O MENINO QUE DESENHAVA MONSTROS


›› autor: keith donohue
›› editora: darkside
›› isbn: 9788594540010
›› número de páginas: 252
›› título original: the boy who drew monsters
›› onde comprar: cultura | amazon | saraiva | submarino
 ›› sinopse: Três anos atrás, Jack Peter, um garoto com síndrome de Asperger, e seu amigo, Nick Weller, quase morreram afogados no mar. Desde então, Jack sofre de agorafobia, o que torna a vida de seus pais cada vez mais complicada, e eles cada vez mais preocupados com o filho. Jack agora tem uma nova obsessão: desenhar monstros, o tempo todo.  Logo Jack começa a reclamar da existência de monstros embaixo de sua cama, na mesma época em que seu pai começa a ser atormentado pela visão de um vulto branco misterioso e sua mãe começa a ser assombrada por sons e sonhos estranhos envolvendo o mar e um navio naufragado há centenas de anos. Alguma coisa quer entrar na casa, e talvez essa coisa queira Jack Peter... ou sua família inteira.

Quando peguei O menino que desenhava monstros pra ler, já tinha algumas hipóteses sobre o que poderia acontecer. Poderia ser um livro 100% sobrenatural/terror psicológico, poderia ser um livro sobrenatural como uma metáfora pra alguma coisa (meio no estilo do filme Babadook) ou poderia começar como sendo sobrenatural, mas ter uma explicação "pé no chão" pra tudo. Dependendo do que a pessoa que vai ler espera, talvez se decepcione com o que vai encontrar. Não foi meu caso, mas de qualquer maneira, deixo aqui escrito em branco (caso alguém considere spoiler ou só não queria saber mesmo) qual das possibilidades você encontra aqui: o livro é 100% sobrenatural/terror psicológico. Quis deixar avisado porque sei que algumas pessoas às vezes acabam se decepcionando bastante quando pegam um livro achando que é uma coisa e descobrem que é outra.

Outro conselho: não leiam a última página. Quer dizer, no final do livro tem algumas páginas em branco reservadas pra que o leitor desenhe seus próprios monstros, mas a última página da história é meio a que realmente explica a parada toda. Então se você ler, vai tomar um spoiler enorme no meio da cara. Eu não costumo ligar pra spoilers, inclusive tenho o costume de procurar o final dos livros antes de começar a ler, mas esse livro é um daqueles casos em que saber o final pode potencialmente estragar a leitura ou tirar um pouco da graça. Então já fica aqui o aviso.

ALIÁS, eu não li a última página, como sempre faço. Nem sequer li resenhas, então não tinha muita noção do que ia encontrar fora o que tinha lido na sinopse. Eu não sabia nenhum spoiler.

Eu quis morrer durante a leitura. Minha ansiedade não comporta essas coisas, gente.


Não achei que o livro assusta, inclusive acho que só tive medo mesmo em uma ou duas cenas, mas ele dá muito nervoso e agonia porque você sabe que tem alguma coisa acontecendo, você sabe que Jack Peter sabe o que está acontecendo, mas você não consegue saber o que diabos está acontecendo. Sim, Jack Peter desenha monstros que podem ou não estar saindo do papel pro mundo real, mas o autor apresenta outras possibilidades que podem explicar as coisas. Tudo pode ou não estar conectado, todos os personagens podem estar certos ou todos eles podem estar errados. É meio desesperador.

O livro traz poucos personagens, todos eles bem desenvolvidos dentro do seu propósito no livro. Também traz poucos cenários: a maior parte da história acontece dentro da casa/no terreno da família de Jack Peter, O ritmo do livro também é lento: não espere acontecimentos grandiosos ou muita ação. Mas não daria pra ser diferente, já que esse ritmo de leitura ajuda a dar o clima da vida dos personagens. Os Keenan moram no Maine, à beira mar, e a história se passa perto do Natal, cheia de neve. A maioria das casas em volta do terreno deles ou é de veraneio ou os moradores estão viajando, e tudo é cercado por árvores, areia, neve e muito silêncio. Somando a isso a agorafobia de Jack Peter, a família acaba sempre meio enclausurada. A vida deles é lenta, e o ritmo do livro reflete isso.

Além de Jack Peter, da mãe e do pai começarem a ser assombrados pelas coisas estranhas que começam a acontecer, ainda dá a impressão de que são assombrados pela própria vida familiar. O pai de Jack, Tim, por um acordo com a esposa, que ganhava mais, fica em casa, cuidando de tudo e de Jack. Ele ama muito o filho, e talvez esse amor todo o deixe cego ao real estado de Jack Peter. Ele também soa meio ressentido pelas coisas que nunca pôde fazer - assim como sua esposa, Holly, que ama o filho na mesma medida em que se ressente pela condição dele. E temos o próprio Jack Peter, que é a única pessoa do livro todo que sabe exatamente o que está acontecendo, mas por algum motivo não diz nada a ninguém e tem dificuldades em lidar com o mundo à sua volta. Ele pode ou não estar piorando, e isso pode ou não estar relacionado com os monstros que desenha sem parar.

Também vale mencionar a relação dos Keenan com Fred e Nell Weller, pais de Nick, melhor amigo de Jack. Os Weller e os Keenan são amigos desde antes das mulheres engravidarem, e os meninos cresceram juntos. Os Weller são simpáticos e agradáveis, mas bebem demais devido a alguma coisa que aconteceu em suas vidas, e apesar de Nick e Jack Peter serem amigos (Nick é a única criança que se aproxima de Jack Peter e sabe lidar com seu jeito), em vários momentos fica evidente que existe algum tipo de animosidade entre os dois. Talvez Nick não queira mais ter que aguentar Jack Peter, e talvez Jack Peter também esteja cansado de Nick. E tudo isso pode estar relacionado com o dia em que os dois quase morreram afogados, três anos atrás.

Dá pra saber que Nick tem grande importância na história exatamente por ele ser a única criança amiga de Jack Peter, e, por isso, ele também começa a ser afetado pelos acontecimentos bizarros que começam a cercar os Keenan. Ele também é um dos narradores da história, ao lado de Jack Peter e seus pais. Esses pontos de vista ajudam a entender melhor os relacionamentos entre os personagens, já que, além de O Grande Mistério, esses relacionamentos são parte do atrativo da história.

AH! O livro vai virar filme pelas mãos de James Wan, diretor de Jogos Mortais e Invocação do mal. Socorro.


›› outras resenhas

Tem uma no canal Pronome Interrogativo da versão em inglês
No canal Nazgûl nas masmorras também tem uma análise bem legal

2 comentários :

  1. A Darkside não sabe brincar. Já to aguardando chegar o meu. ahehueh

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    1. Meu bolso não tá comportando essas coisas gente ALGUÉM DÁ LIMITES PRA ELES

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