Não sei ficar doente parte 1: não sei não achar que vou morrer no consultório médico


Não sei ter dor de garganta sem quase morrer no processo: toda vez que acontece, é caso de ir pro hospital e tomar antibiótico. Era de se esperar que aos 30 anos eu já teria aprendido isso, mas aprender com meus próprios erros é um negócio que acho que nessa encarnação não vai rolar.


Garganta doeu no primeiro dia, achei que só pensamento positivo ia resolver. Fiquei surpresa quando não resolveu.

Garganta doeu no segundo dia, fiz o que qualquer pessoa sensata faria: fui pedir ajuda no twitter de receitas de vó. Tentei a do leite com canela (ficou horrível, odeio canela fora de bolinho de chuva) e a do gargarejo com água e sal (engoli a água sem querer, não foi legal). Resolveu por meia hora.

Foi preciso chorar de dor de madrugada pra resolver fazer algo decente a respeito, então minha mãe me acompanhou ao hospital. A essa altura doía também o ouvido e o nariz entupia aleatoriamente. Obviamente eu estava morrendo.


Não precisou de nem dois minutos pro médico constatar que sim, minha garganta estava loucamente inflamada, mas não, não era nada grave. Até aí tudo ótimo, mas é claro que não ia ficar assim por muito tempo.

Eu sou uma pessoa meio sugestionável em determinadas situações. Uma delas é consultório médico. E também sou meio paranoica e tenho uma certa tendência a achar que todas as doenças que eu tenho invariavelmente virarão coisas graves e eu vou morrer. É involuntário. Uma vez achei que meu nariz escorrendo era líquido do cérebro saindo pelo nariz. Já chorei e tive crise de ansiedade de madrugada porque estava com dor de cabeça e resolvi pesquisar como era uma tomografia e cheguei à conclusão de que nunca ia conseguir entrar naquela máquina porque tenho medo de espaços pequenos então o tumor que eu potencialmente poderia ter no cérebro não seria descoberto nunca e eu ia morrer.

Então quando o médico resolveu examinar meu ouvido e perguntou se algum dos dois doía mais que o outro, senti todo o sangue fugir da minha cara. Porque eu não via diferença.


Os dois doíam igual. Tinha alguma coisa errada nisso? Era pra um estar doendo mais que o outro? Isso significava alguma coisa? Tinha um inflamado e o outro não? Eu ia ficar surda? Eu ia morrer?

"... eu não vejo muita diferença... acho que o direito?"
"Seu ouvido esquerdo tá um pouquinho afetado pela inflamação da garganta."

Pronto. Errei qual ouvido estava doendo mais. Eu devia ter ficado quieta. E se eu estiver perdendo a sensibilidade no ouvido? E se eu estiver perdendo a capacidade de diferenciar direita de esquerda? E se o médico achar que eu tô mentindo, não receitar nada, eu voltar pra casa e morrer dessa coisa obviamente grave que eu tenho na garganta e no ouvido? E se não for nada grave, ele não receitar nada, eu voltar pra casa e de repente virar algo grave? Eu ia morrer?

Não era nada grave e ele receitou os remédios que precisava, entre eles um antialérgico e um antibiótico. Antialérgico por 3 dias, antibiótico por 7. Era pra ser bem simples.

Não foi, mas isso fica pro próximo post, quando eu explicar como eu quase comi um componente da embalagem do antibiótico sem querer. Vai vendo.


2 comentários :

  1. 1. guria, que plaquinhas maravilhosas essas que cê faz pra ilustrar os posts ♥
    2. SEMPRE ACHO QUE VOU MORRER TAMBÉM! é toda uma aflição porque todo mundo me diz que vou ficar bem, mas na minha cabeça já estou morrendo.

    Dia desses distendi um músculo do pescoço por conta do stress (sério), mas na minha muito criativa mente eu estava morrendo de tuberculose (tive tosse nos mesmos dias porque FRIO, resfriado e tal) e seria uma espécie de versão feminina pós-moderna de Álvares de Azevedo. "Todos os poetas morreram de tuberculose", mal do século e blablabla.

    Ou seja: dá cá a mão que te entendo.

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    1. Minha letra <3 preciso dar uma melhoradinha na hora de passar pro photoshop!

      Nossa, E LER A BULA? PIOR COISA É LER A BULA! Eu sempre acho que vou ter todos os sintomas!

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