. Seu trabalho: identificar o que há de mais novo e bacana para o mercado seguir. Seu modus operandi: apenas observar. Mas a partir do momento que ele conhece Jen, uma Inovadora, ele não consegue evitar se envolver. De uma hora para outra, Hunter e Jen se vêem envolvidos em uma guerra mercadológica: uma carga repleta com os tênis mais legais que já viram, anúncios de produtos que não existem e um obscuro grupo dedicado a desestruturar a cultura consumista como a conhecemos.

Eu tenho uma paixão enorme pelo Scott Westerfeld, mas por algum motivo achei que em Tão Ontem ficou faltando alguma coisa que não sei ainda explicar.

Gostei muito dos personagens. Apesar de ser um Caçador de Tendências e ter um talento incrível exatamente em detectar o que fazer sucesso por aí, Hunter tem um jeito tímido. Creio que se ele pudesse ser invisível, o seria sem pestanejar. Um pouco disso é influência ainda de seu passado, de quando ele não era considerado “legal”. Todo seu estilo e talento foram moldados com muito cuidado, observação e catalogação do ambiente e das pessoas a sua volta – por isso é tão competente em seu trabalho. Aliás, ele também é muito bom em fatos aleatórios sobre as primeiras pessoas que fizeram coisas. Hunter observa tão bem que acaba conhecendo Jen por causa da maneira diferente como ela amarrava os cadarços dos tênis, que Hunter, quando os observa pela primeira vez, faz O Gesto – um pequeno aceno com a cabeça que as pessoas fazem quando vêem algo muito legal, geralmente o primeiro passo para quererem aquilo também. Jen, como toda Inovadora, é impetuosa e divertida e é graças a ela que Hunter acaba se metendo em todas as coisas que acontecem na história.

Todo o livro tem essa análise sobre consumo e consumismo, com frases diretas e divertidas, mas sem aquele ar de lição de moral. Hunter apenas nos apresenta o mundo em que ele vive, da forma como o vê, e nesse mundo, tudo é determinado pela mídia e pelo consumo. Todos os personagens apresentados vivem e respiram esse meio e têm características que os tornam únicos e importantes na trama mesmo se suas participações dure apenas algumas páginas.

Hunter e Jen começam tentando descobrir a razão do desaparecimento da chefe de Hunter, Mandy, e acabam envolvidos no que parece uma trama muito maior de algo novo que pode ou não ser perigoso, mas é, indiscutivelmente, misterioso e atraente. Tudo isso vai causando uma mudança na forma de pensar dos dois, e é evidente o crescimento dos personagens. E o clima de romance em algumas partes é muito fofo. Hunter é um observador nato, então seu crescente interesse por Jen vai surgindo de forma natural. Nada parece forçado.

Mesmo com tudo isso, senti falta de alguma coisa… tive muita dificuldade em entender o que raios é o anticliente, e esse é um termo MUITO importante na trama. Tentei pegar pelo contexto, mas não sei se foi minha lerdeza que não permitiu ou se foi falta de uma explicação mais explícita (ou talvez tenha sido um daqueles casos em que a tradução acaba tirando parte da graça da coisa), mas não consegui entender mesmo, o que me fez ter a sensação de que perdi algumas sacadas. Também achei o final muito insatisfatório – esperava algo completamente diferente. Talvez o problema tenha sido minha expectativa: ela era MUITO alta por se tratar de um livro do Westerfeld, então li esperando muita coisa e me frustrei um pouco ao encontrar um livro bom, mas não mais do que isso.

De qualquer maneira, ainda assim a leitura valeu a pena, e ainda tem uma grande vantagem: é livro único.


2 comentários :

  1. Tive a mesma sensação que você (e por conta disso não consegui terminar o livro). Amei a coleção Feios e a dupla "os primeiros dias" e "os últimos dias", mas Tão ontem não embalou aqui, falta alguma coisa. Não sei se eram os personagens ou se eu estava associando isso com uma birra com essa monetização de tudo que estava acontecendo na época. Mas quero voltar a ler, ainda tá lá na prateleira do Skoob.

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    1. Terminei por causa do meu amor por ele e porque guardadas as devidas proporções, tava interessante. Tenho PAIXÃO por Feios, ainda mais depois de ter lido o "Bogus to bubbly", que o Westerfeld explica todo o processo de criação da série. Já esse "os primeiros dias" e "os últimos dias" eu tenho aqui, mas não li ainda!

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