Achei que era sorvete, mas era vazio existencial


Acho que todo mundo tem pelo menos algum tipo de pensamento que ajuda a tornar um dia de merda mais tolerável. Encontrar a esposa/marido quando chegar em casa, o fim do expediente, brincar com o cachorro, assistir um episódio novo de alguma série.

Eu acho reconfortante saber que tem sorvete no congelador.

Aí um dia desses, quando criei vergonha na cara pra botar o pé pra fora de casa e me arrependi 5 minutos depois, a única coisa que me consolava era saber que o dia tava uma merda, mas pelo menos tinha um pote de sorvete no congelador. Ele tava lá. Eu tinha visto de manhã. Eu ia chegar em casa, pegar aquele pote de sorvete e comer direto, de colher, assistindo Discovery Home&Health, e o universo ia fazer sentido de novo.

Então eu abri o pote de sorvete.

E não tinha sorvete.

Não tinha feijão.

Não tinha nada.

Alguém largou o pote de sorvete vazio dentro do congelador e eu fiquei olhando e aquele pote de sorvete vazio me deu uma angústia tão grande que gente. 2016 é isso. É esse pote de sorvete vazio que largaram dentro do congelador, te roubando não só a chance de tomar sorvete mas a possibilidade de fazer a piada do "achei que era sorvete, mas era feijão".

Aí você lembra que pra 2017 já anunciaram a volta da calça de cintura superbaixa e gente.

Assim não dá pra viver.

Não dá.




Aquelas coisas sem sentido que a gente pensa de madrugada


Daí que dia 16 começou horário de verão né, e eu realmente gosto dele porque nem afeta meu sono. Eu não preciso de ajuda mesmo pra ferrar meu horário de dormir, já faço isso sozinha mesmo e sou muito bem sucedida. Mas eu tava à toa no twitter observando a paisagem timeline e apareceu um tweet da Babi comentando sobre o horário de verão e confirmando se era 3 da manhã mesmo.

Aí acontece aquela coisa mágica que só as madrugadas conseguem trazer, que é pensar em coisas que a gente não deveria pensar.

Tenho claramente na minha cabeça (ou não tão claramente assim porque só lembro de 2 mas sei que tem mais) a imagem de alguns filmes de terror em que as ~coisas~ acontecem entre 3 e 4 da manhã (margem de erro pra mais ou pra menos, mas é sempre girando em torno de 3 da manhã). E eu não lembro direito porquê, mas tem uma treta com 3 da manhã sendo uma hora ~maldita~ ou algo assim. Meu sono é um negócio meio cretino, porque eu acordo várias vezes durante a madrugada, e toda vez que isso acontece perto desse horário, eu sempre espero chegar 4 da manhã pra voltar a dormir. Ou se ainda não fui dormir, não deito antes de 3:30 de jeito nenhum.

Aí chegou o horário de verão, eu vi esse tweet da Babi, lembrei disso das 3 da manhã e fiquei meio desgraçada da cabeça porque assim: como procede agora? Eu continuo com medo de 3 da manhã, ou adianto pra 4? Entidades malignas trabalham com horário de verão? Como fica fuso horário? O demônio fica tão confuso quanto a gente, ou horário de verão não vale pra ele?

Muita dó do demônio e do papai noel com essas coisas de horário. Não deve ser fácil pra eles.


Leituras de Setembro/2016


"NOSSA OLHA QUEM TÁ VIVA" pois é, às vezes acontece de lembrar desse canto aqui. O problema é um combo de falta de vontade de postar + falta de vontade de viver ler. Talvez porque acabei esgotando tudo no BEDA mesmo, ou porque ultimamente a única coisa que eu ando fazendo é caminhar e assistir Bleach - não me perguntem porquê. Nem eu sei direito como fui parar aí, mas esse negócio tem (vou botar até por extenso) TREZENTOS E SESSENTA E SEIS EPISÓDIOS e eu já tô no 179 e é isso, a vida segue. Mas de setembro pra cá eu consegui ler algumas coisas.

1 - SOU FÃ! E AGORA?
Frini Georgakopoulos, Seguinte
cultura | saraiva | amazon
Acabei comprando só no final da Bienal, então não deu pra pegar autógrafo, fuén. Além do livro ser todo bonito, ele é ideal pra botar quem gosta de ler pra pensar um pouco em cima desse assunto. Ele é dividido em 4 partes. A primeira fala sobre literatura juvenil e young adult, a segunda comenta sobre alguns aspectos que nos fazem gostar tanto de histórias, a terceira traz a relação leitor/livro e a última bota o fã no centro da coisa toda - tudo com uma linguagem simples, o que deixa a leitura bem fluida. Quem já costuma acompanhar algumas discussões desse tipo em blogs e redes sociais vai reconhecer vários dos assuntos tratados, quem está entrando nessa agora vai ter um ótimo guia pra poder discutir melhor o que leu. Sempre tem algum aspecto novo pra conhecer.

2 - SINCERAMENTE MAISA
Maisa, Fernanda Nia (ilustradora), Gutenberg
cultura | saraiva | amazon
Seguir a Maisa no twitter foi uma das melhores decisões que eu já tomei no que diz respeito a gente famosa em redes sociais, então o berro de QUERO quando a Gutenberg anunciou que ia lançar um livro dela foi natural. E ainda tem ilustrações da Fernanda Nia! O livro não é exatamente uma biografia. Ela comenta bastante sobre a carreira, mas é basicamente Maisa falando de um jeito bem direto e descontraído sobre assuntos variados, tudo com ilustrações coloridas e fotos ótimas. O livro é curto, divertido e uma boa maneira de comprovar como a menininha do Playstation virou uma adolescente descolada e consciente. E como peguei autógrafo na Bienal, posso dizer que além de tudo isso ela é simpática e fofa.

3 - SOU DESSAS
Valesca, Best Seller
cultura | saraiva | amazon
Biografia da ♥ Valesca Popozuda ♥ e ainda peguei autógrafo na Bienal. O livro é bem completo sobre a carreira dela e algumas de suas opiniões, mas acho que no geral eu esperava algo um pouco diferente tanto na escrita quanto na parte estética do livro. "AI MAS NEM DEVE TER SIDO ELA QUE ESCREVEU" caguei, não me interessa se foi ghostwriter ou não - aliás vocês superem essa polêmica de ghostwriter, parece aquele pessoal chato que até hoje não se conforma de playback no show da Britney. O que acontece é que a leitura não é tão fluida quando poderia ter sido, talvez se ele fosse escrito em terceira pessoa funcionasse melhor. As fotos parecem meio apagadas demais, literalmente: quase dá a impressão de que faltou tinta na hora de imprimir, e até hoje não consegui desapegar da capa provisória que foi apresentada no Mochilão da Record. De qualquer maneira, a leitura valeu a pena. E vocês não têm noção do quanto essa mulher é bonita pessoalmente.

4 - ESTRANHOS
Fefê Torquato
loja da autora
O narrador da HQ passa os dias observando os apartamentos de um prédio. Em cada capítulo ele nos apresenta um pouco sobre a vida de um dos moradores. Não sabemos nada concreto sobre o que eles fazem fora de seus lares, apenas o que o narrador deduz. Acompanhá-lo nessas observações da intimidade dessas pessoas dá uma sensação de invasão de privacidade que logo diminui diante da curiosidade de saber um pouco mais sobre elas - e sobre o próprio narrador, que é desconhecido. Em nenhum momento sua identidade é revelada, nem porque observa essas pessoas com tanto afinco. Eu já era fã da Fefê Torquato por causa de Gata Garota, então quando Estranhos apareceu pra financiamento coletivo no Catarse meu dedo correu pro botão de financiar mais rápido do que ele corre pro de compra com um click na amazon. Amei tudo.

5 - A
Fefê Torquato
loja da autora
Não vou falar muito pra não dar spoilers, mas essa HQ sem texto dá um plot twist sensacional em um conto de fadas bem conhecido.

O ÚLTIMO MESTRE POKÉMON



›› autora: carol christo
›› editora: nemo
›› ISBN: 9788582863268
›› número de páginas: 142
›› no skoob: o último mestre pokémon
›› onde comprar: cultura | saraiva | amazon
compras feitas pelos links indicados geram uma pequena comissão ao blog
sinopse: Lucas sempre sonhou em se tornar um mestre Pokémon, e tudo ia muito bem enquanto isso permanecia apenas em sua imaginação. Com a ajuda de Cora, a garota mais corajosa que conhece, e de Samuel, seu melhor amigo genial, ele formula um plano para fugirem da escola e irem até o Parque da Cidade em busca de um Pokémon raro. Mas coisas inexplicáveis começam a acontecer por lá, e os três passam a correr grande perigo. Ao que parece, esses estranhos acontecimentos têm alguma relação com o jogo de realidade aumentada que acaba de virar uma febre mundial. E Lucas, como o melhor jogador da cidade, precisa garantir que o mundo real não seja destruído por monstros digitais.

Eu sou desse tipo de gente que quando descobre que alguém que eu gosto vai lançar um livro, já tô gritando quero e perguntando da pré-venda, da senha, se tem botton, marcador e cadê meu autógrafo. Então quando deu na página da Nemo que a Carol Christo tinha escrito um juvenil, foi tudo isso que eu fiz. E ainda era um juvenil usando Pokémon Go como base da história.

Nesse momento sei que dá pra um monte de gente rolar os olhos, fazer cara feia e etc, mas cabe um adendo: aqui no Brasil, ainda que o termo "jovem adulto" finalmente esteja sendo mais usado pelas pessoas E pelas livrarias, ainda se usa "infantojuvenil" pra agrupar tudo que é escrito pro público entre 10 e 18 anos, margem de erro de idade pra mais ou pra menos. Só que todo mundo sabe que não é bem assim que funciona na prática, né. Um livro escrito pensando num público mais novo não vai necessariamente agradar um público mais velho e vice-versa. E não tem problema nenhum nisso - a não ser que você faça parte do público mais velho e resolva ficar torcendo o nariz pro que é escrito e produzido pros mais novos só porque você não gosta de determinado tema ou tipo de escrita. Aí acabamos com pessoas de, sei lá, mais de 18 anos, reclamando da escrita de um livro que claramente não foi escrito pensando nelas.

Então não adianta pegar um livro como O último mestre pokémon e julgar a história com um olhar adulto, esquecendo que ele é muito mais middle grade do que jovem adulto. Assim o livro não vai rolar mesmo.

Eu gosto muito de middle grade, e achei que O último mestre pokémon tem tudo que se espera de um livro assim: personagens legais, história cheia de ação, vilão misterioso e cretino. E pelo que pude ver na Bienal, pela quantidade de meninos e meninas que procuravam a Carol pra pegar autógrafo e o feedback que ela recebia (porque sou desse nível de tiete), o público do livro ficou bem feliz com ele.


O trio protagonista é uma graça e fácil de se identificar com. Dou mais destaque a Lucas, não só porque é o narrador da história, mas porque é meio medroso. Sempre gosto de protagonistas que são corajosos mas só depois de primeiro tentarem pensar com as pernas. Acho realista. E também me identifico, porque sinceramente, se eu tiver que escolher entre enfrentar algo ou correr, sempre vou escolher sair correndo, desculpa, salva o mundo aí que eu vou ficar mandando good vibes daqui de casa mesmo. E Lucas sempre tem os amigos pra receber as devidas broncas e empurrões necessários pra, no final das contas, Fazer a Coisa Certa. Outra coisa legal no trio de amigos: eles funcionam muito bem juntos.

Também gostei bastante da história. Qualquer pessoa que goste de pokémon alguma vez já pensou em como seria se eles existissem de verdade. Minha geração inteira cresceu lamentando não poder colocar "mestre pokémon" na parte de profissão de formulários. Pokémon Go deu um jeitinho bem legal nisso. Não é à toa que o aplicativo foi baixado por tanta gente, independente de idade. O último mestre pokémon brinca um pouco com essa ideia: e se a tecnologia do aplicativo, de alguma maneira, der ruim e trouxer pokémons pra fora do virtual? Não dá pra achar que uma coisa dessas poderia acontecer sem dar alguma coisa muito errada no processo.

É a história perfeita pra ser protagonizada por um trio de crianças de 10 anos.

Outra sacada legal foi o mistério em volta do vilão. Ele não aparece logo de cara, mas as consequências das suas ações estão presentes desde o começo da história. E também gostei de como as coisas ficaram no final.

Achei um livro ótimo pra quem gosta de middle grade e pra ser dado de presente pra essa faixa etária. E se precisam de mais algum incentivo pra isso, olha quem aparece na história:




Bienal 2016: só amor e muito cansaço


A primeira bienal que fui foi a de 2012: fiquei pouco tempo lá e não deu pra aproveitar muita coisa, mas foi legal ver o tamanho do evento. A segunda foi a de 2014, em que trabalhei no estande da Companhia das Letras, e a experiência foi incrível. Ajudei no último dia da montagem do estande e carreguei trocentos livros, conheci e encontrei pessoalmente um monte de gente legal, peguei autógrafos, tive um dor de garganta fodida e fui embora no último dia querendo que aquilo não acabasse nunca.

Agora em 2016 tive a oportunidade de trabalhar de novo no estande da Companhia, e tudo pode ser resumido em muito amor e muito cansaço ♥

Esse ano participei dos dois dias de montagem do estande, com direito a ter que usar capacete de proteção e tudo. O que me deixou meio complexada, porque o capacete ficou grande na minha cabeça e tive que fazer uma gambiarra com um elástico pra ele parar, mas mesmo assim me deu neura de abaixar a cabeça e passei dois dias com uma dor tremenda no pescoço.

Trabalhar na montagem dá uma sensação meio emocional pra quem adora esse tipo de evento porque é praticamente ver a bienal nascendo: o chão nem tem carpete ainda, os estandes ainda sendo montados, as estantes vazias e as caixas de livros chegando e sendo abertas, o caos e a poeira aos poucos tomando a forma do evento. Também cansa pra caramba: a gente carrega tudo, empilha tudo, troca a pilha de lugar, a pilha cai, os livros caem, a gente quase cai, nosso braço ameaça cair também. Mas vale a pena.


Do primeiro dia até o último, trabalhei na parte da manhã. Isso significa que eu via todos os dias o tamanho da fila esperando pra entrar. No geral, achei que a bienal de 2014 foi mais lotada. Naquele ano, todos os dias era quase impossível andar pelos corredores. Nesse, só lotou a ponto de não dar pra se mexer direito nos finais de semana. Isso não significa que ela estava vazia: a muvuca era grande sempre, só não tão intensa quanto foi em 2014. Não sei exatamente os motivos, mas provavelmente os preços são um deles: o ingresso esse ano foi mais caro, estacionamento foi mais caro e a comida era ridiculamente cara. O preço das lanchonetes, comparados com 2014, estavam muito maiores. Quando você pensa que esse aumento é de propósito, a vontade é de nunca mais frequentar nenhuma das redes que fizeram parte do evento. Esses preços maiores na alimentação foram bem babacas.

Uma coisa que reparei mais esse ano foi as excursões de colégio. Não sei como funciona quando uma escola (pública ou particular) decide levar os alunos pra bienal, mas a maioria esmagadora desses alunos entrava nos estandes achando que tudo era livraria e todos tinham livros de todo mundo. Também não sabiam os horários dos autógrafos, das palestras, nem como elas funcionavam. Fiquei com a impressão de que os colégios não explicam aos alunos antes da visita o que é a bienal, como ela funciona e o que eles vão encontrar por lá. Por isso fiquei curiosa sobre como funciona esse processo todo, entre decidir levar os alunos e a visita propriamente dita. Se alguém souber e puder me contar, eu agradeço.

Outra coisa, ainda na questão dos colégios, é que muitos ficavam por lá no máximo umas 2 ou 3 horas. Só que em 2 ou 3 horas de bienal, você não faz muita coisa. Só em filas (de banheiro, de comida, de passar no caixa, de entrar num estande cheio, de um autógrafo) você já gasta uma boa parte desse tempo. Não sei se de repente não seria mais interessante planejar a ida com alguma palestra específica em mente, por exemplo, pra garantir que os alunos possam ter contato com alguma outra coisa que não seja só procurar os livros com desconto, ou procurar alguém que possa ir acompanhando os alunos e explicando algumas coisas sobre os estandes, as palestras e os autores. Mas novamente, não sei como isso funciona, então de repente não é algo possível na prática por causa de logística ou até de tempo mesmo, já que muitas escolas vêm de bem longe de São Paulo.

Cada pessoa que vai pra bienal tem alguma prioridade na hora de gastar, e a minha foi procurar autores nacionais que eu poderia pegar autógrafo. Deu pra conhecer autores novos pra procurar depois (já que apesar da ideia de deixar meu rim por lá como pagamento era atraente, porém não acho que os estandes aceitariam), deu pra tietar os migos, deu pra passar muita vergonha porque não sei muito bem como não parecer meio perturbada na hora de ficar perto de pessoas potencialmente legais. Sou dessas que não sabe conhecer gente nova legal sem parecer que vai morrer de nervoso no processo. Desculpa, gente. Meu jeitinho. Mas considero essa uma das coisas mais legais da bienal: a oportunidade de conhecer os autores de perto, nem que o contato seja rápido ou só um oi. Queria ter aproveitado melhor algumas das palestras, mas meus horários acabaram não batendo.

Voltei pra casa de coração quentinho pela quantidade de gente legal que pude rever e conhecer. Também voltei cheia de roxos nas pernas, arranhões nos braços, dores nos pés, nas pernas, nos braços e no pescoço e até agora meu calcanhar ainda dói um pouco quando encosta no chão e minhas mãos ainda não se recuperaram de ter lidado com o peso da minha mala (mesmo eu tendo sido salva pelo Felipe Castilho no último dia, que carregou minhas tranqueiras pra mim até o uber).

Tive alguns momentos de raiva, ódio e rancor, mas fazendo um balanço geral, foi lindo, foi cansativo, foi amor.

E até 2018.


BIENAL 2016: nem começou e já tudo dói



O post de hoje não vai ter a imagem de abertura bonitinha, pelo menos não até eu voltar pra casa dia 4 ou 5 e puder editar. Até tinha preparado uma, mas resolvi mudar o assunto do post de última hora. Então vai um pato mesmo. Também não vai ter formatação direito, porque estou dependente do app do blogger. Se o post sair sem querer, sei lá, em klingon, vocês me perdoem e joguem no google tradutor.

Nunca, na minha vida, arrumei uma mala tão pesada. Na verdade é uma mala, uma bolsa com uma manta, um tênis e um moletom e uma ecobag fazendo as vezes de bolsa.

Metade da mala é comida. Eu não tô brincando. A quantidade de chocolate e bolacha/biscoito é suficiente pra bienal inteira. Mas sou descontrolada, e mesmo depois de comer pizza, coca-cola e chocolate quente ainda quero comer tudo já hoje. A ideia era me poupar de ter que ir atrás disso em supermercado por aqui. Veremos.
A ideia também era que, assim que a comisa acabar, a mala obviamente se encherá de livros.

O que vai deixá-la ainda mais pesada.

Eu já mencionei o quanto essa mala está pesada?

Está pesada o suficiente para ter sido jogada escadinha abaixo quando saí do elevador do prédio em que minha amiga mora, porque eu não tinha mais nem força física nem emocional para arrastar esse troço - e olha que ela tem rodinhas.

Queria que meu emocional tivesse rodinhas, seria mais fácil carregá-lo por aí. Ou não, já que a própria mala já está difícil, imagina aí umas décadas de probleminhas.

Também cheguei em São Paulo toda encapotada de casaco e cachecol, porque FRIO, mas dei de cara com um baita sol. 
Deus zoando com a minha cara obviamente.

Tira casaco.

Depois de carregar o celular, fui atrás de pizza, dorflex e pokémon, e cadê aquele calorzinho de tarde? O ventinho parece virar gelo quando bate na minha perna.

Bota casaco. E cachecol. E meia-calça por baixo da calça.

Agora estou alimentada e me preparando para um banho, enquanto considero gastar um rim de táxi/uber amanhã para ir para a montagem do estande, porque vou de mala e tudo para depois ir para o apartamento onde vou ficar de vez até o fim da Bienal. Porque eu não vou carregar essa mala pesada.

E preciso das minhas mãos livres para pegar pokémon, porque São Paulo parece um par de pokestop.

Prioridades.

Aprendendo lettering e a falta de pauta pro BEDA


Ironicamente, a frase da imagem de abertura do post não foi feita à mão. Photoshop é essa maravilha.

Ando bem empolgada/empenhada em treinar/aprender lettering. Alguns obviamente saem melhores que os outros, por enquanto ainda não fiquei 100% satisfeita com nenhum deles, meus dedos agora parecem eternamente manchados e a ponta da caneta brush preta da Tombow "esgarçou" em uma, duas semanas. O que é bem frustrante, considerando que ela custou R$26. Mais frustrante ainda (meio frustrante, meio graças a deus) foi ter descoberto que as canetas hidrográficas com ponta pincel da BIC, que vem num estojinho amarelo comum com dez cores e a maior cara de material escolar e que custou ao todo R$58 anda se saindo bem melhor na minha mão que a Tombow. Não sei se a ponta é mais resistente, ou se é por ela ter o corpo mais grossinho e ser menor, mas sinto maior firmeza com ela. Voltarei pra Tombow só mais tarde.

Também está sendo bem engraçado notar o quanto minha mãe é pesada. Meu traço grosso sai grosso, meu traço fino sai... meio grosso também. Não consigo o fino de jeito nenhum. Pelo menos não do jeito que eu quero, mas isso eu conserto mais pra frente. De qualquer maneira, assistir os tutoriais no youtube, seguir as contas no instagram e agora assistir aos cursos no Skillshare andam sendo bem divertidos. Esse site, aliás, resolvi testar porque estão com uma promoção em que os três primeiros meses saem por 0.99 centavos de dólar. É o único porém dele, aliás: o pagamento é em dólar, o site e os cursos são em inglês. Mas tem curso de tudo que é coisa, até tarot e marketing e estilo de vida, então vale a pena fuçar pra ver se tem alguma coisa que interessa pra vocês, ou pra recomendar pra alguém. E se vocês usarem o link aí em cima pra fazer o cadastro pago, eu ganho 1 mês de graça a mais, então vocês fiquem à vontade, viu.

Outra coisa legal do lettering é que descobri que brincar com isso tem um efeito bem calmante pra mim. Eu consigo ficar focada só nessa tarefa sem stress ou ansiedade, por exemplo. É de boa.

Sabe o que não anda sendo de boa? Encontrar pauta pro BEDA. Num guento mais, gente, e ainda faltam 9 dias. E amanhã estarei em São Paulo por causa da Bienal, então se eu não jogar tudo pro alto e largar, o post do dia 23 não vai estar exatamente bem formatado e os próximos tratarão de pequenos resumos do dia da Bienal.

Enquanto isso, uma frase do Edward Gorey num lettering que eu que fiz e digitalizei graças ao curso disso no Skillshare e do video da Aline Albino 





TAG - MEME ESCRITO


Achei essa fuçando no grupo Se organizar, todo mundo bloga e no A life less ordinary, da Clarissa. Ando aprendendo/pesquisando sobre lettering e caligrafia, mas minha letra mesmo acho que não mudou desde a época em que a gente ainda chamava ensino médio de colegial. Ainda chamam de colegial? Enfim, pelo menos a faculdade não deixou a coitada arruinada.

As perguntas são:
1. Qual é o seu nome?
2. URL do seu blog.
3. Escreva: 'A rápida raposa marrom pula sobre o cão preguiçoso'.
4. Citação favorita.
5. Música favorita (no momento).
6. Cantor/Banda favorita (no momento).
7. Diga o que quiser.
8. Indique 3 ou 5 blogs.










7 videoclipes com gente famosa + um bônus creepy pra caramba


Quase morri de amor quando vi o Ian McKellen sendo fofo no video de Listen do the man do George Ezra (aliás foi assim que eu conheci o George Ezra), e um tempo depois quase morri com o Idris Elba em Lover of the light do Mumford & Sons. Aí é aquela coisa, BEDA, a gente precisa de pauta, então toma aqui 7 videoclipes com participação de gente famosa sendo linda, gente famosa sendo fofa e gente famosa sendo creepy pra caramba (oi Rosamund Pyke).


Como lida com esse amor em forma de ser humano chamado Ian McKellen?


Idris Elba a gente agradece todo dia por existir e esse video ainda é lindo


Difícil não rir com Tom Hanks sendo fofinho


Danny DeVito dirigindo um video de One Direction eu nem tenho palavras


Dianna Agron 


Angelina Jolie é linda de qualquer jeito


Aubrey Plaza descontroladíssima


BÔNUS CREEPY PRA CARAMBA

Rosamund Pike e um orbe bizarríssimo EU FIQUEI COM MEDO




5 perfis #STUDYGRAM pra morrer de amor


Não tenho muita certeza de como fui parar nessas contas, acho que foi fuçando em # de lettering e afins. Mas acabei encontrando uma delas e não soube lidar com o quanto essas pessoas têm letras bonitas e o quanto esses cadernos são lindos e organizados e coloridos e meu deus, quanta canetinha. Aparentemente existe um negócio chamado studygram, que são contas no instagram de inspiração  para estudos e organização e artigos de papelaria. O máximo que eu tinha de bonito no colegial era meu caderno de biologia (por causa dos desenhos de células e etc, que eu deixava tudo colorido), o resto era no máximo com o título das coisas em colorido, ou algumas setinhas assim. Nada nem remotamente parecido com o que tem nessas contas. Na faculdade então, eu tinha um único caderno em que anotava aleatoriamente coisas de todas as matérias.

Na próxima encarnação, se não for pra ter cadernos bonitos assim, eu nem volto.

Uma foto publicada por sarah (@studeying) em






Uma foto publicada por studygram (@uninerdy) em











Preparação Bienalística: a pilha de leitura


Esse ano eu vou trabalhar na Bienal no estande do grupo Companhia das Letras, assim como foi na de 2014. Isso significa que estou em processo de colocar em dia minhas leituras de alguns dos livros dos selos - sendo mais específica, faço a fila de leituras da Seguinte andar mais rápido. Já fiz a resenha de O livro de memórias, da Lara Avery, que é um dos grandes lançamentos do selo nesse semestre, e Lua de vinil, do Oscar Pilagallo, é outro que já deu as caras por aqui. Li também PC Siqueira está morto, o livro do PC Siqueira escrito pelo Alexandre Matias, que saiu pela Suma de letras, mas a resenha desse vai sair mais pra frente pela Pólen

Termino mais um até amanhã, então resolvi botar o resto da pilha (são todos lançamentos recentes*) aqui, já que o BEDA ainda está firme e forte e começando a ficar meio desesperador, e aproveito também e já faço propaganda deles. Quem for pra Bienal esse ano, passa lá na Companhia, os livros são lindos, o lugar vai ser lindo e somos todos lindos AND simpáticos <3


A REBELDE DO DESERTO, alwyn hamilton
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O deserto de Miraji é governado por mortais, mas criaturas míticas rondam as áreas mais selvagens e remotas, e há boatos de que, em algum lugar, os djinnis ainda praticam magia. De toda maneira, para os humanos o deserto é um lugar impiedoso, principalmente se você é pobre, órfão ou mulher. Amani Al’Hiza é as três coisas. Apesar de ser uma atiradora talentosa, dona de uma mira perfeita, ela não consegue escapar da Vila da Poeira, uma cidadezinha isolada que lhe oferece como futuro um casamento forçado e a vida submissa que virá depois dele. Para Amani, ir embora dali é mais do que um desejo — é uma necessidade. Mas ela nunca imaginou que fugiria galopando num cavalo mágico com o exército do sultão na sua cola, nem que um forasteiro misterioso seria responsável por lhe revelar o deserto que ela achava que conhecia e uma força que ela nem imaginava possuir.

NA ESTRADA JELLICOE, melina marchetta
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A pequena cidade de Jellicoe, na Austrália, vive uma guerra territorial travada entre três grupos: os estudantes do internato, os adolescentes da cidade e os alunos de uma escola militar que acampa na região uma vez por ano. Taylor é líder de um dos dormitórios do internato e foi escolhida para representar seus colegas nessa disputa. Mas a garota não precisa apenas liderar negociações: ela vai ter que enfrentar seu passado misterioso e criar coragem para finalmente tentar compreender por que foi abandonada pela mãe na estrada Jellicoe quando era criança. Hannah, a única adulta em quem Taylor confia e que poderia ajudar, desaparece repentinamente e a pista sobre seu paradeiro é um manuscrito que narra a história de cinco crianças que viveram em Jellicoe dezoito anos atrás...

UMA CANÇÃO DE NINAR, sarah dessen
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Remy não acredita no amor. Sempre que um cara com quem está saindo se aproxima demais, ela se afasta, antes que fique sério ou ela se machuque. Tanta desilusão não é para menos: ela cresceu assistindo os fracassos dos relacionamentos de sua mãe, que já vai para o quinto casamento. Então como Dexter consegue fazer a garota quebrar esse padrão, se envolvendo pra valer? Ele é tudo que ela odeia: impulsivo, desajeitado e, o pior de tudo, membro de uma banda, como o pai de Remy — que abandonou a família antes do nascimento da filha, deixando para trás apenas uma música de sucesso sobre ela. Remy queria apenas viver um último namoro de verão antes de partir para a faculdade, mas parece estar começando a entender aquele sentimento irracional de que falam as canções de amor.

THOMAS E SUA INESPERADA VIDA APÓS A MORTE, emma trevayne
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Roubar túmulos é um negócio arriscado. É, na verdade, um péssimo negócio. Para Thomas Marsden, a partir de uma noite de primavera em Londres (véspera do seu aniversário de doze anos), esse passa a ser um negócio também assustador. Isso porque, deitado em uma cova recente, ele encontra um corpo idêntico ao seu. Esse é apenas o primeiro sinal de que alguma coisa muito esquisita está acontecendo. Muitos outros vêm em seguida, até que Thomas vai parar num mundo estranho, habitado por fadas e espiritualistas, onde a morte é a grande protagonista. Desesperado para conhecer a sua verdadeira história e descobrir de onde vem, Thomas vai ser apresentado à magia e ao ritual, e vai se dar conta de que, de vez em quando, aquilo que faz dele um garoto comum pode torná-lo extraordinário.

Lembrando que tem também A coroa, que encerra a série A Seleção da Kiera Cass, e A sereia, também da Kiera, que não tem a ver com A Seleção e é livro único. E tem lançamento do livro da Frini Georgakopoulos, Sou fã! E agora?, e do segundo volume do livro da Capitolina. Os dois vão ter sessão de autógrafos no estande 




*lançamento recente é pleonasmo?



CEM IDEIAS QUE DERAM EM NADA


›› autora: antonia pellegrino
›› editora: foz
›› ISBN: 9788566023176
›› número de páginas: 159
›› onde comprar: cultura | saraiva | submarino | amazon
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sinopse: o título é bem auto-explicativo

O bom de livros com títulos longos como Cem ideias que deram em nada é que eles dizem já na capa a que vieram. Nem precisa de sinopse. Cabe certinho em um tweet. E como eu não resisto a títulos longos…

São realmente cem capítulos. “MAS EM 159 PÁGINAS???” É, em 159 páginas, e cada capítulo conta um pouco sobre alguma ideia que acabou não dando em nada ou porque não deu certo, ou porque nunca saiu do papel ou da cabeça. Se não me engano, os mais longos tem, no máximo, 3 páginas. Os mais curtos tem uma frase só. Alguns são muito bonitos e poéticos, outros com uma carinha ótima de cotidiano, mas os meus preferidos foram mesmo os curtinhos, de no máximo um parágrafo.

Sempre acabo atraída por textos curtinhos, o que foi, por sinal, a segunda coisa que me fez pegar Cem ideias que deram em nada para ler. Que atire a primeira pedra quem nunca, no meio do dia, do nada, teve aquela ideia ótima que sumiu da mente depois de dez segundos ou que, num bar, criou um plano genial pra alguma coisa que, com uma análise melhor, de genial não tinha nada.

Todo mundo poderia criar uma lista de ideias que teve e que acabaram não dando em nada, e foi o que acabei fazendo – na minha cabeça, então acho que minha ideia de fazer uma lista de cem coisas que deram em nada pode ser considerada uma ideia que deu em nada? Enfim.

A questão é que achei o livro bem legal, não só porque a autora escreve muito bem, mas porque escreve muito bem os capítulos curtinhos. Acho que quanto mais curto o texto, mas difícil dele ser escrito porque a economia de palavras te leva a pensar muito bem antes de botar cada uma delas no papel.

Aliás, esse livro me lembrou o jeitinho do Listografia – sua vida em listas, lançado pela Intrínseca, que consiste basicamente em páginas e mais páginas de sugestões de listas pra fazer – assim como as ideias que deram em nada desse livro.

Cem ideias que deram em nada acabou dando em um livro muito bom.


No meio do caminho tinha um monte de ganso


O parque em que comecei a caminhar todos os dias por culpa de Pokemon Go (aqueles ovos malditos não vão se rachar sozinhos) é um lugar relativamente tranquilo. O percurso não é muito longo, o que é ótimo para uma pessoa recém saída do sedentarismo completo, e tem uma quantidade de árvores suficiente para fazer sombra na maior parte dele. Não é muito lotado nem muito vazio, dá para ir a pé de casa e ainda é perto de um hospital. Não que isso seja algum tipo de pré-requisito ou algo assim, mas é sempre bom quando o lugar que você começa a ir com frequência é perto de um. Nunca se sabe. A lagoa no centro tem peixinhos e patos, e as pessoas podem jogar migalhas de pão se quiserem.

O parque também tem gansos.

Vários gansos.

Que ficam justamente na reta final do percurso.


Toda vez que chego nessa parte, paro de andar e de olho na movimentação deles, para saber se é seguro passar andando ou se é melhor correr e acabar com aquele pesadelo logo, ou se de repente não é melhor só voltar o trajeto inteiro mas garantir que vou sair de lá viva.

Quem diz que tem medo de barata porque elas atacam obviamente nunca ficou muito perto de um ganso.

Eles não apenas avançam, eles observam a vítima antes, calculando qual a melhor forma de ataque. É desesperador. E eu não estou sozinha nessa. Todo mundo, quando chega nesse trecho, fica com um certo receio quando os gansos estão no meio do caminho. Os frequentadores que preferem correr chegam até a irr mais rápido naquele pedaço, só para garantir. E até ontem eu estava conseguindo escapar ilesa, pois eles sempre estavam mais nas beiradas, deixando o meio livre, ou concentrados juntos em um dos lados, me deixando livre para passar ainda mais longe deles.


Até ontem, quando eles resolveram ficar espalhados por todo o espaço final. E ainda por cima ia começar a chover, então voltar o percurso todo não era uma opção, já que não posso me dar ao luxo de ficar doente faltando só 7 dias para a Bienal. Fiquei parada quietinha, esperando que eles pelo menos abrissem uma brecha pela qual eu pudesse passar rezando para não ser atacada. Talvez teria sido menos pior se eu de fato tivesse sido atacada. Mas não.

Quando finalmente abriu-se um pequeno pedaço em que eu podia passar, três deles resolveram parar e olhar na minha direção.

E ficaram lá. Me encarando. E não pararam até que eu atravessei aquele trecho.

Quando eu já estava meio longe, olhei para trás e eles ainda estavam lá. Olhando.

Aí foram embora, cuidar de seus problemas de ganso. Ou planejar a minha morte.

Na próxima, acho que volto o percurso todo mesmo. Nunca se sabe.

Não disse que era bom o parque ser perto de um hospital?


O DUQUE E EU


›› título: o duque e eu
›› série: os bridgertons
›› autora: julia quinn
›› editora: arqueiro
›› ISBN: 9788580411461
›› número de páginas: 281
›› título original: the duke and I
›› série: bridgertons
›› onde comprar: cultura | saraiva | submarino | amazon
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sinopse: Simon não quer casar e muito menos ser perturbado por causa disso. Daphne quer casar, mas sofre de uma falta de pretendentes decentes crônica por ser vista sempre como "a grande amiga". O plano perfeito é Simon fingir que corteja Daphne, assim pode ser deixado em paz e ela pode atrair a atenção de outros pretendentes.
Um tempão atrás andei numa fase em que tinha que fazer um esforço homérico pra gostar de romances nos livros. Li alguns com foco nisso que foram muito bons, li outros em que o foco era outro mas o romance era grande e também gostei bastante, mas tenho a impressão de que, na maioria, achei o romance um pé no saco. Eu tinha a impressão de que o livro me vendia uma história mas me dava outra, ou acabava irritada de ver uma trama que tinha tanto potencial de repente ser deixada de lado porque a mocinha conheceu o mocinho e o romance tomava o protagonismo. Ou os clichês não eram bem trabalhados: instalove mal escrito, paixões sem base de sustentação nenhuma, relacionamentos abusivos mostrados como românticos e bonitos, mocinhos babacas para os quais eu não tinha a menor paciência, mocinhas mal desenvolvidas, diálogos piegas. Parte disso era porque, provavelmente, acabei tendo uma overdose de YA: li muitos e comecei a ficar tão chata com relação ao que eu gostava ou não neles que a maioria eu descartava logo de início.


Tinha decidido, então, que era hora de procurar coisas mais fora da minha zona de conforto leiturística e aproveitar pra resolver alguns preconceitos literários que eu tinha. Como ainda não estava muito animada pra me aventurar pelos New Adult (odiei "Belo Desastre" com todas as minhas forças e "Entre o agora e o nunca" eu aguentei 5 parágrafos), resolvi dar uma chance para romances eróticos: não gostei de "Cinquenta tons de cinza" e achei "Toda sua" só um pouco menos insuportável, mas ia testar outras coisas pra ver se alguma delas dava certo. Acabei achando meu espaço neles com "Cretino irresistível" e "Peça-me o que quiser", então considerei a tentativa muito bem sucedida. Acabei decidindo, então, que queria voltar a ler romances históricos: os famosos romances de banca.

Lia muitos deles quando era adolescente, pegando emprestado os da minha mãe, mas acho que na época também acabei saturando, ou me interessando por algum outro gênero, tanto faz, mas o negócio é que parei com eles. Decidi que ia voltar a ler e depois de pegar algumas sugestões consegui "O duque e eu" pelo skoob, comecei a ler, achei legal, mas parei no começo. Faço muito isso, aliás, começo a ler algo legal, mas paro e esqueço de voltar. Não, eu não sei qual é o meu problema.

Depois de muito tempo peguei de novo, li desde o começo... e terminei em um dia e meio. No dia seguinte, comprei o segundo e o terceiro da série e terminei os dois em dois dias. Comprei o quarto logo em seguida... terminei em um dia e meio, e só demorei esse tempo porque tive que parar de ler de madrugada porque tinha que trabalhar no dia seguinte. Aproveitei o embalo e comprei mais dois da Tessa Dare em ebook, que também terminei muito mais rápido do que tinha imaginado. Só não comprei mais porque tinha outros livros que queria terminar primeiro e o bolso já estava começando a reclamar.

"O duque e eu" é o primeiro da série de oito livros sobre os Bridgertons, uma família com oito irmãos e irmãs sensacionais. Uma grande vantagem é que, apesar de serem OITO livros, todos eles têm começo, meio e fim, então de certa maneira podem ser tratados como livros únicos no sentido de que você pode parar em qualquer um deles, se quiser. Eu só não aconselho ler fora da ordem, porque tem um ou outro acontecimento que, se você ler fora da sequência, pode acabar tomando spoilerzinho. Obviamente não é nada que estrague a leitura, mas eu sou chata assim mesmo.

Todos os Bridgertons são divertidos (menos um, mas esse eu deixo pra lá), os diálogos são engraçados, as situações que acontecem são muito boas e o livro alterna os pontos de vista do casal protagonista. Tem muita coisa previsível e alguns clichês aqui e ali, mas achei tudo bem feito e amarradinho na história, então é aquele caso em que os clichês funcionaram a favor do livro.

Daphne é uma fofa cujo filtro verbal às vezes parece mais uma peneira furada, mas mesmo quando solta comentários sarcásticos, é sempre muito phyna e elegante. No contexto do livro, faz sentido ela se sentir encalhada por ter a idade que tem e não ter arrumado um marido ainda, até porque ela quer muito casar e ter filhos e uma família grande e etc. Aliás, essa foi uma das coisas que eu gostei no livro: Daphne não age de maneira desesperada, mas não esconde que seu objetivo de vida é ser mãe e esposa, e também é uma personagem muito bem escrita dentro dessa ideia. Ser personagem forte e ser mocinha louca pra casar pode sim.



Simon também é um bom protagonista e a coisa toda da gagueira dele e da relação com o pai fizeram dele um personagem bem interessante. Só não tenho mais tanto para falar dele porque Daphne rouba toda e qualquer cena em que aparece. Aliás, minto: quem rouba toda e qualquer cena em que aparece é o trio de irmãos Bridgerton (Anthony, Benedict e Colin) e a mãe deles, Violet. Se você olhar pros nomes dos irmãos e irmãs Bridgerton mencionados até agora, aliás, vai notar um certo padrão, e sim, é canon: os oito têm nomes que seguem ordem alfabética.

Outro personagem ótimo do livro só dá as caras em menções dos outros personagens e em trechos de seus textos: Lady Whistledown, a responsável pela coluna de fofocas da alta sociedade - cuja identidade ninguém conhece. Eventualmente descobrimos quem é, mas só bem mais pra frente na série.

O livro não é isento de defeitos. Simon tem algumas atitudes que dão raiva e Daphne toma algumas decisões duvidosas, mas também não sei muito se elas poderiam ter sido de outro jeito. Condiz com os personagens? Condiz, mas dão uma sensação de UGH mesmo assim. Mais pra perto do final o livro perde um pouco o fôlego, mas não fica ruim. De qualquer maneira, é uma ótima opção pra quem quer começar a ler romances históricos ou quer recobrar a fé nos livros de romance.

Pra quem tiver curiosidade, a ordem da série é essa aqui (deixei os nomes em português em destaque, os contos entre um livro e outro não têm em português):

#1 O duque e eu  The duke and I
#1.5 The duke and I: the epilogue II
#2 O visconde que me amava  The viscount who loved me
#2.5 The viscount who loved me: the epilogue II
#3 Um perfeito cavalheiro  An offer from a gentleman
#3.5 An offer from a gentleman: the epilogue II
#4 Os segredos de Colin Bridgerton  Romancing Mister Bridgerton
#4.5 Romancing Mister Bridgerton: the epilogue II
#5 Para Sir Phillip, com amor  To sir Phillip, with love
#5.5 To sir Phillip, with love: the epilogue II
#6 O conde enfeitiçado  When he was wicked
#6.5 When he was wicked: the epilogue II
#7 Um beijo inesquecível  It's in his kiss
#7.5 It's in his kiss: the epilogue II
#8 A caminho do altar  On the way to the wedding
#8.5 On the way to the wedding with second epilogue
The Bridgertons: Happily Ever After (compilado do #1.5 ao #8.5 mais o #9.5)



Resumo das Olimpíadas por alguém que só acompanha pelo twitter


A abertura eu vi e essa eu sei que uniu todas as tribos, como o Norvana.

A gente ama a Marta. Aliás, a gente ama o time feminino de futebol.

A gente não ama muito o time de futebol masculino não.

O Galvão chorou por causa do Neymar, ou alguma coisa assim. Fiquei com dó.

A Sarah do judô perdeu mas a gente ama ela mesmo assim.

Todo mundo vai ter problemas de pressão alta por causa do vôlei.

A gente ganhou medalha no tiro e todo mundo ficou WOAH.

A Danielle Hypolito caiu com a música da Anitta, mas a gente ama ela mesmo assim.

A gente também ama a Anitta, aliás.

A gente ama a Simone Biles e se ela quiser ficar aqui pelo Brasil mesmo a gente tá ok com isso.

A gente também ama o Guga e ele é o labrador oficial do país.

Gringo reclama do café, gringo reclama do kibe, gringo reclama de biscoito de polvilho. gringo reclama que a torcida brasileira grita, gringo reclama dos trajes de banho brasileiros.

A gente acha que gringo tem que parar de encher o saco.

E o avião é nosso.

A Colômbia tentou quebrar o Neymar de novo e a gente voltou a amar ele um pouquinho.

A gente ama praticamente todos os ginastas, menos Aquele Que Não Deve Ser Nomeado.

O Phelps um dia ainda vai morrer soterrado pelos milhões de medalhas que já ganhou na vida.

Tem uma moça que nada tão rápido que teve que ficar de boa esperando o resto das competidoras chegarem no final. A gente achou isso o máximo.

Jogamos tanta praga na Hope Solo que o time dela perdeu. Bem feito.

Rafaela Silva ganhou medalha no judô e a gente ama ela muito.

A Leslie Jones veio pro Rio e os comentários dela via twitter são sensacionais.

Todo mundo se identifica com o Bolt na hora que a janta fica pronta.

Fight like a girl, play like a girl. win like a girl.

Alguém precisa dar um rivotril pro Bernardinho, ou chamar um cardiologista.

O avião é nosso.






Teodora, a suculenta ou como me apeguei a uma planta


Quando eu era mais nova e dizia para as pessoas que minha flor preferida não era flor, mas suculenta, na maioria das vezes me olhavam de volta como se eu tivesse acabado de dizer alguma coisa muito esquisita. Então simplesmente parei de responder a verdade e só escolhia alguma flor qualquer.

Vocês podem entender a minha felicidade quando (atrasada, como sempre) notei que atualmente usar suculentas na decoração virou algo com Selo Pinterest de Decoração Descolada. Eu finalmente estava livre para poder admitir que sim, flores são lindas, coloridas e fotogênicas, mas não são meu tipo preferido de planta. Já tinha cuidado de uma na época do """bullying""" por preferir suculentas (era um cacto, mas não lembro exatamente de que tipo), então decidi ir atrás de uma novamente. Meu quarto andava mesmo precisando de algum tipo de vida que não fosse esse meu ser sonolento ou meus gatos, sem contar que, do jardim/quintal de casa, as suculentas que minha vó tem são uma das poucas plantas que meus gatos não tentaram comer (ainda), então eu sabia que ela estaria segura (na verdade esse era mais wishful thinking, já que qualquer coisa é possível com gatos). Só que dessa primeira vez que tive a plantinha, não tinha sido exatamente cuidadosa com ela no sentido de que não tinha ido atrás de nenhuma informação sobre. Só comprei e regava de vez em quando. Até que ela durou, apesar disso, mas dessa vez quis fazer diferente.


Passei na floricultura perto de casa e fui direto na moça que cuidava do lugar, que me mostrou onde ficavam as suculentas. Escolhi uma (planta-pérola) e a mulher foi me explicando como cuidar:

EM RELAÇÃO AO SOL: deixar sempre onde pelo menos tenha luminosidade, colocar no sol sempre que puder mas tomar cuidado se ele estiver forte demais.
QUANDO REGAR: ela me recomendou aguar uma vez por semana, e usar um borrifador, que assim daria para controlar melhor a quantidade de água (não correria o risco de aguar demais e seria mais fácil para ir borrifando mais água caso precisasse de mais de uma vez por semana).
COMO MUDAR DE VASINHO: a minha suculenta estava num daqueles vasinhos pretos genéricos porém práticos, mas comprei um de cerâmica (acho que é cerâmica) mais bonitinho e a florista me ensinou como passar de um para outro sem machucar a planta.

Aí começou a minha esquisitice.

Quase morri de tensão na hora de trocar de vasinho. Fiquei o processo todo com medo de machucar a planta e ela morrer, de quebrar o vaso e ela morrer, de replantar errado e ela morrer. Eu não ia saber lidar com ser a responsável pela morte da suculenta por pura incapacidade de colocar terra num vasinho e botar a planta dentro. Por sorte, deu tudo certo e a suculenta tinha morada nova.

Uma foto publicada por mareska (@mareskawho) em

Então decidi que ela precisava de um nome. Chamei de Teodora.

E todos os dias eu ficava de olho na Teodora, para ter certeza de que estava tudo certo. Até que cismei que ela parecia meio torta dentro do vasinho, como se estivesse meio "solta" ou mal plantada. Cismei que tinha alguma coisa de errado com ela. O seguinte diálogo entre meu irmão e eu aconteceu, minutos antes de decidir replantar a Teodora.

- Acho que vou replantar a Teodora.
- Por que?
- Não sei, ela não parece feliz.

Não contente em dar um nome à suculenta e todos os dias zelar pelo seu bem-estar, ainda dei a ela senciência. E cuidar da Teodora virou parte intrínseca à minha rotina: acordar de manhã, colocar Teodora no sol, tirar Teodora do sol quando está muito forte e deixar na mesa do quintal para aproveitar a luminosidade, observar as folhas e a terra da Teodora para ver se está tudo bem, levar Teodora de volta para o quarto à noite, borrifar água na Teodora toda quarta-feira e ficar de olho ao longo da semana para ver se não precisa de mais. Dia 22 eu vou para São Paulo trabalhar na Bienal e só volto dia 4, e logo preciso passar para minha mãe as instruções de como cuidar da minha suculenta, mas já sei que vou ficar meio preocupada mesmo assim.

Mas que a Teodora parece mais feliz depois de ter sido replantada, parece.

Uma foto publicada por mareska (@mareskawho) em




TÃO ONTEM

›› autor: scott westerfeld
›› editora: galera record
›› isbn: 9788501076892
›› número de páginas: 314
›› título original: so yesterday
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sinopse: aos 17 anos, Hunter é um Caçador de Tendências. Seu trabalho: identificar o que há de mais novo e bacana para o mercado seguir. Seu modus operandi: apenas observar. Mas a partir do momento que ele conhece Jen, uma Inovadora, ele não consegue evitar se envolver. De uma hora para outra, Hunter e Jen se vêem envolvidos em uma guerra mercadológica: uma carga repleta com os tênis mais legais que já viram, anúncios de produtos que não existem e um obscuro grupo dedicado a desestruturar a cultura consumista como a conhecemos.

Eu tenho uma paixão enorme pelo Scott Westerfeld, mas por algum motivo achei que em Tão Ontem ficou faltando alguma coisa que não sei ainda explicar.

Gostei muito dos personagens. Apesar de ser um Caçador de Tendências e ter um talento incrível exatamente em detectar o que fazer sucesso por aí, Hunter tem um jeito tímido. Creio que se ele pudesse ser invisível, o seria sem pestanejar. Um pouco disso é influência ainda de seu passado, de quando ele não era considerado “legal”. Todo seu estilo e talento foram moldados com muito cuidado, observação e catalogação do ambiente e das pessoas a sua volta – por isso é tão competente em seu trabalho. Aliás, ele também é muito bom em fatos aleatórios sobre as primeiras pessoas que fizeram coisas. Hunter observa tão bem que acaba conhecendo Jen por causa da maneira diferente como ela amarrava os cadarços dos tênis, que Hunter, quando os observa pela primeira vez, faz O Gesto – um pequeno aceno com a cabeça que as pessoas fazem quando vêem algo muito legal, geralmente o primeiro passo para quererem aquilo também. Jen, como toda Inovadora, é impetuosa e divertida e é graças a ela que Hunter acaba se metendo em todas as coisas que acontecem na história.

Todo o livro tem essa análise sobre consumo e consumismo, com frases diretas e divertidas, mas sem aquele ar de lição de moral. Hunter apenas nos apresenta o mundo em que ele vive, da forma como o vê, e nesse mundo, tudo é determinado pela mídia e pelo consumo. Todos os personagens apresentados vivem e respiram esse meio e têm características que os tornam únicos e importantes na trama mesmo se suas participações dure apenas algumas páginas.

Hunter e Jen começam tentando descobrir a razão do desaparecimento da chefe de Hunter, Mandy, e acabam envolvidos no que parece uma trama muito maior de algo novo que pode ou não ser perigoso, mas é, indiscutivelmente, misterioso e atraente. Tudo isso vai causando uma mudança na forma de pensar dos dois, e é evidente o crescimento dos personagens. E o clima de romance em algumas partes é muito fofo. Hunter é um observador nato, então seu crescente interesse por Jen vai surgindo de forma natural. Nada parece forçado.

Mesmo com tudo isso, senti falta de alguma coisa… tive muita dificuldade em entender o que raios é o anticliente, e esse é um termo MUITO importante na trama. Tentei pegar pelo contexto, mas não sei se foi minha lerdeza que não permitiu ou se foi falta de uma explicação mais explícita (ou talvez tenha sido um daqueles casos em que a tradução acaba tirando parte da graça da coisa), mas não consegui entender mesmo, o que me fez ter a sensação de que perdi algumas sacadas. Também achei o final muito insatisfatório – esperava algo completamente diferente. Talvez o problema tenha sido minha expectativa: ela era MUITO alta por se tratar de um livro do Westerfeld, então li esperando muita coisa e me frustrei um pouco ao encontrar um livro bom, mas não mais do que isso.

De qualquer maneira, ainda assim a leitura valeu a pena, e ainda tem uma grande vantagem: é livro único.


O MISTERIOSO LAR CAVENDISH

›› autora: claire legrand
›› editora: gutenberg
›› isbn: 9788582351796
›› número de páginas: 262
›› título original: the cavendish home for boys and girls
›› livro enviado de cortesia
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sinopse: Quando Lawrence, amigo da mais-que-perfeita Victoria Wright, desaparece misteriosamente (e ninguém parece perceber isso, nem mesmo os pais dele!), fica a cargo dela descobrir o que aconteceu. Todas as pistas parecem apontar para o mesmo lugar: o misterioso Lar Cavendish. Resta saber se, uma vez lá dentro, Victoria vai conseguir sair.

Eu amo/sou livros middle-grade. Prefiro usar essa expressão porque aqui no Brasil a gente usa “juvenil” ou “infantojuvenil” pra qualquer coisa entre 9 e, sei lá, 18 anos?, quer dizer, a gente joga no mesmo saco faixas etárias que não estão mais nas mesmas fases de vida e não necessariamente se identificam com os mesmos livros. Com a chegada dos termos young adult e new adult, anda ficando mais fácil (ou menos difícil, depende do ponto de vista) saber a que tipo de livro uma pessoa se refere quando diz “juvenil”, mas para a maioria essas diferenças ainda não parecem muito claras.

Daí a quantidade de gente que obviamente já passou da faixa-etária ao qual os middle-grade se destinam (e que são escritos para) dizendo “apesar de juvenil, é muito bom”, “apesar de juvenil, não é bobo”. Esse “apesar de” me deixa muito louca de raiva porque fica implícito que juvenil é sempre bobinho e fácil de ler. Aí temos uma quantidade enorme de livros young adult e “adultos” em que os autores procuram desesperadamente dar um final feliz para a história em que todo mundo fica vivo e feliz e mais maduro, enquanto nos middle-grade você não tem garantia nem de que o cachorro vai chegar vivo ao final da história, que dirá o protagonista. Quem usa esse “apesar de” provavelmente nunca pegou uma Kate DiCamillo no meio do caminho.

Provavelmente também não pegou uma Claire Legrand.

Eu já tinha simpatizado com a protagonista Victoria Wright nos primeiros parágrafos, e depois de ler um texto da Claire no tumblr dela sobre a importância das heroínas antipáticas, amei e entendi a personagem ainda mais. Victoria leva a busca pela perfeição a níveis quase patológicos: seus cachos loiros são sempre geometricamente impecáveis, suas roupas não têm vincos nem amassados, suas notas são perfeitas, seu comportamento é exemplar, seu quarto praticamente repele grãos de poeira e tudo nele é devidamente arquivado, etiquetado e guardado nos lugares certos. Victoria tem ideias bem engessadas sobre o que é certo e sobre o que não é, e qualquer coisa que saia disso é visto e tratado com desprezo, ar de superioridade e grande irritação. Victoria parece, a princípio, uma pessoa horrível, e é exatamente essa a grande graça da personagem.


Sendo Lawrence seu completo oposto e visto por Victoria como uma espécie de projeto pessoal feat. bichinho de estimação, a personagem passa boa parte do começo do livro lutando contra as pontas de camisa para fora da calça dele, contra seus cabelos despenteados e contra seu comportamento desleixado. É bem rude com ele, mas Lawrence parece conseguir ver além dessa imagem que Victoria construiu para si mesma, já que quase sempre não se importa com a maneira como ela o trata e sempre tem algo legal ou simpático pra falar. Poderia ser uma amizade bem improvável, mas não é tanto assim. O jeito de Lawrence, mais a faixa de cabelos grisalhos que ele tem, fazem com que ele seja a piada constante dos colegas, que o chamam de “Gambá”. Parece crueldade, mas colégio é um lugar cruel e crianças são cruéis quando querem. A própria Victoria não tem amigos fora Lawrence, porque seu jeito e sua falta de vontade de socializar a deixam isolada. De uma maneira muito estranha e que os dois não entendem muito bem, a presença de um na vida do outro dá pelo menos um mínimo de conforto.

O desaparecimento de Lawrence e o fato de que todo mundo parece alheio a isso é o motivo que leva Victoria a entrar em parafuso, não somente porque tem alguma coisa fora de lugar (e ela odeia coisas fora de lugar e sem explicação), mas porque fica evidente que a única maneira de descobrir o que aconteceu é sair de sua zona de conforto. Victoria vai ter que mentir, omitir, investigar, sair escondida, coisas que a deixam nervosa porque batem de frente com tudo em que sempre acreditou. No começo, é visível o desconforto dela fazendo tudo isso, assim como o esforço para conseguir fazer, já que sabe que, se ela não se mexer, ninguém vai.

Aí entra o Lar Cavendish. Teoricamente um lar para crianças órfãs ou abandonadas, ninguém na cidade sabe dizer quando o lar surgiu, de onde a senhora Cavendish veio, quem são as crianças que vivem lá – ninguém sabe nada de nada, e ninguém se importa. A senhora Cavendish me lembrou muito a Outra Mãe de Coraline, do Neil Gaiman, o que significa que ela sorri muito, é muito simpática, parece muito perfeita e me deixou muito desconfortável – no bom sentido. Ela é bem medonha. Alice, o jardineiro/capanga dela também é bizarro. O próprio Lar é um personagem à parte, com seus corredores estranhos, suas partes escuras e paredes que parecem ter vida própria, seu jardim esquisito e os insetos. Muitos insetos, por todos os lados, até na diagramação do livro.

Dá a impressão de que Claire Legrand pesquisou todos os pesadelos que crianças costumam ter, juntou todos e chamou de Lar Cavendish. A autora não poupou nada nem ninguém, desde criaturas com forma humana com um olho só, tocos no lugar das mãos e pedaços do corpo faltando até marionetes assustadoras e crianças sendo castigadas de maneiras que não ficam devendo nada a Dolores Umbridge em Harry Potter.

Como se não bastasse tudo isso dando o clima creepy do livro, ainda temos o desenvolvimento da personalidade da Victoria e de Lawrence (principalmente da Victoria) de uma maneira não só maravilhosa, como plausível. Claire conseguiu fazer com que os personagens passassem por uma aprendizagem incrível, mas sem perder a essência. Eles não viram outras pessoas. Você ainda consegue olhar para o final do livro e reconhecer os personagens que aparecem no início.

E falando em final, lembram no começo da resenha que eu comentei que middle-grade não é necessariamente garantia de um final completamente feliz para todo mundo? Pois leia e chegue no epílogo.

Depois a gente conversa.