3 livros para ler Mia Couto


 Eu li Mia Couto pela primeira vez por indicação, e acho que foi uma das mais acertadas que já me deram.

Mia couto nasceu em 1955, na Beira, Moçambique. É biólogo, jornalista e autor de mais de trinta livros, entre prosa e poesia. Seu romance Terra sonâmbula é considerado um dos dez melhores livros africanos do século XX. Recebeu uma série de prêmios literários, entre eles o Prêmio Camões de 2013, o mais prestigioso da língua portuguesa, e o Neustadt Prize de 2014. É membro correspondente da Academia Brasileira de Letras.






Inclusive queria saber falar melhor sobre ele, mas nesses momentos sempre me dá um sério problema de falta de léxico, talvez porque pra mim a escrita dele é muito mais algo de sentir do que explicar. E o que eu consigo sentir é que
É
TUDO
MUITO
BONITO.

Eu tenho a impressão de que ele conseguiria transformar uma receita de bolo na coisa mais poética e delicada do mundo. A mistura de real com fantástico, os jogos de palavras, os trocadilhos. Dá uma olhada nesse trecho de um dos contos de Estórias abensonhadas, que por sinal é um dos 3 livros que quero indicar:

Primeiro, faz o seguinte; o doutor junta no peito não aquela imediata e justificada tristeza. Faz muito mal chorar uma tristeza de cada vez. Em cada momento a gente tem que chorar todas as tristezas de todas as vida. É preciso chamar as antigas amarguras, juntar todas aflições. Faz conta construímos um dique, grande, para estancar as águas. Aqui, está a ver? Deixe-me pôr a mão no seu peito. Vá. Desabotoe a camisa, doutor. Sim, aqui. É aqui que vão inchar os afluentes e rios e começar uma inundação. De repente, o senhor vai ver: tudo se rebenta e águas jorram. O choro é uma paixão: a gente acaba e estamos cansados, como os corpos que fizeram amor.

Precisa falar mais alguma coisa?

ESTÓRIAS ABENSONHADAS
Companhia das letras
capa antiga: cultura | saraiva | submarino | amazon
capa nova: cultura | saraiva 

Coloquei aqui a capa antiga porque é o exemplar que eu tenho. São ao todo 26 contos que se passam no período após os quase trinta anos de guerra em Moçambique. As histórias são curtas e com jeito de cotidiano, como se o leitor fosse convidado a presenciar pequenas cenas da vida daquelas pessoas. Talvez eu esteja sendo meio influenciada pelo fato desse ter sido o primeiro livro que li dele e por ter gostado tanto, mas acho que a melhor maneira de ter um primeiro contato com a escrita do Mia Couto é com esse livro. Se tiver alguma dúvida, só reler a citação lá em cima. Ou dar uma olhada nessa resenha aqui, que fala bem melhor sobre esse livro do que eu. Eu só sei dizer que é bonito e que todo mundo devia ler e dar de presente pras pessoas que gosta.

A MENINA SEM PALAVRA
Boa companhia
cultura | saraiva | submarino | amazon

"NOSSA, MAS OUTRO DE CONTOS???" gente, pega na mão de deus e vai com fé. Esse é uma antologia de contos que foram escritos em vários momentos diferentes da vida do Mia Couto, todos eles retratando o universo infantil de Moçambique. Do próprio site da editora: "As histórias selecionadas mostram a complexidade que move as relações familiares, a orfandade em um país que viveu por anos em guerra, a realidade das crianças submetidas ao trabalho infantil e os resquícios da luta pela independência.". São 17 contos ao todo. Eu dei uma choradinha em um ou outro, porque todo mundo sabe que qualquer tipo de sentimento é sempre potencializado quando os protagonistas da história são crianças. E também é uma boa escolha pra conhecer Mia Couto.

A CONFISSÃO DA LEOA
Companhia das letras
capa antiga: cultura (ebook) | saraiva | submarino 
capa nova: cultura | saraiva | amazon

Coloquei a foto da capa antiga por ser a que eu tenho no ebook, mas por aí talvez seja mais fácil encontrar a capa nova, que ficou linda, inclusive quero. Uma aldeia moçambicana começa a ser atacada por leões vindos da savana, que começam a matar os habitantes e um caçador, Arcanjo Baleiro, é enviado pra resolver a situação. Enquanto isso, na aldeia, Mariamar, cuja irmã Silência foi morta pelos leões, tem suas próprias teorias sobre o que anda acontecendo com esses ataques. A história é narrada por esses dois personagens e é uma boa opção pra quem não quer começar pelos contos. É um livro pra ser lido devagarinho. AH, e a história foi inspirada em um evento real de quando Mia Couto estava numa expedição em Moçambique em 2008.


Outra opção legal de romance é O último voo do flamingo (aqui o link com a capa antiga) e eu tenho em casa o primeiro volume publicado aqui no Brasil da trilogia As areias do imperador, com o título de Mulheres de cinzas, mas não li ainda. Agora em julho também sai uma antologia poética com poemas selecionados pelo próprio autor, Poemas escolhidos. Todos são também da Companhia das letras.

De qualquer maneira, tanto faz se sua escolha for começar por contos, por romance ou por poesia: vai valer a pena. É TUDO MUITO BONITO.


4 comentários :

  1. Mulheres de Cinzas <3
    O que falar desse post? É TUDO MUITO BONITO <3

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  2. Oi Mareska!
    Conhecia Mia Couto no Ensino Médio, mas como tinha que ler por obrigação acabei não me interessando muito. Agora, já tenho curiosidade em ler alguma das suas obras e acho que vou começar pelas suas indicações!

    Beijos,
    Epílogos e Finais

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    1. Tem um monte de coisas que eu li por obrigação no colegial e que eu não odiei, mas dá vontade de ler de novo porque tenho a impressão de que vou aproveitar muito mais agora!

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