O cabo amarelo no lugar errado


Vai vendo.

Por esses dias eu resolvi dar uma arrumada nos cabos do computador e do roteador/modem/eu-não-sei-o-nome-daquilo. Tirei todos eles do lugar, dei uma limpada, arrumei os que estavam embolados, coloquei todos de volta nos devidos lugares.

É claro que nesse processo eu ferrei a internet.

E eu sabia que o problema era alguma coisa no roteador/modem/eu-não-sei-o-nome-daquilo, só que nada fazia sentido. Eu tinha colocado tudo de volta. O cabinho que ia na tomada estava no lugar do cabinho que ia na tomada. O cabo azul estava onde deveria estar o cabo azul. O cabo amarelo estava na portinha amarela.

Antes de ceder aos meus instintos e arrebentar tudo com um martelo, minha mãe mandou uma mensagem para um primo nosso, pedindo socorro. Ele ficou de vir no dia seguinte cedo para dar uma olhada no que é que eu tinha feito.

Uma olhada nas configurações, não tinha nada de errado, então quando falei que tinha tirado e recolocado os cabos do roteador/modem/eu-não-sei-o-nome-daquilo, ele foi dar uma olhada.

- É o cabo amarelo que tá no lugar errado.

UÉ.

- Mas eu coloquei o cabo amarelo na portinha amarela.

- Sim, você fez o mais lógico, mas o cabo amarelo vai nessa outra portinha ali.

- Ah.

E a internet voltou a funcionar.

E é isso, gente. Na vida eu sou esse cabo amarelo que tá errado até quando tá no lugar certo.


Das pequenas desgraças da vida (porque se for falar das grandes esse post não sai ainda hoje)


Ultimamente só tem desgraça acontecendo na minha vida. Aquele tipo de coisa que parece que a vida tá te jogando um monte de pedrada, aí você fala "ok, já entendi" mas ela vai lá e taca mais algumas que é pra ter certeza que você entendeu. Então resolvi entrar de vez no clima e fazer uma pequena lista daquelas desgraças cotidianas. As do dia a dia. As que te enlouquecem aos poucos. As que te fazem ficar com olhar de câmera do The Office.


Afinal, a gente paga internet é pra sofrer tudo junto, então segura minha mão e vamo.

Picada de pernilongo na sola do pé

Arrumar uma pilha enorme de alguma coisa e descobrir logo depois que precisa exatamente do que ficou embaixo de tudo

Colocar o despertador pra tocar 3 da tarde e perceber (já atrasado) que botou sem querer pra tocar 3 da manhã.

Deixar o celular pra carregar e esquecer de plugar na tomada

Entrar uma farpinha fina no dedo, tentar tirar com a pinça e sem querer empurrar a maldita ainda mais dentro da pele




Não lembrar de pegar a toalha antes de entrar no banho

Ficar horas na fila do banco e descobrir que esqueceu o boleto em casa

Anotar alguma coisa em um papel que não podia

Anotar algo importante e perder o papel

Ir ao mercado comprar alguma coisa específica, comprar um monte de coisa e esquecer justamente aquela que precisava




Esquecer se já tomou um remédio ou não

Comer alguma coisa e sentir o gosto de metal da colher

Tirar tudo do lugar pra arrumar e depois perceber que tem que arrumar mesmo

Engasgar com o enxaguante bucal tipo LISTERINE

Pingar neosoro e sem querer ele escorrer pra garganta



Tudo que você quer ver nunca tem na Netflix

Ter que atender o telefone

Puxar uma pelinha da cutícula com os dentes e sem querer arrancar quase a pele inteira do dedo

Delivery fechado

MEIA MOLHADA



Vocês podem colocar mais sugestões nos comentários, porque uma das pequenas desgraças da vida é fazer um post de pequenas desgraças da vida, mas esquecer quase todas na hora que precisa.

A vida, ela é uma vaca.


Fui atacada duas vezes pela mesma barata e estou profundamente ofendida


Considerando que meu horário de sono virou desses em que vou dormir 8 da manhã, acordo cerca de meio-dia, fico com vontade de morrer e volto a dormir até 5 da tarde, acordando mais ou menos nesse horário e depois ficando emputecida por ter perdido a tarde toda sendo que eu podia consertar tudo isso tomando o remédio que meu psiquiatra tinha recomendado para regular meu sono mas consertar problemas de maneira prática, QUEM FAZ ISSO, MINHA GENTE? Então madrugada é o horário em que fico com mais fome. E, por causa disso, entro e saio da cozinha milhões de vezes.

Então eu tô lá, de boa no meu canto, curtindo a insoniedade na porta da cozinha, prestes a entrar, quando cai alguma coisa na minha cabeça.

A primeira coisa que passou pela minha cabeça (pun not intended) foi que era uma lagartixa. E como não costumo ter medo de lagartixa, bati a mão na bichinha e joguei pra longe. E a bichinha voou na parede.

Lagartixas não voam. Pelo menos acho que não, posso estar errada, as coisas evoluem com muita rapidez hoje em dia e com esses escândalos de leite com soda cáustica e carne com ácido e papelão, e aqui em casa a gente toma fanta uva, então vai saber que tipo de mutação elas podem apresentar.

A questão é que o que voou na parede não era uma lagartixa. Era uma barata.

O que significava que o que tinha caído na minha cabeça não era uma lagartixa.

Era uma barata.



E eu morri um pouquinho por dentro quando lembrei que não tinha mais inseticida, então entrei na cozinha correndo, fechei a porta e fiquei um tempo lá, esperando para ver se a desgraçada sumia.

Não sumiu. Quando abri a porta para sair, ela estava no mesmo lugar. Então saí correndo e as coisas ficaram por isso mesmo.

Só que um tempo depois me deu fome de novo. E eu, com aquela ingenuidade das pessoas que às vezes têm alguns ataques de burrice e acham que as coisas não podem piorar, deduzi que talvez a barata não estivesse mais lá.

Fui até perto da porta e olhei, meio de longe. Nada de barata. Ótimo. Me aproximei da porta. A barata surgiu do nada e voou no meio da minha cara.

A
BARATA
VOOU
NO
MEIO
DA
MINHA
CARA.


Desviei por milímetros da morte certa, desisti de entrar na cozinha e voltei correndo pro quarto, mas minha alma ficou na porta da cozinha mesmo.

Primeiro eu fiquei assustada.

Então eu fiquei puta.

Depois decidi que estava ofendida.

Ok ela ter pulado na minha cabeça da primeira vez, provavelmente estava no teto e foi cagada do destino ela ter caído. Acontece. Paciência. Mas ela VOOU NA MINHA CARA depois.

Eu não fiz NADA pra merecer isso. Não ataquei com inseticida, não bati com a vassoura, NADA. Eu só queria um pacote de bolacha e fui vítima dessa violência desmedida.

A gente não pode se sentir segura nem dentro da própria casa. Absurdo.




Leituras de Fevereiro/2017


Acabou que em Fevereiro li mais do que tinha pensado. Esse começo de ano anda bem produtivo pra leituras, pena que o resto da minha vida não segue a mesma direção HAHAHA HA ha.


ENFIM.

Por aqui teve a continuação do post sobre livros que poderiam virar minisséries e eu continuo fazendo pensamento positivo pra que A cabeça do santo um dia se torne uma. Falando em A cabeça do santo, teve a resenha dele e a Socorro Acioli foi indicada com esse livro ao LA Times Book Prizes! Também teve no blog um post-resumão de comentários sobre a série A Seleção da Kiera Cass. Tem spoilers, mas o post ficou bonitinho então 'bora dar uma olhada. O último post do mês foi um leve desabafo no estilo cuidado com a burra.

Também tô aos poucos dando uma ajeitadinha no instagram do blog pra deixar mais bonitinho e acabei criando um pessoal pra não misturar as bagaça. Então no @mareskawho tem fotos de livros e coisas do blog (AH VÁ!) e no @maremaremrsk um monte de coisa aleatória (provavelmente muita foto de gato e pato).

Das leituras feitas. Nada tá na ordem porque esqueci de colocar.


1 - AFTERWORLDS
Scott Westerfeld
Esse foi a última resenha daqui, reitero que todo mundo devia ler, Westerfeld é lindo, Westerfeld é amor.

2 - FELIZES PARA SEMPRE
Kiera Cass
Do livro de contos da série A Seleção sem dúvida o melhor de todos é da Celeste maravilhosa (não te perdoei nem nunca vou, Kiera). Tem mais sobre ele no post de comentários da série toda.

3 - A COROA
Kiera Cass
A Eadlyn é uma protagonista bem mais legal que a America. Também tem mais sobre ele no post de comentários da série toda, igual ao Felizes para sempre aí de cima.

4 - CHEFE IRRESISTÍVEL
Kiera Cass
No final das contas o casal que eu menos gosto da série tem o livro extra que provavelmente é o mais legal. No post de comentários da série tem mais sobre ele.

5 - TRINTA E POUCOS
Antonio Prata
As crônicas me divertiram (principalmente as que ele menciona os filhos), mas não consegui não comparar com o Nu, de botas. E nessa comparação, Trinta e poucos saiu perdendo. Tá longe de ser ruim, mas achei que ia me divertir nível Nu, de botas, e isso acabou não acontecendo. Acho que o problema tava no que eu esperava, e não no livro em si.

6 - SALT
Nayyirah Waheed
Não errei a capa não, é essa mesmo. Salt é um livro de poesia que fala sobre identidade, amor, vida, sensação de pertencimento, tudo isso relativo à cultura negra. Achei bem pouco sobre a autora no google, mas encontrei o suficiente pra achar o livro maravilhoso e ela maravilhosa e eu não sei comentar poesia, então vou colar aqui um comentário que achei no goodreads: "the collection is a beautiful expression of black culture, the darkness, the light, and all of the colors in between black and white. It is edgy, profound, and unapologetic in its brutal honesty." (link do comentário aqui). Li em ebook e por enquanto não tem em português, mas bem que podia.

7 - NINGUÉM ESCREVE AO CORONEL
Gabriel García Márquez
Esse na verdade foi uma releitura, porque já tinha lido na época da faculdade, mais ou menos 3 encarnações atrás. Até hoje só li dois livros do Gabo, esse e Memórias de minhas putas tristes, e esse do coronel eternamente esperando algo no correio e tentando sobreviver num ambiente hostil e modorrento que poderia bem se chamar Onde Judas Perdeu as Botas é meu preferido. Não é um livro pra quem gosta de ação porque praticamente nada "acontece" de fato e a história dá um misto de nervoso/angústia, mas talvez seja exatamente por isso que gosto tanto dele. Futuramente pretendo consertar essa falha no meu caráter de ter lido tão pouca coisa do Gabo.

8 - ALÉM DOS TRILHOS
Mika Takahashi
Apoiei essa HQ sem texto no Catarse por causa de um post no facebook da Carol Christo e porque tinha achado os desenhos da autora lindíssimos. Aí a HQ chegou, eu li e... assim... O TANTO QUE EU FIQUEI EMOCIONADA. O TANTO QUE EU CHOREI. O TANTO QUE A HISTÓRIA É BONITA E SENSÍVEL. O TANTO QUE EU ME APEGUEI A ESSE COELHO FALTANDO UMA PECINHA E TENTANDO PREENCHER A PECINHA FALTANDO. Essa HQ me deu sentimentos comparáveis aos que sinto toda vez que releio The missing piece meets the big O do Shel Silverstein, que aqui no Brasil saiu pela Cosac. E quem me conhece bem sabe o tanto de feelings que eu tenho por esse livro do Silverstein. Já declaro desde já que Além dos trilhos é uma das coisas mais bonitas e emocionais que eu li esse ano.




O Fevereiro de vocês rendeu? Meu Março só sei que vai ser bem cheio: comecei Menina Má, do William March numa edição lindíssima pela Darkside, pretendo ler My sister rosa da Justine Larbalestier dona do meu coração e espero ter tempo pra We have always lived in the castle da Shirley Jackson - os 3 livros giram em torno de crianças psicopatas e/ou assassinas. Outro plano pra esse mês é começar Deuses Americanos do Neil Gaiman, mas não sei se vai ser terminado ainda em Março. Também tenho deadline pra cumprir, o que é ótimo porque me obriga a escrever na marra e eu escrevo melhor sob pressão (a Pólen que o diga, já que entrego os textos sempre tudo em cima da hora DESCULPA PÓLEN NÃO DESISTE DE MIIIIIIIIIIIIIIM!). Vocês já têm planos leiturísticos ou algo mais pra Março?

BOA SORTE GENTE, HORÓSCOPO DA SUSAN MILLER JÁ TÁ NO SITE DELA E ESSA SENHORA NÃO SE DECIDIU SE MEU MÊS VAI SER PRODUTIVO OU SE EU VOU MORRER, COMO QUE PROCEDE UM NEGÓCIO DESSES?


AFTERWORLDS


›› autor: scott westerfeld
›› editora: Simon & Schuster
›› ISBN: 9781481435055
›› número de páginas: 599
›› onde comprar: cultura | amazon
›› título no brasil: além-mundos
›› editora: galera record
›› onde comprar em português: cultura | saraiva | amazon
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sinopse: Depois de ter escrito seu primeiro livro em um mês, Darcy Patel fecha com uma grande editora e se muda para Nova York para realizar seu sonho de viver de escrita - pelo menos por um tempo. Lizzie, depois de um ataque terrorista num aeroporto, acaba atravessando o véu que separa o mundo dos vivos e o mundo dos mortos. Lizzie é a protagonista do livro de Darcy, e as duas vão juntas aprender a lidar com a vida, o universo  e etc.

Vocês vão ver muito por aqui casos em que compro um livro e levo 3 encarnações pra resolver ler, ou então começo a ler, paro e só volto em ano bissexto. Afterworlds foi mais um menos uma mistura dos dois e eu nem sei porquê, já que a leitura não estava chata. Uma hora começou a me incomodar ele parado lá no Goodreads e criei vergonha na cara. Ainda bem, porque foi uma das coisas mais maravilhosas que eu já li. Não que isso seja tão surpresa assim, considerando meu amor pelo Scott Westerfeld até quando o livro dele é mediano. A questão é que Afterworlds me pegou pelo tanto que me vi representada nos questionamentos e nas dúvidas da Darcy. Não só eu, aliás. Eu vi ali tantas discussões e tweets e textos e conversas e surtos que amigas e amigos meus já tiveram e que eu presenciei.

Entre ter escrito seu livro em um mês, se mudado para Nova York pra revisar e escrever a continuação e finalmente o lançamento, Darcy passa por todos os estágios que praticamente todos os autores de livros young adult já passaram. As dúvidas sobre ter ou não feito uma boa representação de coisas e pessoas, o nervoso que dá quando a escrita empaca, descobrir como essa indústria funciona e principalmente, a síndrome do impostor. Essa coisa de não saber se merece mesmo se considerar escritor, se sequer pode ser chamado de escritor, e se aquele livro for a única coisa que ele vai escrever a vida toda?, e se nunca mais conseguir escrever algo com a mesma qualidade?, e se o livro não tem qualidade nenhuma e as pessoas só não perceberam isso ainda?, e se a recepção a ele for horrível e ninguém gostar?. Todo mundo que escreve ou já tentou escrever um livro eventualmente vai se deparar com essa ideia fixa de que de algum modo a gente tá enganando todo mundo porque nossa capacidade de escrever no final das contas ou não existe ou tá sendo seriamente superestimada.

Escrever um livro é um negócio dolorido por isso. Não é só a dificuldade em criar personagens, encaixar as cenas, cumprir os prazos e fazer o plot funcionar e ficar coerente. É o tempo todo ter que lidar com essa sensação de ser um embuste em forma de caneta e papel. E a Darcy vive tudo isso enquanto o leitor acompanha e aprende também algumas coisas sobre como funciona a publicação de um livro, além do amadurecimento da própria Darcy. O Westerfeld não podia ter botado isso no papel de maneira melhor. E ainda nos deu um exemplo bem legal de como se traz diversidade pra literatura young adult sem criar estereótipos (a Darcy é descendente de indianos e lésbica e ainda temos um ship maravilhoso pra torcer).

Uma sacada ótima do livro é exemplificar tudo isso na forma da história que Darcy escreve, cuja protagonista é Lizzie, Afterworlds (que por acaso também é o nome do livro da protagonista) intercala os capítulos entre a vida da Darcy e os capítulos do livro que ela escreve. No começo não tive tanto interesse assim pelos capítulos da Lizzie porque estava mais interessada em saber sobre a própria Darcy. Só que quando ela começa a falar mais sobre a revisão do livro e conversa com os autores que ela vai conhecendo, fica mais claro o motivo da escolha de colocar os capítulos da Lizzie: ver a evolução da história que a Darcy escreve. Muitas vezes o leitor acaba um capítulo da Lizzie e no seguinte a Darcy comenta como um determinado aspecto daquele capítulo tinha sido escrito de outro jeito, mas ela mudou na revisão (que é o que o leitor acabou de ler). Não sei se consegui me expressar direito, mas é quase como se desse pra acompanhar junto com a Darcy o processo de revisão do Afterworlds dela.

É a leitura perfeita pra qualquer pessoa que tenha algum interesse por escrita ou por saber pelo que passam seus escritores preferidos de young adult.