O HISTÓRICO INFAME DE FRANKIE LANDAU-BANKS


›› autora: E. Lockhart
›› editora: Seguinte
›› ISBN: 9788565765206
›› páginas: 335
›› título original: The Disreputable History of Frankie Landau-Banks
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Sinopse: A volta de Frankie ao colégio depois das férias parecia não poder ser melhor: seu corpo ganha curvas de parar o trânsito, começa a namorar o cara mais popular do colégio e se enturma bem com os amigos super legais dele. Mas Frankie já não é mais a mocinha doce e apagada de antes, e o colégio Alabaster e os membros da Leal Ordem dos Bassês vão sentir na pele o que uma garota com um objetivo pode fazer.

Eu lembro que meu interesse por esse livro só apareceu depois que a Seguinte divulgou que ia lançar aqui no Brasil – quando vi no Goodreads, não dei muita bola. Então ele apareceu na livraria, com aquela capa linda que me deixou uns bons segundos a mais do que gostaria tentando decifrar o título (sou lerda, me larguem), e na quarta capa elogios do John Green, Scott Westerfeld e Libba Bray. Esses elogios acabaram aumentando minha vontade de ler, já que são três dos meus autores preferidos.

Como tem lá na sinopse, em um intervalo muito curto de tempo Frankie ganhou curvas e um namorado: Matthew Livingston, o cara mais popular do colégio Alabaster. E junto com Matthew veio o grupo de amigos dele, todos garotos engraçados e sem medo de fazer piadas autodepreciativas por causa do tamanho da autoestima deles. Isso poderia tornar a vida de Frankie uma maravilha, se ela tomasse o rumo mais usual de livros com histórias que envolvem amores em colégios.

Se.

Seu relacionamento é ótimo e sua nova turma é incrível, mas Frankie fica extremamente incomodada não só com os segredos que Matthew parece esconder dela, mas com a maneira como é tratada. Mais de uma vez, Frankie sente que é vista como uma garota bonita e bem-humorada, mas inofensiva. Alguém que é ótima companhia, mas talvez seja ainda mais ótima se, sabe?, ficar mais quieta. Questionar menos. Discutir menos. Se ficar paradinha e rir das piadas feitas. Se for alguém que precisa ser protegida. Mas se tem algo que Frankie não precisa, é ser protegida, e se tem algo que ela não é, é inofensiva.

Ele gostava genuinamente dela, ela sabia. Talvez até a amasse. Só que a amava de uma maneira limitada.
A amava mais quando ela precisava de ajuda.
A amava mais quando ele podia definir os limites e fazer as regras.
A amava mais quando ela era uma pessoa menor e mais nova do que ele, sem nenhum poder social. Quando ele podia adorá-la por sua juventude e charme e protegê-la das preocupações da vida.

E, percebendo tudo isso, Frankie não se sente muito inclinada a deixar pra lá. Em algum lugar existe alguma coisa pinicando, e ela quer saber o que é. E começam os questionamentos sobre diferentes formas de tratamento, gênero e feminismo. Os elogios simpáticos que Matthew faz a Frankie no livro são esmiuçados palavra por palavra, cada gesto feito, de forma a mostrar que coisas aparentemente bobas, no fundo, são formas de controle e manipulação, mesmo que inconscientes. Tem uma cena em que Matthew diz que ela é maravilhosa e pede a ela que nunca mude. Bonitinho, mas uma das primeiras coisas que Frankie pensa é “não me diga o que fazer”.

Frankie decide mostrar que pode muito bem tomar as rédeas de qualquer situação quando começa com as interferências na Ordem Leal dos Bassês, e em pouco tempo se mostra muito mais competente e criativa que todos eles – ainda que ninguém saiba que é ela por trás de tudo.

Frankie observando o patriarcado
Não que Frankie seja infalível. Derrapadas acontecem, algumas situações saem do controle, mas ela é, antes de tudo, uma adolescente aprendendo que não há problema em ser ambiciosa e que deixar que alguém a faça se sentir menor só pra manter um relacionamento é um crime que não compensa.

E então eu chego no ponto que realmente queria com essa resenha.

O romance não é o foco desse livro. Isso não é a história de como um amor de colégio despertou a real personalidade de Frankie. Esse livro não é sobre isso. Esse livro é sobre a Frankie. É a sua história. Seus questionamentos, seus acertos, erros, consequências. É sobre como tudo que acontece faz com que Frankie comece a encontrar um caminho a seguir. E lembro que, quando li, terminei com a sensação de que queria ter lido isso quando era adolescente, porque pensei que talvez isso pudesse ter mudado algo pra mim. Talvez tivesse feito alguma diferença. Talvez os questionamentos da Frankie pudessem, de alguma forma, passar pro meu eu-adolescente, porque sem dúvida nenhuma minha adolescência teria sido menos aflita se eu tivesse lido algo com essa vibe de wake up call.

Mas não teria.

Veja bem, eu tive quinze anos A QUINZE ANOS ATRÁS. Não lembro de alguma vez ter escutado, nessa época, a palavra "feminismo" em algum lugar, mas tenho certeza que, se ouvi, não foi num bom tom. Se há poucos anos eu ainda acreditava que feminazi era algo que fazia sentido, imagina meu eu de quinze anos. Não que agora as coisas estejam ideais, porque né, não estão. Mas nos meus quinze anos, ninguém discutia feminismo, criava coletivos no colégio ou protestava a favor do direito de usar short no verão independente do tamanho. E se tudo isso fosse feito, era bem pouco provável que eu faria parte disso. Porque eu tinha bem marteladinho na minha cabeça a ideia de "não sou como as outras garotas". Levei ANOS pra sair dessa cilada. Então talvez meu eu de quinze anos, pela minha cabeça da época, não teria tirado de O histórico infame de Frankie Landau-Banks todo o potencial que ele tem. Não tinha orkut, facebook, twitter nos meus quinze anos.

Mas agora tem. Então eu olho pra Frankie e vejo que esse livro não poderia ter sido escrito em outra época senão agora. Esse livro é perfeito pra já, e me deixa feliz a ideia de que as meninas de quinze anos de agora podem conhecer a Frankie.


›› outras resenhas

A Rovena resenhou lá na Revista Pólen
Tem considerações sobre lá no Nem um pouco épico
O Paulo e a Dana também falaram sobre lá no Conversa Cult
Eu sei que a Raabe lá no Who's Thanny? casaria com esse livro se pudesse
A Pam falou sobre ele lá no canal dela no youtube



2 comentários :

  1. Olá :D
    Já tinha visto esse livro pela Internet porém nunca tinha parado pra ler nem uma sinopse :/ (acabei julgando pela capa, que eu demorei horrores pra entender O.O). Mas, pela sua opinião, fiquei bem curiosa para ler (o que espero fazer em breve).
    Parabéns pela resenha e obrigada pela dica de leitura.

    Isabelle
    Attraverso le Pagine - http://attraverso-le-pagine.blogspot.com.br/

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  2. @Isabelle Brum

    LEIA É LINDO E VOCÊ VAI AMAR

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