Os sapos que eu não vou engolir porque são sapos de verdade


Eu não sei exatamente qual a dimensão da birra que Deus tem de mim, mas sei que é grande o suficiente pra achar que tá tudo bem fazer um sapo entrar no meu quarto. Pelo menos ele foi educado e bateu na porta antes.


Fui uns dias atrás, de madrugada. Eu quietinha no meu canto, pronta pra fingir pra mim mesma que ia conseguir dormir antes das 4 da manhã. Era pra ser uma coisa bem simples, só escovar os dentes e deitar. Ir dormir não era pra ser complicado. Não era pra ter imprevistos (insônia não é mais imprevisto, é rotina).

Não era pra ter barulhinhos do lado de fora da porta do meu quarto.

No auge da minha ingenuidade, pensei que podia ser só... sei lá, vento, ou alguma lagartixa que tivesse sobrevivido aos meus gatos. De qualquer maneira, não dei bola. Abri a porta e senti que alguma coisa "passou" pelo meu pé, mas como já me acostumei a tropeçar nos meus próprios pés, pensei que devia ter batido numa dobra do tapete, ou algo assim, afinal, ninguém espera sair do quarto e ser atacado por alguma coisa.

A vida tem esses jeitos estranhos de te lembrar que ela tá ali, à espreita, observando, só esperando um deslize seu, ou uma saída pra escovar os dentes e ir dormir.

Voltei pro quarto pra desligar o computador e lá estava aquele montinho amarronzado e olhudo perto da cadeira.

Faço aqui uma pequena pausa pra reclamar que fui enganada a vida toda por desenhos e gibis: foram raríssimas as vezes que vi um sapo verdinho igual lápis de cor. Se vi, nem lembro. A maioria tinha sempre esse tom amarronzado sem graça. Me sinto traída.

De qualquer maneira, lá estava o sapo perto da cadeira. Nem era um sapo grande. Era um pouco menor do que meu punho fechado. Acreditem, já vi sapos muito maiores que isso no quintal de casa. Mas esse não estava no quintal. Estava no meu quarto. E se ele estava no meu quarto, ele tinha que ter entrado por algum lugar.

Pela porta.

Quando eu abri.

Aquilo que senti no meu pé era o sapo pulando nele pra poder entrar.


Considerei cortar o pé fora, mas antes disso eu dei um grito e um pulo que deve ter deixado o sapo com tanta inveja que ele ficou com vergonha e foi se esconder debaixo da minha cama.

Obviamente fui fazer o que qualquer pessoa da minha idade faz numa situação dessas, que foi correr pra minha mãe pedindo socorro. E é claro que ela resolveu a situação com uma vassoura e uma sacolinha de plástico, conseguindo assim jogar o sapo (vivo) pra fora de casa.

É claro que depois dessa eu não consegui dormir. Porque essa não foi a primeira vez que um sapo resolve esquecer todas as regras de convivência social e entrar em casa sem ser convidado e sem avisar antes, como visitas costumam fazer.

Já teve sapo entrando no meu quarto antes.

Já teve sapo pulando pela janela da sala na hora da novela e pulando em cima do sofá.

Já teve sapo pulando dentro do bolso da bermuda do meu avô.

Mas eu vou tentar ser otimista. Enquanto não chegar a vez da praga dos primogênitos, tá tranquilo, tá favorável.

4 comentários :

  1. Sapo noveleiro é novidade pra mim. Pobre Mahh, não merece essa sapeira toda.

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  2. Sapo é coisa de bruxaria! Brincadeira hahaha... mas vai que

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    1. Vou encher os cantos do quarto de sal grosso!

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