Não sei ficar doente parte 2: embalagem de antibiótico não é comestível


Depois do médico ter me garantido que não, eu não ia morrer por garganta inflamada, comprei o antibiótico e o antialérgico (aproveitei e reabasteci meu estoque de remédios pra dor de cabeça) e fui pra casa cometer mais um erro: ler a bula. Costumo ler sempre por masoquismo (a parte das reações adversas sempre me deixa meio em pânico), mas dessa vez a coisa parecia ser realmente útil porque quando abri o antibiótico tinha um pacotinho bem pequenininho de alguma coisa dentro, junto com os comprimidos. Mas na bula não tinha nenhuma menção àquilo, nada indicando como nem se deveria ser tomado, então deixei pra lá. Na receita o médico já tinha deixado certinho como eles deveriam ser tomados, então se ele não tinha dito nada fora de comprimidos, estava tudo bem, não é?


Eu tinha esquecido o tamanho que um comprimido de antibiótico tem. E o tamanho de um antialérgico. E é claro que, acostumada a tomar dois remédios pequenos juntos (a pílula e a paroxetina), eu tentei meio que por memória muscular engolir os dois ao mesmo tempo.

A minha sorte é que o antialérgico era só pra 3 dias, então não deu tempo de cometer o mesmo erro de novo. Pois não duvide, se fosse mais tempo, ele se repetiria. Sou dessas.

Mas a garganta ia melhorando, a dor de ouvido passou em dois dias, meu nariz é eternamente entupido logo não faz diferença mesmo, era pra tudo estar correndo bem. Se eu não tivesse começado a tossir como se meu corpo estivesse rejeitando meu pulmão. É tipo aquela ideia de que encanador conserta os canos ferrando com a fiação, mas nesse caso eu estava resolvendo um problema de saúde enquanto meu corpo encontrava outro pra colocar no lugar.

meu corpo tentando resolver as coisas
Já perto do final do tempo do antibiótico, comecei a achar muito estranho que a tosse não sumia de jeito nenhum e a garganta, apesar de bem melhor, ainda não tinha parado completamente de doer. Por um desses motivos que talvez no dia do juízo final deus me conte a razão de ser, eu associei isso com o tal pacotinho e cometi mais um erro: fui jogar o nome do remédio no google. Encontrei algumas informações sobre ele em comprimido e em pó, e então três coisas passaram pela minha cabeça:
1) era pra eu ter tomado aquele pacotinho
2) eu não tinha tomado o pacotinho, logo o antibiótico não ia funcionar direito
3) eu ia morrer
Li páginas e mais páginas falando sobre as duas versões, mas nenhuma dizia exatamente como eu deveria tomar ele em versão comprimido E em pó. Aí fiquei desesperada, acendi as luzes da casa e fui acordar minha mãe pra avisar que não estava tomando o antibiótico direito sem querer e ia morrer.

Tudo isso era duas da manhã.

Depois de ter escutado algo como "EU NÃO VOU LIDAR COM ISSO ÀS DUAS DA MANHÃ", decidi que ia tomar o que tinha no pacotinho com água mesmo e que deus tivesse piedade da minha alma.

Só que antes eu resolvi fazer o que devia ter feito desde o começo: eu li o que estava escrito naquele pacotinho do tamanho de metade do meu dedo mindinho.

Não
era
remédio.


Era só um pacotinho embalado pra absorver qualquer possível umidade dentro da embalagem do antibiótico. Inclusive estava escrito em vermelho que não era pra comer. Tipo dessecante. E foi assim que eu quase comi um componente de embalagem de antibiótico.

Ficar doente é muita emoção. Eu nunca sei se a possibilidade de morrer é maior por causa da doença ou por minha própria culpa mesmo.

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