3 dos livros mais esquisitos que já li + 1 bônus que eu não lembro direito


Quando eu trabalhava em livraria, costumava escolher boa parte dos livros que queria ler por causa do título. Até hoje, na verdade. É que eu não resisto a um título grande ou esquisito, e por causa disso já fui surpreendida várias vezes, tanto de maneira positiva quanto negativa, ou... é que às vezes apareciam alguns, ou pegos de forma aleatória ou por recomendação, que independente de serem bons ou não, eu terminava a leitura com uma enorme sensação de "... o que foi que eu acabei de ler?". O que, de certa forma, é uma ótima reação pra se ter ao terminar um livro, dependendo do ponto de vista. E às vezes o negócio é tão tenso que mesmo quando você adora, depois de um tempo não lembra direito os detalhes ou a ordem dos eventos. Tipo uma pessoa de ressaca tentando contar se a festa foi boa sendo que ela nem lembra direito como voltou pra casa.


DIGAM A SATÃ QUE O RECADO FOI ENTENDIDO
Daniel Pelizzari, Companhia das letras
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Uma agência de turismo em locais mal-assombrados de Dublin (e inventados pelo dono), um irlandês brigão e mal educado, uma adolescente numa peregrinação suicida, cultos estranhos, pessoas perdidas, podem ou não estar querendo sacrificar pessoas para um deus-lagarto, terrorismo e outras coisas super tranquilas, bem dia-a-dia mesmo. Os capítulos são alternados entre três personagens, e às vezes a mesma cena é mostrada por outro ponto de vista. Eles vão se enfiando nas situações mais loucas e se afundando nelas cada vez mais e enquanto isso o leitor fica com cara de "... que que tá acontecendo???". Tudo tem conexão e acaba fazendo sentido, mas até chegar lá, é o tipo de livro que você pode ou não entender o que está acontecendo na história e se não estiver, não tem problema, pega na mão de deus e vai com fé. Não tem como fechar esse livro sem ter a sensação de não ter muita certeza do que foi que se acabou de ler.

A PASSAGEM TENSA DOS CORPOS
Carlos de Brito e Mello, Companhia das letras
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O narrador, que de início não se tem muita noção de quem é (ou do que é), é encarregado de contabilizar as mortes que acontecem em diversas cidadezinhas. No entanto, em uma determinada cidade, encontra um morto que não passou por todos os rituais que costumam envolver a morte - velório e enterro e todas as outras firulas. O morto (envenenado) é ignorado por todos na casa - pela filha e pela esposa, que planejam o casamento da jovem (mas não há noivo) e pelo filho que nunca sai do quarto. Amarrado a uma cadeira como se estivesse apenas sentado descansando, o morto impede o narrador de seguir em frente ou dizer o nome da cidade enquanto não puder contabilizar aquela morte. É tudo maravilhosamente esquisito, e fica mais ainda quando se descobre a identidade do narrador. Spoiler em branco (que na verdade não acho que estraga a história saber): o narrador é uma língua. É. Eu avisei que era esquisito.

VOCÊ É UM ANIMAL, VISKOVITZ
Alessandro Boffa, Companhia das letras
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Cada capítulo traz uma história diferente usando sempre os mesmos personagens: Viskovitz, o principal, Liuba, seu eterno grande amor, e poucos outros. A diferença é que, em cada história, os personagens são animais diferentes. Animais da savana, camaleões em crise de identidade, caramujos, micróbios, escorpiões, tubarões e outros. Mas qual a parte esquisita? O autor é um ex-biólogo, e isso fica bem evidente na narrativa e na caracterização dos personagens, afinal, não dá pra falar num caramujo com mão e perna e boca e etc, então o autor troca isso tudo pelas partes anatômicas certas dos animais em questão. Em compensação, um dos animais de repente fala algo como "toquei seu rosto com a rebimboca da parafuseta", e se você não sabe o que é a rebimboca da parafuseta, vai ter que procurar no Google (vai ter que procurar frases inteiras, às vezes). E até que você faça isso e as descrições ganhem sentido, fica tudo muito esquisito.


BÔNUS 

LOUCO AOS POUCOS
(original: Going bovine)
Libba Bray, iD
Eu li poucos livros da Libba, mas amo essa mulher de paixão, e meu primeiro contato com ela foi com esse livro, mostra a que veio já na sinopse: Cameron Smith tem 16 anos e foi diagnosticado com a doença da vaca louca, ou seja, ele vai morrer. Então ele sai numa espécie de roadtrip com Dulcie, uma anja punk, Gonzo, um garoto anão neurótico, e Balder, um deus viking aprisionado no corpo de um gnomo de jardim. E isso não é nem metade das coisas esquisitas que vão surgindo na história, principalmente porque a maioria é tão louca que eu não lembro direito de parte delas, inclusive faz um tempo que ele anda na minha lista de releituras. Mas posso garantir que é um dos livros mais esquisitos que já li. Não sei como tá pra conseguir encontrar um exemplar agora, já que a iD não existe mais, mas o ebook em inglês eu sei que acha tranquilo.

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