LUA DE VINIL

›› autor: oscar pilagallo
›› editora: seguinte
›› ISBN: 9788555340093
›› número de páginas: 164
›› onde comprar: cultura | saraiva | submarino | amazon
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sinopse: Em 1973, a ditadura militar comandava o Brasil. O Pink Floyd lançava o aguardado disco The Dark Side of the Moon. E Giba passava os dias jogando futebol de botão com os amigos do prédio, suspirando por Leila, sua vizinha irreverente e descolada. Ele tentava ignorar o estado grave de seu pai, internado no hospital, e não sabia que a violência do governo estava muito mais perto da sua casa na Vila Mariana do que ele imaginava. Até que, num dia tranquilo de março, ele acaba causando um acidente e se vê obrigado a lidar com um dilema moral que o fará abandonar a inocência dos dezesseis anos para sempre.

Fiquei empolgada quando soube que ia sair um juvenil nacional que teria a ditadura como pano de fundo, e um dos motivos foi que provavelmente seria um livro que professores poderiam trabalhar em escolas. Seria uma boa oportunidade de levar pra sala de aula um juvenil nacional publicado atualmente. Terminei a leitura com essa sensação confirmada: um bom professor de literatura ou história pode fazer um trabalho bem legal em cima dele, mas pessoalmente a leitura não me agradou tanto assim.

O livro não é ruim nem mal escrito, tem até a resenha que a Lorena fez lá na Pólen mostrando o quanto ela gostou da leitura, só que não rolou química entre a gente. Não consegui me conectar com os personagens e o começo foi monótono por mais de 50 páginas. Não abandonei a leitura porque queria muito ir até o fim pra ver se o clima mudava, mas não é algo que ultimamente eu faça muito. Já tem um tempinho que desapeguei de insistir em livros que não pegam meu interesse desde o início, a não ser que venham com algum selo de aprovação de amigas, então se fosse algum outro (se não fosse sobre ditadura, se não fosse nacional), eu teria deixado de lado. Tem muitas descrições de marcas de objetos e roupas (tem o nome da calça que ele usa, do tênis, da televisão, do rádio, de quase tudo) e isso acaba sendo meio cansativo.

O autor também menciona muitos lugares, mas pra mim isso só não funcionou porque não conheço muito bem nenhum deles ou não lembrei direito, então meio que ficou por isso mesmo. Mas dá pra considerar um ponto positivo pra quem sabe que locais são esses, eu é que dei azar nessa parte mesmo. Um exemplo de como isso funciona bem quando o leitor reconhece de cara é o conto da babi Dewet em Um ano inesquecível, chamado O som dos sentimentos, que fala muito do MASP. Eu dei pulinhos de alegria por saber do que ela estava falando.

Mas voltando ao Lua de vinil. A história engata lá pela página 60, mas senti que a parte realmente interessante veio só no último terço da leitura. Achei que o acidente mencionado na sinopse, ainda que tenha dado pequenas pistas sobre algo maior que aconteceria depois, foi resolvido de uma maneira meio sem grandes consequências.

Acabou sendo uma leitura sem muitas emoções, mas por isso insisto que ele cairia bem numa sala de aula. Trabalhando em cima da história do livro, do contexto e dos acontecimentos, talvez dê pra aproveitar bem mais. Tem cara do tipo de leitura que melhora bastante com um acompanhamento, mais ou menos como ler a versão comentada de Alice no país das maravilhas é uma experiência diferente de ler o livro "no seco".


outras resenhas

Tem a da Polyane no Diário de seriador
A Aninha resenhou lá pro Sete coisas
A que a Lorena fez pra Pólen tá no link citado na própria resenha



6 comentários :

  1. Realmente, parece ser um bom livro para ser trabalhado em escolas. Lembro que na minha escola a gente aprendeu sobre a ditadura por iniciativa própria: os professores basicamente nada disseram e eu, rata de biblioteca que sempre fui, revirei o acervo da biblioteca da escola atrás de livrinhos sobre o assunto. Achei alguns de reportagem beeeeeeem legais, mas nenhum literário. Uma pena, teria ajudado mais. (Depois fiquei sabendo da existência de mais alguns, esses literários, mas já tinha me formado e né, a informação tinha de ter chegado a mim por meus professores, de fato.)

    Tem uma tag lá no blog pra tu responder: http://miasodre.blogspot.com.br/2016/08/tag-o-poderoso-chefao.html

    ;*

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    1. Não lembro bem o que aprendi de ditadura no colégio ou como foi, mas na faculdade as aulas eram ótimas (uma das poucas coisas que lembro do que aprendi nessa época!). É um assunto que eu queria ver sendo mais explorado em literatura juvenil.

      VOU FAZER A TAG *-*

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  2. Onde você encontra esses livros incríveis??

    ✦ ✧ http://bruna-morgan.blogspot.com ✧ ✦

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    1. Compensa ficar de olho nas redes sociais das editoras, principalmente as juvenis, que sempre tem coisas legais *-*

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  3. Nossa, que incrível. Eu acho que seria muito interessante trabalhar com a cabeça dos adolescentes lendo esse livro. Aliás, comecei a gostar de ler na adolescência por esse motivo.

    Adorei a dica.

    Beijos!

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    1. Queria muito ver esse livro indo pra sala de aula!

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